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História - 10º ano

Alargamento da Compreensão da Natureza

Autor: Catarina Viegas

Escola Secundária

Data de Publicação: 18/06/2006

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Alargamento da compreensão da natureza

 

Sistema Geocêntrico e Sistema Heliocêntrico

 

O renovado interesse pela Natureza e pela vida quotidiana que caracterizou o início dos tempos modernos influenciou a formação de uma nova mentalidade, mais técnicas e utilitária, mais racional e rigorosa.

Na origem e no desenvolvimento desta nova atitude mental estão três fenómenos marcantes: o movimento das Descobertas, com a necessidade de compreender e encontrar respostas para os novos problemas; a progressiva afirmação do Estado moderno, centralizado e burocratizado, com novas necessidades, como a inventariação dos recursos humanos (exércitos, quadros administrativos); o incremento da actividade mercantil e das técnicas comerciais e bancárias e de contabilidade que lhe estão associadas. O estado e a sociedade são assim levados a calcular, a valorizar o rigor e a quantificação, contribuindo, deste modo, para a progressiva afirmação de uma mentalidade virada para o número, para a medida, para uma mentalidade quantitativa.

Tudo é mensurável, tudo é quantificável, até o próprio tempo.

 

 

A revolução coperniciana

 

O universo medieval é o de Aristóteles e de Ptolomeu, um universo fechado e finito, todo ele contido no interior da esfera que se julgava envolver as estrelas fixas, formado por duas partes diferentes: o mundo celeste e o mundo sublunar. O primeiro era constituído pelo éter, essência incorruptível na qual se encontravam mergulhados os astros, arrastados por esferas concêntricas invisíveis que os faziam descrever, eternamente, as suas trajectórias circulares. Pelo contrário, o mundo sublunar era um mundo instável, sempre em transformação, resultado da combinação dos quatro elementos primordiais: terra, água, ar e fogo.

Foi com o astrónomo polaco Nicolau Copérnico (1473-1543) que se iniciou a revolução que viria a alterar por completo a concepção que os europeus tinham do mundo. Na sua obra De revolutionibus orbium coelestium (1543), dedicada ao Papa Paulo III, o universo é descrito como um espaço geometrizado, limitado por uma esfera celeste imóvel em cujo centro se encontra o Sol. A terra e os demais planetas e estelas moviam-se em seu redor (heliocentrismo).

Embora alguns destes pressupostos estivessem errados (conservou a a noção falsa do sistema de Ptolomeu, segundo o qual as orbitas dos planetas seriam circulares), Copérnico conseguiu dar resposta às objecções daqueles que recusavam o movimento da Terra.

Copérnico não concebeu a noção de um espaço infinito, mas defendeu a ideia de um universo muito mais vasto que o Ptolomeu.

O sistema heliocêntrico coperniciano foi considerado herético e moralmente errado pelas autoridades eclesiásticas.

 

Cláudio Ptolomeu. Não nenhum conhecimento de algum registo biográfico deste grande astrónomo, supõe-se que tenha vivido em Canope, a ocidente e junto do grandioso Nilo. Isto é o que leva a crer pela inscrição que se encontra num manuscrito que remonta ao décimo ano Antonino (147-148), embora as suas observações astronómicas descritas nas suas obras tenham sido efectuadas entre 26 de Março de 127 e 2 de Fevereiro de 141.

Ptolomeu deduziu que a Terra era o corpo supremo e que se mantinha estacionário no centro do Universo. Á volta da Terra então girava o Sol e a Lua e mais os cinco planetas visíveis; Mercúrio, Vénus, Marte Júpiter e Saturno.

O universo ptolomaico. O universo é limitado e esférico. O seu centro é a terra, plana e imóvel, em redor da qual giram os restantes astros.   O universo segundo Copérnico. O Sol ocupa o centro e os planetas movem-se em órbitas circulares.

