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Trabalhos de Filosofia da Mente

 

Investigação sobre a Consciência

Autores: Rafael Sandoval

Instituição: Universidade Católica de Brasília

Data de Publicação: 20/02/2009

Resumo do Trabalho: O presente artigo aborda temas como consciência e inteligência, estes temas são abordados sob o ponto de vista filosófico, não obstante, não priva de uma análise de grande profundidade em um momento, e em outro, uma análise em sentido mais lato, mesmo sob o ponto de vista antropológico e psicológico.

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Investigação sobre a Consciência

Resumo

O presente artigo aborda temas como consciência e inteligência, estes temas são abordados sob o ponto de vista filosófico, não obstante, não priva de uma análise de grande profundidade em um momento, e em outro, uma análise em sentido mais lato, mesmo sob o ponto de vista antropológico e psicológico. Portanto denota que o estudo do tema como consciência possui muitas análises, tendo em vista as áreas de estudo e por não haver ainda fixo um conceito de “consciência”. A consciência não se isola e está em troca contínua com o mundo exterior e do “mundo interior do sujeito”, faz a ligação do sujeito com o mundo exterior, com o objeto; por isso é problemático qualquer definição de suas funções sem um estudo profundo. O artigo que se segue, portanto, reflete de maneira o quanto possível original (tendo em vista, também, informações de outros autores) sobre os aspectos da consciência, de sua relação com o mundo e de como o conhecimento é formado no interior de um sistema cognitivo.

 

Palavras chaves: consciência; filosofia da mente; desejo; inteligência.

 

Introdução

Na moderna filosofia da mente, há um bojo de questões até então não respondidas; o artigo que se segue, procura refletir sobre questões não definidas pela ciência como a consciência e a inteligência que, também são temas da psicologia e da antropologia. No primeiro artigo do estudante que escreve essas linhas, houve uma análise da razão enquanto esta desenvolvida conjuntamente com a consciência a fim de servir a sobrevivência do indivíduo e da espécie, fruto então, da evolução natural. Inferi que as condições inatas e elementares das faculdades de conhecimento desenvolveram se de uma forma rudimentar e simples á complexidade atual dessas faculdades. Assim, a inteligência do homem do período paleolítico inferior possuía apenas rudimentos da inteligência do homem atual. Sobremaneira se expressa esses rudimentos no esboço de sua organização social e, sobretudo, nos rudimentos de linguagem dos primeiros homo sapiens sapiens que per se é: o homem que sabe que sabe. Quiçá poderá concluir, também, que a inteligência serve aos instintos básicos e instintos secundários do homem.

Os tópicos subseqüentes analisarão, então, a consciência e a inteligência. A consciência com seu papel, por assim dizer, relacional com o mundo e com os dados deste; está em continua troca com o mundo, abstraindo do mundo características a fim de criar novas representações; disso pode se inferir: ter consciência ativa do mundo. Não pode ser passivo, pois ter consciência ativamente significa se relacionar com o mundo tanto absorvendo alguns aspectos deste, quanto projetando aspectos a este. Igualmente, analisará a inteligência e seu funcionamento.

 

1 – A consciência e sua intencionalidade

Segundo vários filósofos da mente e psicólogos empiristas, a palavra consciência pode ser usada de várias formas. “Por vezes é utilizada para discriminar estímulos ou para relatar informações, ou para acompanhar estados internos, ou, mesmo, para controle do comportamento” (CHALMERS, 2003). A consciência possui um caráter de intencionalidade, assim a consciência tendo em vista os dados da realidade que se apresentam, e também por seu suposto papel, dá sentido às coisas e produz representações, todavia, é problemático confundir intencionalidade com intenção, pois intenção é uma forma de intencionalidade, mas não a intencionalidade propriamente dita como bem acentuou John Searle[1]. Intencionalidade significa que a “consciência está por outra, quando é acerca de outra coisa, por conseguinte crenças e desejos são estados intencionais” (ABATH 2000, apud DENNET, 1987). Desse modo, a consciência possui um papel[2], por assim dizer, ativo. A consciência opera segundo “conceitos absorvidos”, ou a partir de experiências subjetivas conscientes – “qualias” - criando, desse modo, novas representações. Há um caráter propriamente ativo da consciência, estando para outras, ou, outras coisas acerca do mundo, assim, significa que o ato de desejar significa desejar algo, imaginar significa imaginar algo. Tendo em vista que a consciência possui operações tanto de “recepção ativa” e, isso, significa ter consciência de algo, ou seja, daquilo que atravessa nossos sentidos criando representações e, também, criar novas representações sem um ente correspondente no mundo real; porém, é possível afirmar que não se trata da consciência propriamente dita a criar novas representações, mas faculdades inerentes ao sistema cognoscitivo, a consciência então ficando somente como mera superfície ativa de contato com os dados da realidade.

