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Trabalhos de Estudantes do Ensino Superior Trabalhos de Filosofia - Metafísica |
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Ato e Potência Autores: Rafael Sandoval Instituição: Universidade Católica de Brasília Data de Publicação: 20/02/2009 Resumo do Trabalho: Este artigo trata do tema “ato e potência” da metafísica aristotélica. É abordado profundamente o tema ao longo do artigo, todavia sem uma fuga do tema proposto. Comentar este trabalho / Ler outros comentários Se tem trabalhos com boas classificações, envie-nos, de preferência em word para notapositiva@gmail.com pois só assim o nosso site poderá crescer.
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Resumo Este artigo trata do tema “ato e potência” da metafísica aristotélica. É abordado profundamente o tema ao longo do artigo, todavia sem uma fuga do tema proposto. Compreende-se, reflete-se e questiona-se sobre o tema de modo a contribuir cada vez mais com o aprendizado da filosofia. É através de uma análise profunda do tema que cada tópico é dissecado podendo, então, chegar a uma compreensão maior do tema. Neste artigo várias reflexões sobre questões do tema ato e potência são tratadas, a fim de proporcionar a prática da reflexão e um maior aprendizado de filosofia. A proposta do artigo, em suma, é dissecar o tema abordado o que é conseguido suficientemente. Abstract This article deals with the subject act and power of aristotelian metaphysics. The subject throughout the article is boarded deeply, however without an escape of the considered subject. It is understood, it reflected and it questioned on the subject in order to more contribute each time with the learning of the philosophy. It is through a deep analysis of the subject that each topic is dissected being able, then, to arrive at a bigger understanding of the subject. In this article some reflections on questions of the subject act and power are treated, in order to provide it practises it of the reflection and a bigger learning of philosophy. The proposal of the article, in short, is to dissected the boarded subject what it is obtained enough.
Palavras chaves: Trabalho acadêmico, artigo, filosofia, metafísica, ato e potência, Aristóteles. Keywords: academic work, article, philosophy, metaphysics, act and power, Aristoteles.
A metafísica na definição aristotélica é per se o conhecimento do supra-sensível que se traduz pelo conhecimento do que está por detrás do ente. Com esta significação, a essência íntima das coisas está (aqui de forma diversa ao seu mestre Platão) nas coisas reais e, somente através da intelecção, é possível conhecê-las. Não estando, então, separada das coisas reais, essa essência reside no real sendo possível deste modo conhecê-las. Sendo assim, na concepção aristotélica a metafísica investiga o as causas primeiras de todas as coisas: é o conhecimento do real em si, do “ser enquanto ser”, a fim de conhecer a essência do universo. De todos os temas magníficos da metafísica aristotélica, o ato e potência possuem uma natureza especial. É através dela que a potencialidade de uma coisa, ao passar de um estado a outro, é verificada. O conceito de ato e potência pelo próprio Aristóteles é indefinido como bem verificou Sir David Ross(1969) no prefácio de uma edição da obra aristotélica. Não obstante, é possível através de exemplos particulares, desse modo, apontar o conceito da natureza da potencialidade: uma árvore agora em ato, que outrora era semente, sempre foi em potencialidade árvore; entretanto, podendo ser transformada em algum objeto como a cadeira, contendo então a árvore, que está em ato, a potência de transformar-se em cadeira; a mulher bela que outrora era uma criança, mesmo quando criança era uma mulher bela em potencia. Portanto, o conceito metafísico de ato e potência de modo geral diz respeito à faculdade de uma coisa produzir outra – essa coisa transmutando-se em outra, tornando se, então, “ato”. Não é com um simplismo de raciocínio, uma indigência de pensamento ou com uma omissão da questão em si que toda mudança deve ser concluída como se tratando de uma potência que se torna ato, isso não é tudo, porém, do que se pode dizer a respeito Recorrendo ao texto de Sir David Ross: Talvez pareça um simples truísmo dizer que, antes de A se encontrar atualmente no estado B, devia levá-lo potencialmente em si; e é certo que, se respondermos á pergunta ‘por que A se tornou B em ato? ’dizendo ‘ porque já era B em potência’, estaremos dando uma resposta que não explica nada. (ARISTÓTELES. 