 

O sistema geocêntrico, foi exposto por Ptolomeu no século II, que afirmava que a Terra era o centro do Universo, enquanto o sistema heliocêntrico foi exposto por Copérnico, segundo o qual o Sol era uma estrela fixa, à volta do qual giravam a Terra e os outros planetas.

 

 

Experiência e Razão

 

Não só se encontrava no centro das preocupações renascentistas: também a Natureza era objecto de conhecimento. O Homem ideal seria aquele que buscasse a compreensão e o domínio do Homem e da Natureza através das artes, mas também das ciências, numa crença nas capacidades da razão humana para decifrar os enigmas do mundo. O saber renascentista assentava assim numa mentalidade racionalista, ou seja, só se considerava válido o conhecimento que, comprovado pela observação e pela experiência, pudesse ser explicado de forma racional e inteligível. 

 

 

Observação e descrição da Natureza

 

O surto das descobertas nos séculos XV e XVI transformou radicalmente a imagem que o Ocidente Europeu tinha do Mundo.

Os Europeus conheciam muito pouco dos outros mundos e tinham deles imagens que a abertura planetária iniciada pelos Portugueses veio demonstrar serem erradas. Narrativas fantásticas relacionadas com a Africa e o Oriente povoavam as imaginações; algumas vinham da Antiguidade, outras tiveram a sua origem no próprio Cristianismo, como omito do Preste João, soberano cristão, cuja existência aparece mencionada pela primeira vez em 1145, e que se acreditava poder ser um aliado poderoso na luta contra o Islão. Sobre o Oceano diziam-se também coisas admiráveis: que havia “pedras-íman” fatais para os navios porque estes se desconjuntavam, visto que os pregos lhe saltavam dos cascos; sereias encantadas e peixes gigantescos, inimigos mortais dos marinheiros; que o mar era cada vez mais quente à medida que se ia navegando para Sul e que entrava em ebulição por alturas do Equador. Além disso, acreditava-se que a Terra era achatada como um disco, facto que levantaria sérios problemas àqueles que se aventurassem até aos seus limites.

Estas e outras fábulas acabaram por ser desmistificadas pelos Portugueses através de um saber fundamentado na “experiência” (não na “experimentação”), isto é, na vivência das coisas. Foi através deste experiencialismo que os nossos marinheiros deram a conhecer ao mundo algumas novidades que contrariavam muito do saber herdado e há muito estabelecido, provocando:

  • A habitabilidade da zona equatorial;

  • A comunicabilidade entre os hemisférios Norte e Sul;

  • A ligação entre os oceanos Atlântico e Índico;

  • A descoberta de uma nova parte do Mundo (o Continente Americano);

  • A esfericidade da Terra, já defendida pelos Gregos, mas contestada maioritariamente na época medieval.

 

O contributo dos Portugueses para uma nova visão do Mundo e da Natureza é essencialmente informativo e empírico. Com efeito se, como escreve Pedro Nunes, “os descobrimentos de costas, ilhas e terras firmes não se fizeram indo a acertar”e que os nossos marinheiros “levavam cartas muito particularmente rumadas e não já as que os antigos levavam”, a verdade é que a reduzida preparação intelectual e cientifica dos navegadores não lhe permitia ir além da simples observação das coisas através dos sentidos, como refere o grande Luís de Camões quando escreve: os casos vi que os rudes marinheiros, / que têm por mestra a longa experiência, / contam por certos e sempre verdadeiros, /julgando as cousas só pela aparência;” (Os lusíadas V.17). É esta convicção enraizada no espírito dos Portugueses pelas Descobertas que encoraja o poeta a desafiar os sábios da Escritura.

É verdade que nalguns espíritos mais cultos da época se constata a preocupação de procurar um conhecimento racional e, portanto, cientifico da realidade observada. É o caso de Duarte Pacheco Pereira (1460-1533), reconhecido geógrafo e cosmógrafo, autor de Esmeraldo de situ Orbis que, para além de manifestar um claro interesse pela análise objectiva dos fenómenos da Natureza, procura igualmente a explicação lógica desses fenómenos. Também Garcia de Orta (1501-1568), nos seus Cológuios…, depois de registar as qualidades das drogas indianas que observou durante a sua estada no Oriente, confronta as suas impressões com as descrições que delas fazem os textos antigos e conclui que esses textos se encontravam profundamente errados.