As faculdades cognoscitivas e a consciência possuem características que proporciona certa reciprocidade. Com efeito, para que haja representações, seja necessária certa quantidade de abstrações de dados da realidade. Assim são pouco possíveis os jovens somente por mera intuição sem nenhum contato visual e real com o objeto equivalente, ou mesmo conhecimento prévio, idear a cor do macacão de Charlie Chaplin no filme Tempos moderno. É, porém, possível, tendo como exemplo um macacão do mesmo modelo; assim, retira-se do macacão o predicado “cor”, seja ele vermelho ou de qualquer cor que seja. Vejamos como modelo um macacão de cor azul que supostamente seria do mesmo modelo e cor utilizado no filme de Chaplin, tendo em vista o conhecimento que o macacão de Chaplin é azul, imagina-se (representa-se) doravante ao assistir o filme, que o macacão de Chaplin é azul coisa que outrora não era possível. Diante disso, para que sejam geradas novas representações há de haver no sistema cognitivo, um número considerado de informações, destarte, não é possível idear um caminhão sem ter a idéia do que é um carro, pois o caminhão igualmente está na classe dos veículos, pois o aparelho cognitivo ajusta-o a categoria de veículos, onde o carro e o caminhão fazem parte e, que, porém, até então só havia nessa categoria o conceito “carro”; doravante há mais um veículo, ou seja, o caminhão. Assim quando o indivíduo pensa doravante em veículos, poderão sobrevir à mente, agora também caminhões. Portanto, conceito e representação são distintos, há, no entanto uma adequação do conceito ao fenômeno assim que se apreendem mais informações da realidade externa. Há uma hierarquização das funções cognoscitivas para que seja gerada uma representação nova, dessa forma a consciência possui intencionalidade estando então como última instância ou palco na criação de representações. Ainda há possibilidade de hierarquizar, por assim dizer, de maneira um pouco rudimentar, as funções cognoscitivas geradoras de representações: é imediatamente necessário que a memória possua certa quantidade de conhecimentos e crenças mesmo como meros conceitos para que sejam criadas novas representações e estas se apresentarem na consciência, é também necessário a imaginação para que se consiga criá-las.

Diante do exposto, é possível afirmar que o sistema cognitivo possui crenças que são geradas pelo grupo social. Não obstante, mesmo o conhecimento a priori deriva-se de uma abstração, de um predicado dado como primário, urgente, caracterizador, contido no sujeito; criando, assim, uma necessidade. Das premissas: “Todos os homens são mortais, Sócrates é um homem, portanto, Sócrates é mortal”. É possível analisar (introspectivamente, mesmo sendo problemática e discutível essa maneira, porquanto o sujeito usa de inferências mesmo através da introspecção) que o intelecto abstrai mortal, e o projeta em Sócrates, pois “Sócrates” “existe” na classe de homens e não se dissocia deste, constituindo, assim, uma crença e, também, criando a partir da crença pré-existente de que “Todos os homens são mortais” (premissa maior) criar novas crenças e todo um sistema de crenças. Da mesma forma, sendo possível saber qual a “classe de macacões de Chaplin”, é possível deduzir ou mesmo imaginar a cor e, também, cores de outros macacões da mesma classe. Parece, portanto, que as faculdades cognoscitivas, tendem a armazenar informações classificando-as automaticamente (aspecto que veremos mais a frente nesse artigo). Destarte, é facilmente constatável tal função de armazenamento na imaginação de um suposto futuro se baseando em acontecimentos passados.

entre as correntes de pensamento dos filósofos da mente, que o sistema cognitivo tende a responder de maneira sui generis dado o aspecto da realidade que se apresenta:

(...) “se um determinado padrão simbólico S se forma no interior do aparelho representacional de um sistema cognitivo K na seqüência de este ter sido causalmente impressionado por um dado aspecto da realidade R, então esse padrão simbólico S será acerca desse aspecto da realidade R. Evidentemente, é preciso ter algum cuidado na formulação deste ponto de vista. Nomeadamente, para determinar que uma dada conexão impacto causal/conteúdo representacional obtém, é necessária que duas outras condições suplementares se encontrem reunidas. A primeira é a de que apenas o aspecto da realidade R cause a emergência do padrão S em K. A segunda é a de que todas as instâncias de R têm que dar origem à constituição do padrão S sempre que exerçam um impacto causal sobre K”. (ZILHÃO, Antônio, 2007).

também a corrente Teleosemântica que procura resolver o problema do comportamento do sistema cognitivo frente ao dado da realidade, com uma anterioridade de determinado padrão desenvolvido pelo sistema para co-varia a determinado aspecto da realidade e não com outro. Destarte, parece haver a segunda corrente, uma maior compatibilidade com a conjectura descrita no parágrafo acima com a do “macacão de Chaplin”.

 

1 - Dualismo res cogitan e res extensa

Segundo a corrente dualista cartesiana, haveria uma dualidade entre a res extensa -corpo, extensão e a res cogitans - mente, espírito - a res cogitans, se caracterizando pela consciência imediata, pelo “penso logo existo” ou Cogito ergo sum. Como elucidado por Luiz Roberto Monzani[3]:

(...) por mais que se estenda a dúvida, ela não pode se exercer com relação ao seu próprio exercício. O ato da dúvida não pode ele mesmo ser colocado em dúvida enquanto ação formal do espírito, mesmo que todos os conteúdos desse ato tenham por esse mesmo processo sido eliminados. Duvidar do ato da dúvida é uma contradição nos termos porque a dúvida (e não em relação aquilo que ela se exercer) é uma função da qual a consciência imediata gera uma certeza imediata. (MONZANI, Roberto, Luiz; Freud por ele mesmo, pg. 12 1989)

Outra corrente materialista acredita que não há dissociação entre mente e corpo, ou seja, constituiriam uma coisa só, e assim, a res cogitans dependeria da res extensa. Todavia, tendo em vista a impossibilidade da mente funcionar fora do corpo, ou seja, fora da res extensa, parece ser improvável uma dissociação total da mente do corpo. Ora, sem a energia necessária e indispensável para movimentação do corpo, não é possível a mente bem funcionar, e, isto, inclui também que um tipo de comportamento corresponde á uma área específica do cérebro ativado. Com efeito, seria até possível verificar qual o comportamento do indivíduo tendo em vista a área do cérebro ativada, com maior sinapse. Essa, em suma, é a corrente defendida pela visão monista e materialista.

Algumas correntes da ciência cognitiva acreditam ser necessária a matéria para que a mente bem funcione e crie representações. Por outro lado, outra corrente, acredita que um sistema de crenças fruto da evolução natural ou naturalismo (corrente, sobretudo defendida por Dennet) contido no aparelho cognitivo, dessa forma o aparelho A (ou sistema cognitivo) responde a determinado dado da realidade de maneira pré-determinada. Entretanto, é demasiado problemática essa idéia, pois isto enseja dizer que outro aparelho B que esteve sob as mesmas condições, também responderá da mesma forma.

 

2 - A consciência do mundo

Em outro artigo acadêmico, o estudante que agora escreve essas linhas, tentou dar uma concepção onde o sujeito consciente, procura uma total segurança na consciência do mundo e no conhecimento do mesmo. Não obstante, a primeira explicação se deu mais por uma tentativa de definir a insegurança do homem pensante diante do mundo. Nos parágrafos subseqüentes será feita uma tentativa de análise da consciência e sua responsabilidade de troca, por assim dizer, que a mesma faz com o indivíduo pensante e o mundo que o rodeia.