1969, p. 25.). Sobre esse aspecto Aristóteles insiste que a mudança não é calamitosa, o objeto que agora é em ato B, anteriormente já possuía condições que o levam a se tornar B, outrora sendo um objeto A. Desse modo, Aristóteles para que com mais atenção percebamos que objeto A já possuía condições que o levam a se tornar B, ele já era “B” em potência, já possuía aspectos de B em seu “corpo” de A. Em um exemplo elementar, o atleta que agora corre velozmente já possuía quando criança características que lhe fazem correr tão velozmente, que sejam pernas fortes e resistentes ou mesmo um pulmão potente. Ou, em outro exemplo, mesmo um homem que aprendeu o ofício da marcenaria pode quando lhe convier e dispuser de materiais construir uma cadeira, coisa que outro homem sem possuir o aprendizado do ofício ou mesmo sem os materiais não pode fazê-lo. É estritamente necessária uma condição anterior para que a potência chegue, em vias, de fato, ao ato. Destarte, a potência de agir e também de sofrer a ação possui um caráter único significando, então, “capacidade”, ou seja, uma disposição necessária para poder sofrer uma ação ou mesmo poder agir sobre outra coisa. Na acepção léxica, “capaz” pressupõe características propiciadoras ou de aptidão: é um conceito necessário à potência. Há uma potência na coisa que sofre a ação e outra potência na coisa que é o agente. Um exemplo usado por Aristóteles para explicar essa idéia é de que o calor e a arte de construir residem, respectivamente, no que pode produzir calor e no arquiteto (ARISTÓTELES. 1969). Aristóteles chama de “impotência” a privação de uma potência residente no indivíduo, pois, no sentido léxico, impotência é o antônimo da potência, do poder, ou seja, pressupõe um “não-poder” de modo – com as próprias palavras de Aristóteles - “que toda potência pertence ao mesmo sujeito e se refere ao mesmo processo que corresponde à impotência” (ARISTÓTELES. 1969.) Dessa maneira, a impotência se refere a uma incapacidade natural do que deveria possuir potência ou mesmo um déficit considerável na potência do sujeito que deveria tê-la, completamente em absoluto e de maneira comum, geral, ou então, de maneira peculiar. Para isso Aristóteles define a “privação” como sendo a impotência de uma unidade orgânica modificar “outro” - ser um agente modificador, pois, não pode modificar a si mesma. Assim, a privação é a impotência do sujeito ter a capacidade necessária a sofrer modificação, ou mesmo, a capacidade de modificar outro sujeito ou objeto. Significa, no primeiro, a capacidade sobre o ponto de vista negativo (passivo) e, na segunda, sob o ponto de vista positivo (ativo).
A potência dos seres irracionais (ou inanimados) e dos seres racionais Todas as formas de conhecimento produtivas são estritamente potência, devido ao seu caráter gerador podendo gerar até mesmo movimentos ou mudanças opostas, e isso exige uma potência; podem o conhecimento produtivo gerar mudança tanto em outro ser como no próprio indivíduo. As potências racionais possuem um duplo caráter e, isto significa a capacidade de produzir efeitos contrários. Por outro lado, as potências irracionais podem produzir um efeito apenas, por exemplo: O calor só e capaz de aquecer enquanto a arte médica tanto pode produzir a doença quanto a saúde. (ARISTÓTELES. 1969). Assim, devido à medicina ser produto da razão, ela tanto pode gerar um efeito quanto pode gerar o seu contrário; a razão explica ambos os efeitos. Não obstante a ciência procura o efeito positivo, destarte, o efeito contrário é mais contingente do que intencional – podendo também ser explicada pela ciência; ela trata de ambos os efeitos, porém, o seu objetivo é o efeito positivo sendo este a razão de sua existência. As potências racionais podem produzir efeitos contrários e não os fazendo ao mesmo tempo; isto significa ser impossível essa duplicidade de efeitos ao mesmo tempo. Por isso, devendo haver uma vontade ou desejo nos seres animados decidindo qual efeito ocorrer e no momento apropriado à devida potência. As potências racionais podem residir nos seres animados enquanto que as irracionais existem também nos seres inanimados, e isto indica existir nos seres inanimados tanto uma potência passiva que, significa a capacidade de dinamismo, ou, como potência ativa, a capacidade de produzir movimento. É estritamente necessário um não-impedimento, isto é, a inexistência de obstáculos para que uma potência racional chegue ao ato.