O critério é ainda e sempre a “experiência”, “madre das cousas”, fonte da verdade, do saber verdadeiro.

Contudo, apesar de os referidos Duarte Pacheco, Garcia de Orta e outros homens da ciência, nos quais devemos incluir também Pedro Nunes (1502-1578), que fez importantes estudos nos domínios da astronomia e da matemática, e Amato Lusitano (1511-68), que contribuiu para o avanço da medicina e deixou uma significativa obra nos domínios da botânica e da zoologia, terem procurado ir além da abordagem empírico-sensorial dos fenómenos observados, a verdade é que o seu racionalismo critico-experiencial não chegou a traduzir-se numa atitude cientifica sistemática.

Mais importante do que esta controvérsia filosófico-cientifica em torno dos fundamentos e das vias do saber, importa salientar o contributo decisivo dos Portugueses de Quatrocentos para uma nova visão do Mundo e da Natureza, sobretudo a demonstração de que não há bestas nem monstros humanos, que a natureza do género humano é una, também que não há povos nem civilizações infra-humanos, pelo que todos têm o direito à diferença.

 

 

O Contributo Português:

Inovação técnica; observação e descrição da natureza

 

O início dos tempos modernos ficou marcado não só pelas inovações do pensamento e valores mas também por um conjunto de progressos ao nível das técnicas. Esquecido ou posto em segundo plano desde a Antiguidade, o saber técnico ocupa agora um lugar importante, mobilizando o interesse das elites europeias. As inovações técnicas dão ao homem uma maior capacidade de domínio sobre a natureza, permitindo-lhe melhorar as condições de existência e realizar a fantástica aventura de rasgar oceanos desconhecidos.

As grandes descobertas dos séculos XV e XVI não teriam sido possíveis sem alguns dos progressos técnicos, em particular no domínio da arte de marear, que ocorreram antes e em paralelo com o surto da expansão ultramarina iniciada por Portugal em Quatrocentos. A navegação atlântica bem distinta da do Mediterrânico, levantava novos e complexos problemas: a força e a irregularidade dos ventos, das correntes e das marés, o desconhecimento da configuração das costas e a inexistência de traçados das rotas, a falta de referencias visuais no alto mar e as constantes variações dos campos magnéticos, em consequência do alongamento do atlântico para latitudes muito diferentes, exigiam respostas técnicas adequadas e eficazes.

Por isso, os Portugueses tiveram de mostrar uma grande capacidade de adaptação, utilização e transformação criativas do saber tradicional (cosmógrafos, matemáticos e astrónomos) e do saber “vivido” na pratica quotidiana pelos nossos navegadores para se apetrecharem com os meios técnicos necessários à superação das dificuldades no cruzamento do Atlântico:

  • A utilização da caravela, embarcação extraordinariamente móvel, de casco alongado e resistente e com velas triangulares que permitiam navegar à bolina, isto é, conjugando a navegação em ziguezague com os movimentos das velas, de forma a poder avançar com ventos desfavoráveis;

  • A descoberta dos ventos alísios, a obra dos Portugueses, fundamentalmente para a facilidade e a segurança das viagens no Atlântico;

  • O aperfeiçoamento dos métodos de calculo da latitude;

  • A adaptação criativa do astrolábio náutico e da carta plana quadrada e o aperfeiçoamento de alguns instrumentos de navegação, como a balestilha e o quadrante, ambos herança do mundo árabe, utilizados para ler a altura dos astros e, consequentemente, para determinar as latitudes;

  • A elaboração de roteiros com a descrição minuciosa das costas e dos seus acidentes e a indicação dos perigos a evitar e da extensão dos rumos entre as escalas, guias náuticas, livros de marinharia, regimentos, tábuas solares e outros.