A consciência dada como controle de um organismo vivo, possui a característica de intencionalidade e a característica que julgo como capacidade de intencionalidade objetivada. Mas o que significa isso? Um estado intencional como abordado nos primeiros parágrafos do presente artigo, expõe que a consciência está por outra coisa, e um estado intencional mesmo que não propriamente consciente possui uma relação de adequação da mente com o mundo, tendo em vista as condições de satisfação. Com isso se quer dizer segundo John Searle que a intencionalidade possui a propriedade intencional, devido às suas condições inerentes de satisfação. A consciência também possui a propriedade de representar tanto algo exterior a si própria e exterior ao organismo vivo, como de representar seres sem correspondência á entes no mundo real. A consciência tem como objetivo, captar o mundo e abstrair conceitos do mesmo a fim de representá-lo; Por outro lado, a intencionalidade consiste segundo Searle de propriamente relacionar o homem ao mundo. A intencionalidade objetivada (Lê-se neste caso, intencionalidade como sinônimo de intenção.) diz respeito à capacidade de penetrar conceitos; isso significa a potência de refletir tanto de maneira objetiva, “para fora”, tentando resolver um problema quanto de maneira introspectiva, para dentro, refletindo sobre os próprios processos mentais. Com efeito, a consciência ao tentar refletir sobre seus próprios processos mentais tende a ser usada – se me permitem a expressão - como uma lanterna frente à irrupção dos desejos, ou seja, é aperceptiva.

 Mesmo quando da não completa atenção ao mundo exterior, a consciência dá sentido aos entes. Quando o homem direciona a consciência a qualquer objeto, mesmo quando não completamente atento e não estando com os sentidos completamente voltados a esse objeto, é absorvida uma parcela de informações que serão usadas para novas representações, destarte, quando se olha a determinado carro, se está automaticamente abstraindo-se os predicados do carro, absorvendo-lhes a fim de criar representações. Diante disso, chega-se a algumas inferências. Quando uma pessoa olha determinado objeto existe uma parcela de memórias anteriores no ato de olhar, pois houve uma quantidade considerável de abstrações de predicados do objeto que a pessoa agora olha, assim parece que ao mirar determinado objeto, a representação que agora se faz diante dos olhos da pessoa que olha, possui certa quantidade de características reais e outra quantidade de memórias de objetos equivalentes projetadas no objeto que está sendo visto. Também, todo ato de ter percepção de objetos exteriores, possui formas a priori do conhecimento que permitem tantas outras condições para existência de objetos exteriores, estas condições são o espaço, o tempo e casualidade.

 

2.1 - O nascer da consciência

Os animais tidos como irracionais não possuem a consciência do mundo, pois reagem segundo os motivos específicos que fazem com que seus instintos se mobilizem. Portanto, a consciência é pertinente ao homem e servindo a suas necessidades. Nos primeiros homo sapiens a consciência era de maneira rudimentar e servindo a percepções e necessidades elementares, sofisticando-se a partir da evolução. Isto significa que as causas que levam a mobilização se sofisticaram de uma forma que estes motivos passam então a agir por meio da inteligência na medida em que também se sofistica as necessidades a fim de mobilização. Uma passagem do livre arbítrio de Arthur Schopenhauer serve- nos para uma maior clarificação:

A terceira fórmula da causalidade motora é peculiar ao reino animal, constituindo a sua característica: trata-se da motivação, isto é a causalidade agindo por meio da inteligência. Intervém ela na escala natural dos seres, no ponto em que a criatura, tendo necessidades mais complicadas, e conseqüentemente muito variáveis, não consegue mais satisfazê-las unicamente sob o impulso dos excitantes que ela deveria sempre esperar de fora; é preciso, então, que esteja apta para escolher, colher e também pesquisar os meios para satisfazer essas necessidades surgidas. (SCHOPENHAUER, Arthur; o livre arbítrio, 1982 p. 195, 196.)

Todavia a citação acima dá apenas uma clarificação do aspecto exterior e de relação que consciência possui com os objetos da experiência. Dessa forma, ajuda-nos a clarificar o quanto a consciência e a inteligência se desenvolve no homem de uma forma a servir as necessidades, ou mesmo de uma maneira mais abrupta e radical: a servir aos instintos com o fim de preservação e seleção.[4]

 

3 - Teorias funcionais dos estados mentais - funcionalismo

O Funcionalismo teve sua difusão, sobretudo a partir dos anos 60, autores como Jerry Fodor adotaram o funcionalismo computacional, ou seja, significa dizer que os estados mentais possuem relações causais. Por conseguinte, as relações mentais se dão sob a forma de inputs e outputs.[5]Com efeito, se o sistema cognitivo está em determinado estado mental, estando nesse estado recebe então um input que ocasiona uma saída output, daí há uma variação do estado mental anterior ao input, ocasionando, por conseguinte outro estado mental. Desse modo, segundo o funcionalismo há uma relação causal entre os estados mentais, variando segundo um input que ocasiona um output, assim, havendo a mudança de estado mental; diante disso, é pertinente afirmar que o organismo A1 está em um estado mental A2, recebe um input B1, geraria um output C provocando uma variação de estado mental (mesmo um estado “mental consciente”) para A3.