Possibilidade, impossibilidade e falsidade A possibilidade de algo chegar a se concluir, pressupõe que já existe ou já existiu, e, portanto, exclui sua impossibilidade. Impossibilidade pressupõe incapacidade de a potência realizar-se em ato, ou mesmo, um equivoco de entendimento da correspondente potência. Por exemplo: é impossível que uma ave sem a “capacidade” de voar e, devendo por natureza voar, voe. Essa falta de capacidade torna impossível o ato de voar. O falso diz respeito a uma possibilidade onde há necessariamente a capacidade, porém, não há o ato concretizado. “É falso que estejas de pé neste momento, porém não é impossível”. (ARISTÓTELES. 1969). Há uma ligação necessária de possibilidade entre uma coisa em potência e ela em ato. A existência de A implica a existência de B, a possibilidade de A também implica a possibilidade de B. Também se aplica à realidade, pois, se A é real B também deverá ser. Desse modo, havendo a impossibilidade do primeiro, o segundo também deverá ser impossível. Portanto, só há impossibilidade de inexistência quando é impossível a existência da potencialidade
A anterioridade do ato à potência e o primeiro motor O ato é anterior à potência, pois, os seres que agora existem possuem forma, e sua potência não possuem a mesma forma do sujeito que há de vir. Os seres existentes são anteriores as suas respectivas potências, o homem que agora existe é anterior ao menino, porque do homem é “produzido” o menino; a árvore é anterior à semente, porque somente do fruto da árvore é possível haver a semente. Portanto, necessita da ação do ser que existe em ato para que ocorra o nascimento do ser em potência e este se concretize em ato. Há sempre uma anterioridade em ato (esta anterioridade chamada de primeiro motor) para que seja produzido o movimento e a consecução do ato. Este é por assim dizer, ato puro (REALE, Giovanni. 2001). A identidade e essência dos seres permanecem contidas nos seres em ato, pois, as coisas em potência tornam-se especificas e com identidade. O desenvolvimento não é contingente, mas com direção definida por um impulso proveniente da própria natureza e da própria estrutura do ser; a feia lagarta, no casulo, não se torna outra coisa a não ser borboleta, o ato é anterior ao seu desenvolvimento predefinindo mesmo enquanto potência o que se tornará em ato e, deste modo, dando-lhe identidade. A forma e a substância como exemplificadas são atos e, indubitavelmente, é substancial a prioridade do ato á potência. Os seres em potência movimentam-se por um impulso de outros em ato, e estes seres em ato também são impulsionados por outros seres também em ato, sempre havendo um impulso anterior até que, cheguemos ao primeiro impulso ou primeiro motor, causa final da natureza - primum móbile immotum (DURANT, Will. 1958). É este primeiro motor interpretado pelo cristianismo como sendo Deus. Este “Deus” movimenta o mundo, é a finalidade das coisas, o principio da vida.