 

Caravela Portuguesa (Sec. XV)

Astrolábio náutico, instrumento essencial para a navegação astronómica no Atlântico

 

 

Os progressos da Cartografia

 

Até ao início do século XV, aos Europeus que navegavam no Mar Mediterrâneo e que o conheciam pormenorizadamente era-lhes suficiente o uso da bússola e dos roteiros ou portulanos, cuja tradição vinha da Antiguidade. Os portulanos eram cartas geográficas que indicavam os lugares de partida e de chegada de cada viagem, bem como o rumo magnético a seguir, os contornos das costas e os nomes dos portos.

Ao aventurarem-se na navegação atlântica que levantava problemas novos, os marinheiros portugueses tiveram necessidade de enriquecer as técnicas existentes e, ao mesmo tempo, de por em causa cartografia tradicional. Terá sido sobre o impulso de cartógrafos maiorquinos, nomeadamente de mestre Jaime, que em Portugal se começaram a preparar os cartógrafos que conceberam as cartas de marear onde aparecem representadas as áreas e as rotas que ião sendo descobertas. As duas cartas mais antigas feitas em Portugal que se comecem datam do último quartel do século XV: uma, a de Módena, apresenta a representação da costa Africana até ao rio do Lago; a outra, a de Pedro Reinel (C.1485), até à foz do rio Congo. Pelo estilo e pela técnica, embora sejam ainda do tipo rumo e estima (para o calculo das distancias), estas cartas diferem já das catalãs e das italianas, que continuam as técnicas dos portulanos tradicionais.

No último quartel do século XV, o recurso à navegação astronómica no Atlântico implicou o aparecimento das escalas de latitudes nas cartas náuticas. Inovação exclusivamente portuguesa, a escala levou à criação de um novo tipo de carta, em projecção cilíndrica quadrada, cujo exemplar mais antigo é o planisfério de Cantino, datado de 1502, no qual aparece já a representação do equador e dos trópicos. Outra característica da cartografia portuguesa é a inclusão dos diversos elementos cosmográficos e de regimentos náuticos, aspecto que não se encontra na cartografia estrangeira da época. Também em termos estilísticos, os Portugueses introduziram várias inovações, sendo a mais conhecida e que depois se universalizou a flor-de-lis, como símbolo do Norte.

Em suma, a revolução operada pelos descobrimentos Portugueses no conhecimento do globo e na sua representação, influenciou toda a cartografia europeia do século XVI e deu uma grande notoriedade aos nossos cartógrafos.

Mapa do Arquipélago dos Açores de Luís Teixeira -1584 (P.M.C. vol. III est.. 362 A) reproduzida da obra Os Descobrimentos Portugueses, de Luís de Albuquerque, pág. 27.

 

 

Planisfério de Cantino, de 1502 (Módena, Biblioteca Estense). Inovação exclusivamente Portuguesa, introdução de escala de latitudes na navegação astronómica levou à criação de um novo tipo de carta, em projecção cilíndrica quadrada, de que este planisfério é o exemplar mais antigo que se conhece.

 

 

Principais astrónomos dos Séculos XV-XVII

 

Nicolau Copérnico foi um astrónomo polaco com vários nomes, como Nikolaj Kopernik, ou Nicolai Copernici, nascido em Torun, a 19 de Fevereiro de 1473, morreu em Frauenburg a 24 de Maio de 1543.

Sabe-se que Nicolau Copérnico recebeu as suas ordens sacras em 1496 indo depois estudar nas Universidades de Cracóvia, de Bolonha e de Pádua conseguindo a seu doutoramento em Ferrara, em Maio de 1502. Mais tarde, em Bolonha, começou a dedicar-se à observação astronómica na companhia de Domingos Maria Navarra alargando os seus poucos conhecimentos de matemática. Para variar estudou Medicina e entre 1500 e 1510 traçou as linhas do seu chamado Sistema Coperniciano.