, também na filosofia da mente correntes tanto naturalista como teleológica – que parcialmente foram discutidas no início do artigo. Segue-se que de maneira satisfatória foram discutidas idéias que confluem e participam para o entendimento da consciência e a relação que esta faz com o mundo.

 

3.2 -A Teoria PANIC - O caso Mary

Mary é uma neurocientista que foi criada em um quarto preto-e-branco. O único contato de Mary com o mundo exterior foi através de um monitor preto-e-branco. Mary, porém, sabe tudo sobre o mundo colorido, assim, sabe sobre o que  são as cores. Um dia Mary é retirada do quarto preto-e-branco e vê pela primeira vez, tomates vermelhos, dessa forma, vê pela primeira vez cores. Ela, Mary, conhecera de antemão tudo acerca de cores como também sobre experiência de cores.

Segundo a teoria PANIC proposta por Michael Tye[6], onde os estados mentais são intencionais, mas não-conceituais. Com efeito, há de início, a ação de processos cognitivos operando sobre representações não conceituais. Depois da ação desses processos e da consciência do sujeito há uma inclusão das suas experiências fenomenais em conceitos. Portanto, primeiro há o estado fenomenal e depois da consciência deste, uma inclusão dessa experiência em conceitos, tornando-se então, conceituais. A teoria PANIC bem nos revela sobre o “problema de Mary”. Mary sabia de antemão o que era o vermelho, mas nunca tinha visto o vermelho; sabia o que era o vermelho, mas não tinha a experiência subjetiva do que é o vermelho. Desse modo, o sistema cognitivo passa a reorganizar ou, por assim dizer, adequar o conhecimento anterior de Mary a sua experiência subjetiva – qualia. Portanto a intencionalidade da consciência segundo a teoria PANIC é não-conceitual.

 

4.0 - Relações entre a inteligência, desejo e consciência como aspecto secundário

A inteligência serviu o homo sapiens durante a evolução a fim de previsão e serviço aos instintos[7], este enquanto especificidade de motivos que fazem com que os mesmos se mobilizem. Assim sendo, a inteligência evoluiu juntamente com os desejos humanos, pois o homem é um único animal com desejo, deste modo, com a evolução das necessidades propriamente humanas a inteligência se sofisticou. Os desejos humanos são necessários, por assim dizer, pois quando eles chegam á consciência em estado de resolução só podem ser impedidos por obstáculos exteriores, ou seja, obstáculos existentes no mundo; destarte se torna impossível dizer que se desejaria algo diferente e não o que realmente foi desejado. Um exemplo sobre a sofisticação da inteligência juntamente com os desejos se dá com chimpanzés e bonobos que, por conta de sua evolução possuem um número considerável de desejos, têm um raciocínio breve e momentâneo, porém raciocínio a que se pode dizer inteligência como estudado por Wolfang Köhler. Há no pensamento dos filósofos da mente, nos estudos das ciências cognitivas e nas ciências computacionais, o alheamento de causa e meio para consecução dos objetivos biológicos. A consciência nasce para a consecução dos objetivos biológicos, pois, esta, se desenvolve de maneira paralela aos desejos, ante isso, “escolher”, tendo em vista a necessidade ou o ensejo do momento, indica que há um desejo implícito, a consciência, portanto é secundária ao organismo e mesmo a mente, pois existe para a consecução dos objetivos biológicos.