A potência e o ato das coisas inexistentes Na concepção aristotélica, as coisas irreais não são passiveis de tornarem-se ato, pois, “ato” pressupõe-se uma “realidade integral” (ARISTÓTELES. 1969). O ato é uma pressuposição de movimento e, isso equivale dizer que sem o movimento não se pode chegar ao ato. O movimento não é atribuído aos seres inexistentes, pois, tendo em vista que, deles se podem dizer objetos de reflexão e mesmo de desejo (ARISTÓTELES. 1969), todavia não podem mover-se porque não existem em ato condição necessárias para haver o movimento e serem movidos. Somente pode-se afirmar que existem em potencia, mas não em ato, porque isso significa uma existência real – a “realidade integral”. Diferente de seu mestre Platão, Aristóteles acreditava que as coisas do mundo real são por si perfeitas, assim sua interpretação do mundo é imanentista. Não havendo, dessa forma, um mundo perfeito das idéias independente do tempo e espaço material (transcendental), difere da concepção Platônica. Destarte, para Aristóteles apenas o mundo real e sensível - este que vivemos – seria o mundo real, não havendo nada além deste. Como conseqüência tudo que podemos compreender através da intelecção é uma abstração deste mundo real. Cabe dessa forma o questionamento, tentando ir mais além de Aristóteles: dos seres objetos da reflexão e do desejo é possível chegarem ao ato? Aristóteles esquivou-se a essa questão? Refletir sobre algo se pressupõe um fim, da mesma maneira desejar algo, pressupõe-se também que esse desejo, deseja algo tendo em vista um fim, nada nas coisas mesmo conceituais são sem um fim determinado, pois, são produtos dos sujeitos que abstraem, e estes indivíduos que abstraem subprodutos de outras coisas maiores até chegar-se ao menor conceito, à essência universal. Tudo se relaciona a algo e muitas são funções de algo. Por isso, as coisas inexistentes podem dir-se-á chegar ao ato, porém, sempre que produto de outras “coisas”: o desejo de comer é ato quando se concretiza o alimentar-se, dessa forma o ato é o alimentar quando concretizado. Todavia, é por demais complexo tentar delimitar e, sobretudo, compreender quando um desejo é ato ou apenas potência e em que ponto é um ou outro, porque é sempre potência-ato, isto é, possui um fim determinado e está em estado de ato quando atinge a consciência. “Ter” um desejo é ato tendo em vista uma necessidade, mesmo ela fisiológica, entretanto, essa necessidade é anterior ao desejo ou a necessidade e desejos constituem dois atos? Ou o desejo é intrínseco e básico não precisando da necessidade de fato? Dessa forma a necessidade seria o ato? Tem-se antes o primeiro ou o segundo? Talvez seja uma resposta que não cabe aqui, porque poderia até mesmo constituir uma fuga da metafísica de Aristóteles. Questão mais simples de desenvolver concerne às abstrações simples, estas diversas aos desejos, pois os desejos “compreendem-se de dentro pra fora”, as abstrações a partir das percepções, porém considerando as expectativas predecessores dessa reflexão. Só é possível haver a abstração do que já é ato, do que se percebe como ato? Ou abstraímos os atributos enquanto potência apenas? Esses atributos do sujeito no momento abstrativo são abstraídos enquanto potência-ato? Só se prever em base a outras “potências-ato”. Só há abstração de atributos em um instante podendo ser ele potência ou ato e, a intelecção faz todo o processo restante de ligação de causa e efeito compreendendo a potência que se tornou ato. Por exemplo: quando se faz a abstração de um conceito como à beleza, há várias formas de dizer o que é a beleza, há a beleza branca, oriental, negra, beleza da vida e etc. Todavia, é um conceito em ato e que, possuem uma determinada potência. É possível abstrair o conceito de beleza jovem, mas isto significa que é ato, porém, potência da velhice.
Para além de Aristóteles: As coisas em ato são necessárias? As coisas em ato se realizam com a necessária condição e, aqui, no sentido lógico excluindo qualquer forma diversa ou mesmo contraditória de realização, ou seja, apenas só é possível sua realização no momento certo e não podendo haver uma terceira possibilidade, pois, os objetos da realidade agora em ato, são necessários, possuem identidade e completam a realidade, de outra maneira não poderiam ser dados factuais em ato, porquanto só se possuem caráter probabilístico e de possibilidade as coisas que ainda são potências. Todas as coisas são ao mesmo tempo ato e potência, porém, existem em potência enquanto previsão ou capacidade e em ato enquanto realização. Não se pode conhecer a realidade como é conhecida se as coisas que agora existem não estivessem onde estão, e isso pressupõe uma necessidade de existência dessas “coisas” para a completude da realidade, assim, uma coisa em ato e plenitude seria impossível afirmar que poderia ser diferente, levando em conta que, não é possível conhecer as leis essenciais do universo que torna uma coisa tal como ela é e não de maneira diversa: essas leis são supra-sensíveis. Esse é o limite da inteligência, não se pode retornar com a razão ao passado de modo a reverter o processo desencadeador e compreender se determinado objeto poderia ser diverso. Os objetos da realidade que agora são ato estão sendo em plenitude, é também potência de outra, porém, enquanto potência em possibilidade e contingência. As coisas que são possíveis existem em previsão. Possível é: que pode ser ou praticar-se. Por outro lado, uma coisa em ato possui identidade e isso significa que é ela mesma e o é em plenitude e, sobretudo, necessidade de ser.