Então na próxima década, demonstrou a superioridade do sistema heliocêntrico (em que o Sol estaria no centro do Universo, imóvel, e todos os outros planetas a girarem à sua volta, considerando a Lua como um satélite da Terra) comparando-o ao sistema até à data utilizado que era o sistema geocêntrico, com a Terra imóvel no centro do Universo.

Sem muita pressa e sem instrumentos aperfeiçoados seguiu os planetas e suas trajectórias durante um longo período, em que as inexactidões mais pequenas não contavam tentando provar a sua teoria do Sistema Coperniciano, construiu as tábuas astronómicas de acordo com cálculos e as suas observações astronómicas.

Ao terminar a sua obra, em 1530, passou o Comentariolus a colegas seus que o encorajaram a imprimir a sua obra, mas não teve pressa nenhuma de publicá-la devido, por alguns, com medo da Igreja, e por outros, medo da reacção do público, tendo guardado mais de dez anos a obra para si.

O primeiro exemplar de seu livro chegou às suas mãos no dia da sua morte. Poucas horas antes de falecer, teve a satisfação de ver a sua obra publicada, que apenas em 1616 foi proibido o seu ensino, mas já demasiado tarde para parar a revolução do sistema heliocêntrico.

 

Tycho Brahe nasceu em 14 de Dezembro de 1546 na cidade de Skane, Dinamarca. Primogénito de uma família nobre, foi criado pelo tio, do qual também herdaria grande fortuna. Ainda muito jovem foi estudar Direito e Filosofia na Universidade de Copenhague. Foi quando presenciou um eclipse parcial do Sol e ficou impressionado com a precisão da previsão matemática do fenómeno.

O facto de que o movimento dos astros poderia ser tão bem determinado, a ponto de sabermos suas posições relativas num dado momento, entusiasmou Tycho. Com apenas 16 anos seu tio o mandou para Leipzig, na Alemanha, para continuar seus estudos de direito. Mas já era tarde. Tycho estava maravilhado pela Astronomia. Comprava livros, instrumentos e passava a noite observando o céu.

Uma noite em 17 de Agosto de 1563, descobriu que as efemérides de sua época estavam erradas em vários dias na previsão de uma aproximação aparente entre Júpiter e Saturno. Assim, decidiu ele mesmo compilar tabelas mais acuradas a partir de observações sistemáticas e mais precisas das posições dos planetas por um longo período de tempo.

No dia 11 de Novembro de 1572 Tyhco teria o privilégio de contemplar um evento celeste que o deixaria ainda mais maravilhado: a explosão de uma supernova, uma estrela de grande massa que ao morrer emite um pulso de luz de curta duração (em comparação com seu tempo de brilho), porém de grande intensidade. Maior que o brilho de todas as estrelas da galáxia juntas.

A nova estrela que Tycho viu, estava na constelação de Cassiopéia e era mais brilhante que o planeta Vénus. Na verdade ela pôde ser observada em plena luz do dia, por longos 18 meses. Na época desconhecia-se a natureza do fenómeno, e para Tycho a pergunta era se a nova estrela estava na alta atmosfera da Terra, mais perto que a Lua, ou se ainda mais longe, e assim contradizendo o dogma do grego Aristóteles, largamente aceito pelos cristãos, de que a esfera celeste era imutável.

SEMPRE OBCECADO PELA PRECISÃO em suas observações, nessa altura da vida Tycho já estava construindo muitos de seus próprios instrumentos, entre eles um sectante com braços de quase dois metros cada, muito mais preciso do que qualquer outro já construído.

Com ele Tycho demonstraria que a nova estrela se movia menos que a Lua ou os planetas em relação às “estrelas fixas”, estando, portanto na esfera das estrelas.

A fama de Tycho se espalharia por toda a Europa, a ponto do rei Frederico II, oferecer-lhe uma ilha de presente, perto do castelo de Hamlet, em Elsinore.

A própria Dinamarca pagaria pela construção de um observatório para Tycho, e as cerca de 40 famílias, habitantes da ilha, se tornariam seus súbditos. Ali Tycho construiu o seu “Castelo dos Céu”, com um aparato de observação simplesmente incomparável e seu tempo.