De forma insistente, a possibilidade de uma IA forte apenas se faz de uma maneira a reproduzir completamente o sistema cognitivo humano e, isso, sobretudo indica que também há uma necessidade suficiente de desejos contidos nesta IA forte[8]. A completa dissociação da mente para com os instintos primários e desejos caracterizadores do homem impossibilitam ao ver do autor que escreve essas linhas, a possibilidade da criação de uma IA forte, pois a consciência tende a naturalmente adequar o seu desejo e a possibilidade de satisfação do mesmo a realidade exterior; assim, significa que o processamento de uma informação que se torna após a experiência um dado conceitual, só retornará a ser representado tendo em vista a mobilização simbólica de um desejo. Dessa forma, tendo como exemplo a representação da idéia de um carro (ocorrido pelo desejo de comprá-lo) será insistente ao aumentar o desejo de comprá-lo, ou seja, o conceito de carro se adéqua a possibilidade de tê-lo.

 

Considerações finais

O presente estudo da consciência e da inteligência sendo está segunda abordada de modo mais superficial, deu ênfase em explicar, sobretudo a consciência em seus possíveis aspectos e, inclusive em seu próprio processo de tornar-se consciência. Ter consciência significa ser sujeito e objeto, ou seja, sujeito enquanto “receptor” e transmissor do mundo e também objeto de outrem. Ser objeto significa está para outrem, ser objeto de outrem; por outro lado, ser sujeito é ser receptor e também criador do mundo, receber informações do mundo e também transmitir informações a este mundo.

Com o pretenso advento de uma IA forte haveria conseqüentemente uma ampliação lingüística predicativa ao que concerne aos IA´s. Com efeito, uma máquina movida por uma IA forte, outrora sempre objeto, passaria a também ser sujeito. Do ponto de vista lingüístico haveria uma ampliação; de início, do ponto de vista lingüístico, porquanto sujeito e objeto são contrários, assim se tal máquina fosse sujeito seria transmissor e criador também do mundo, desta forma, haveria ampliação pronominal, ou seja, pronomes também se aplicariam ao IA, no entanto, é apenas um aspecto superficial.

Houve uma investigação da consciência neste artigo de forma, por assim dizer, suficiente, no entanto, quiçá não tão profunda e talvez se limitando aos nos dizeres de Chalmers: aos easy`s problems.

 

Referências bibliográficas

SCHOPENHAUER, Arthur; Os grandes clássicos da literatura, O livre arbítrio. São Paulo: Brasileira LTDA, 1982.

MORA, J. F. Dicionário de filosofia. Trad. Antonio José Massano e Manuel Palmerim. Lisboa: Dom Quixote 1978.

MONZANI, Roberto, Luiz; Freud por ele mesmo. São Paulo: Martim Claret 1989.

CANAL, Rodrigo; A Estrutura dos estados intencionais na teoria da intencionalidade de Searle: breve introdução, São José del-rei, 18 julho. 2009 Disponível em: http://www.consciencia.org/searlecanal.shtml Acesso em 18 de Julho.

CHALMERS, David; Consciouness and its place nature, Australia, (data desconhecida). Disponível em: http://consc.net/papers/nature.pdf Acesso em 14 de julho. 2009.

ABATH, J. A; Intencionalidade e naturalismo, João Pessoa, 2000. Disponível em:
 
http://www.consciencia.org/monografiaabath.shtml Acesso em 11 de julho. 2009.

SOUSA, Alberto; A inteligência animal, (local desconhecido). 2006 Disponível em:
 
http://www.notapositiva.com/trab_professores/textos_apoio/biologia/inteligenciaanimal.htm. Acesso em 18 de julho. 2009.


 

[1] Filósofo da mente.

[2] É ousado dizer isto a respeito da consciência, pois não há uma definição clara do que ela é ou se existe.

[3] Professor de filosofia da Unicamp e autor de Freud. O movimento de um pensamento.

[4] Foi um dos temas do artigo outrora escrito: Reflexões sobre o primeiro ato filosófico e considerações sobre o conhecimento que causou de certa forma certa polêmica ao apresentar o mesmo. Não obstante, reitero a idéia, pois creio ser pertinente e, sobretudo válido sob o ponto de vista lógico e coerente e também sob o ponto de vista científico.

[5] São duas siglas do inglês. Input significa entrada, é geralmente usado na informática que significa, por assim dizer, a entrada de dados por meio de códigos para outro programa. Por sua vez output significa “saída”, ou seja, um retorno de dados.

[6] Filósofo da mente

[7] Aspecto também abordado no artigo Reflexões sobre o primeiro ato filosófico e considerações sobre o conhecimento.

[8] É possível dizer que os desejos são a alma humana? A essência humana?

 

 

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