Paradoxo do viajante do tempo Utilizando do paradoxo do viajante do tempo, é possível entender mais claramente a idéia do parágrafo supracitado e abrir uma questão epistemológica. Pois bem, é popular nos filmes de ficção científica em que o tema principal é a viagem no tempo, o personagem principal se mostrar temeroso por conta do risco de não vier a “existir no futuro”, pois um evento põe em risco sua própria concepção e a possibilidade de existir. Não obstante, ocasiona um paradoxo por demais interessante que, inclusive, põe em questão até mesmo a possibilidade de viagem no tempo: Se o personagem existe no presente e em plenitude, mesmo que este faça uma viagem ao suposto passado, este suposto passado se torna presente, pois passa a existe em plenitude e ele, o personagem completa a realidade. Agora, cabe-nos uma questão epistemológica que muito nos ajuda na compreensão de ato e potência: para o espectador há a idéia de que o personagem está no passado, entretanto, se verdadeiramente fosse possível a viagem no tempo, para o homem que estivesse no passado esse passado causar-lhe-ia uma confusão tremenda, pois também seria presente, porquanto passado presente e futuro é meramente psicológico, produto de uma mera abstração. Considerando o caráter meramente psicológico da temporalidade, na memória do viajante do tempo haveria uma confusão tremenda entre passado, presente e futuro, a única distinção entre passado presente e futuro se daria por conta de mera “crença”, pois a razão não lhe auxiliaria na distinção entre o que é de fato passado, presente e futuro. Assim, passado e futuro se tratam de uma forma de conceito a priori para o conhecimento do mundo: ligação de causa e efeito; mera criação de causa para explicar determinado efeito. Desse modo, existem apenas “tempos” fragmentados de potência; seriam, por assim dizer, apenas previsões psicológicas, meras abstrações de fenômenos de passagem de tempo, havendo unicamente o ato estacionado sem nenhuma causa conhecida e nenhuma potência anterior, caindo então às verdadeiras razões de ser das coisas e sua potência em pura vacuidade.
Considerações finais O conceito de ato e potência de Aristóteles permite compreender como os seres passam de um estado á outro. Mesmo assim, a identidade dos seres não é suprimida; ela se acentua nesse processo de transformação; os seres se revelam nesse processo. A “capacidade” de um ser gerar movimento ou de ser capaz de ser movimentado revela característica positivas ou negativa do ser enquanto potência. “Os seres são potência e ato, é potência enquanto possibilidade e ato enquanto realização; somente o primum móbile immotum –” Deus “(segundo os cristãos) não possui potência, sendo actus purus, primeiro motor. As potências dos seres racionais são as únicas que possuem em si capacidade de causar dois efeitos, sendo o efeito positivo o naturalmente desejado e o efeito contrário, um efeito mais contingente, não obstante, a ciência pode explicar os dois efeitos de sua potência. Da mesma forma não acontece com as potências dos seres inanimados possuindo apenas um efeito proveniente de sua potência e, desse modo, sua potência é direcionada a um único fim.
Referências bibliográficas. ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. Leonel Vallandro. Porto Alegre: Globo, 1969. DURANT, Will. . Os Grandes filósofos - Aristóteles. Trad. Miranda. Rio de Janeiro: Tecnoprint LTDA, 1958. HEIDEGGER, Martin. Aristotle`s Metaphysics. Trad. Walter Brogan e Peter Warnek Bloomington & Indianapolis: Indiana University Press, 1995. HEIDEGGER, Martin. Ser e Verdade. Trad. Emmanuel Carneiro Leão. Bragança Paulista/ Petrópolis: Vozes, 2007. REALE, Giovanni. Aristóteles Metafísica. Trad. Marcelo Perini São Paulo: Loyola, 2001.
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