Tycho media o tempo utilizando diversos tipos de relógios, como clepsidras, (baseadas no escorrimento da água), ampulhetas de areia, velas graduadas e semelhantes. Um observador e um marcador de tempo trabalhavam juntos. Contando sempre com assistentes, ele conseguiu reduzir a imprecisão das medidas de 10 minutos de arco (desde o tempo de Ptolomeu) para apenas um minuto de arco.

 

Para Tycho todos os planetas, menos a Terra, giravam em torno do Sol

Tycho foi o primeiro astrónomo a calibrar e medir a precisão de seus instrumentos periodicamente, corrigindo as observações por refracção atmosférica. Suas observações eram diárias, e não somente quando os astros estavam em configurações mais atraentes. Com isso descobriu anomalias orbitais dos planetas até então desconhecidas.

Observou minuciosamente a aparição de um cometa em 1577, e posteriormente demonstrou que o objecto se movia entre as “esferas dos planetas” e não dentro da atmosfera da Terra, como se pensava na época. Mais uma vez Tycho percebia que o céu não era imutável, como na concepção greco-cristã. Graças a ele os cometas passariam a categoria de objectos celestes.

EM 1588 O REI FREDERICO II FALECEU. Tycho foi desatencioso com o novo rei, Christian IV, e com os nobres da corte. Isso lhe custou uma drástica redução em seus rendimento até que, em 1597, Tycho deixou a Dinamarca com todos seus equipamentos, mudando-se para Praga. Ali, no ano de 1599, o Imperador Rudolph II o nomeou matemático imperial e em 1600 Tycho contratou o alemão Johannes Kepler (1571-1630) para ajudá-lo.

Para Tycho todos os planetas, menos a Terra, giravam em torno do Sol – e o Sol e a Lua giravam em torno da Terra. Com tal sistema, o astrónomo dinamarquês imaginou ser possível formular um modelo melhor que o de Nicolau Copérnico (1473-1543). Mas ele morreria antes de tentar comprovar sua teoria.

Copérnico não baseou suas conclusões em sólidos argumentos científicos, mas em considerações de cunho filosófico. Não obstante, suas ideias surgiram no momento certo, pois em pouco tempo três personagens, com base em estudos cuidadosos sobre os corpos celestes, selaram o triunfo do sistema heliocêntrico.

Eram eles: Tycho Brahe, Johannes Kepler e Galileo Galilei. O papel do astrónomo dinamarquês Tycho Brahe foi de fundamental importância, embora o sistema por ele elaborado, uma espécie de híbrido entre os sistemas ptolomaico e coperniciano, estivesse destinado ao fracasso.

Tycho era um magnífico observador e em sua ilha dinamarquesa de Hven dispunha de instrumentos de excepcional precisão para a época. Graças a essa refinada aparelhagem, obteve uma enorme quantidade de dados sobre os movimentos planetários.

Assim mesmo, as medições que Tycho Brahe deixou eram tantas e tão precisas que Kepler as usou para formular as Leis do Movimento Planetário. Kepler conseguiu interpretar correctamente o movimento orbital de Marte, e daí conseguiu deduzir que todos os planetas (inclusive a Terra) giravam em torno do Sol e que suas órbitas não eram circulares, mas elípticas.

Tycho faleceu no dia 24 de Outubro de 1601. Seus restos mortais estão na Igreja Tyn, em Praga.

O observatório da ilha de Hven, onde Tycho Brahe fez as observações que posteriormente Kepler usou para formular as leis que descrevem o movimento dos planetas em torno do Sol.

 

 

Galileu Galilei (Pisa, 15 de Fevereiro de 1564 - Florença, 8 de Janeiro de 1642) foi um notável físico, matemático e astrónomo italiano. É considerado um dos maiores génios da história da humanidade, como Leonardo da Vinci, Isaac Newton e Albert Einstein, tendo seu QI estimado em cerca de 240.

Filho do compositor toscano Vincenzo Galilei, na mocidade dedicou-se às letras, escrevendo sobre Dante e Tasso. Descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da Inércia. Por pouco Galileu não seguiu a carreira artística. Um de seus primeiros mestres, Orazio Morandi, tentou estimulá-lo a partir da coincidência de datas com Michel angelo (que havia morrido três dias depois de seu nascimento). O seu pai queria que fosse médico, então desembarcou no porto de Pisa para seguir essa profissão. Mas era um péssimo aluno e só pensava em fazer experiências físicas (que, na época, era considerada uma ciência de sonhadores).

Foi nessa época que descobriu como fazer a balança hidrostática, que originaria o relógio de pêndulo. Tendo sabido da construção do primeiro telescópio, na Holanda, a partir de um folheto, construiu, em 1609, em Veneza a primeira luneta astronómica e fez com ela observações astronómicas: a composição estelar da Via Láctea a partir de 1610, os satélites de Júpiter, os “braços” de Saturno (não chegou a discernir os anéis), as manchas do Sol e as fases de Venus. Todas essas descobertas foram comunicadas ao mundo no livro Sidereus nuntius (Mensageiro das estrelas) em 1610. A observação das fases de Vénus, levaram-no a adaptar o sistema de Copérnico (Heliocêntrico).

Pressionado pela Igreja, foi para Florença, onde concluiu com seus estudos que o "Centro Planetário" era o Sol e não a Terra, essa girava ao redor dele como todos os planetas. Galileu foi chamado a Roma em 1611 para defender-se da acusação de heresia. Foi condenado, porém, em 1616, teve que assinar um decreto do Tribunal da Inquisição, declarando ser meramente hipotético o sistema heliocêntrico. Nessa declaração lê-se que os movimentos dos corpos no céu "já estavam descritos nos Salmos", no livro de Josua e em outras passagens da Bíblia. Por isso, Galilei deveria deixar estes temas para os pais da Igreja. Apesar das admoestações, encorajado pela entrada em funções em 1623 de um novo Papa Urbano VIII, um espírito mais progressivo e interessado nas ciências do que o seu predecessor, publicou nesse mesmo ano o Saggiatore (Experimentador) para combater a física aristotélica e estabelecer a matemática como fundamento das ciências exactas. No Diálogo dei massimi sistemi (Diálogo sobre os grandes sistemas do universo) em 1632, voltou a defender o sistema heliocêntrico. Colocou em discussão muitas ideias do filósofo grego Aristóteles, entre elas o facto de que os corpos pesados caem mais rápido que os leves, com a famosa história de que havia subido na torre de Pisa e lançado dois objectos do alto. Essa história nunca foi confirmada, mas Galileu provou que objectos leves e pesados caem com a mesma velocidade.

Galileu era católico fervoroso, mas viveu numa época atribulada na qual a Igreja Católica endurecia sua doutrina para fazer frente à Reforma Protestante. A prisão de Galileu tornou-se um exemplo muito citado da "luta entre fé e ciência". Enquanto que na Itália e nas zonas católicas seus livros eram proibidos, Galilei publicou sem qualquer problema nos Países Baixos, onde o protestantismo se tinha sobreposto ao catolicismo. Reza a lenda que, ao sair do tribunal após sua condenação, disse uma frase célebre: "Epur si Muove!", ou seja, "contudo, ela move-se", referindo-se à Terra. Passou os últimos anos de sua vida, retirado em sua vila, perto de Florença, escrevendo em 1634 Discorsi e dimonstrazioni matematiche in torno a due nuove scienze (Teorias e provas matemática sobre duas novas ciências), obra fundamental da dinâmica.

Morreu cego e condenado pela Igreja, longe do convívio público. Obras de Galileu foram censuradas e proibidas pela igreja católica romana. No entanto, Galileu conseguiu que uma de suas obras (sobre mecânica) posteriores à proibição fosse publicada em Leiden, actual Holanda, uma zona protestante, onde a Igreja Católica não tinha grande influência. 341 anos após a sua morte, em 1983, a mesma igreja, revendo o processo, decidiu pela sua absolvição.

Fólio de Galileu, onde retrata as fases da Lua

 

Johannes Kepler, vinte e seis anos depois da teoria coperniciana ter sido publicada, nascia em Weil der Sadt, Estugarda, um Astrónomo que iria mais tarde revolucionar de novo a Astronomia. Claro que primeiro estudou na Universidade de Tubinga, com uma bolsa de estudo autorizada pelo duque de Württemberg e obteu o seu diploma de magister artium aos 20 anos. Kepler, talvez por não gostar muito dos seus estudos sobre teologia, viria a preencher a vaga de um professor de matemática no ducado da Estíria, Graz, que morrera. Já aqui as suas funções consistiam na formulação de calendários com as previsões do tempo meteorológico e acontecimentos importantes. Logo no primeiro ano em 1595, Kepler previra a invasão turca e um Inverno muito severo, o que se realizou, dando-lhe assim grandes créditos.

Enquanto isto, Kepler trabalhava na sua primeira obra o «Mysterium Cosmographicum», em que os temas eram essencialmente a geometria euclidiana e as teorias de Copérnico.

Kepler com apenas 24 anos, pensou encontrar uma certa ligação entre os únicos sólidos geométricos euclidianos polígonos regulares, e os já 6 conhecidos planetas. Kepler então teorizou que os sólidos deviam de se encontrar no lugar das antigas esferas, entre as órbitas dos planetas. A alegada ligação era marcada pela razão de que, os vértices do sólido tocam a órbita do planeta mais externo, a do planeta mais interno é tangente aos centros dos seus lados. Esta prática viria mais tarde a permitir que Kepler chama-se a este processo de a «terceira lei», fixando assim as distâncias no sistema solar. Mais tarde em 1601 com trinta anos, Kepler foi nomeado de astrónomo imperial sucedendo ao anterior por morte. Assim descobriu o fenómeno da refracção atmosférica, pelo que começou a estudar uma ocular de lente biconvexa.

Em 1602 chegou à sua «segunda lei», área iguais descritas em tempos iguais pelos raios vectores dos planetas, ou seja as linhas de união de Sol-Planeta, estabelecendo que os planetas descreviam trajectórias orbitais elípticas. Estes resultados viria a publicá-los na obra «Astronomia Nova», junto com a hipótese de, a causa do movimento dos planetas estar relacionada com alguma acção do Sol, estando menos enérgico quanto mais longe estivesse o planeta. É claro que esta hipótese era de um certo modo revolucionária. Mais tarde em 1604 uma descreveu a famosa «supernova», cujos resíduos nebulosos ainda hoje podemos observar.

Kepler mudou-se para Linz por volta de 1612, e a partir daqui nunca mais parou de fazer viagens pela Europa, que nesta época estava muito atribulada pelas guerras religiosas. A sua obra de mais valor viria a chamar-se «Harmoníces Mundí», publicado em 1619, onde tentou demonstrar as correspondências harmoniosas nas velocidades planetárias e fazia aqui a descoberta das relações das velocidades mínimas e máximas que se podem expressar em números inteiros, como acontece na música.

Agora com 51 anos (1627) Kepler publicava as «Tabelas Rudolfinas», que Brahe lhe tinha pedido para completar 25 anos atrás. Kepler faleceu em 1630 com 59 anos, sem que a sua obra fosse reconhecida até então.

 

 

Glossário

 

Cartografia – ciência e arte de elaborar ou retocar cartas geográficas. A partir do último quartel do século XV, a navegação astronómica adoptada pelos Portugueses no Atlântico revolucionou a cartografia. Pelos novos conhecimentos sobre os mares e as terras e pelas técnicas mais rigorosas da representação desses mesmos dados.

Navegação astronómica – baseada na altura dos astros. Calculava-se através do recurso a instrumentos específicos (astrolábio, balestilha, regimentos, tábuas solares). Iniciada em meados do século XV, tornou-se indispensável para a navegação no Atlântico, já que, durante dias, apenas com o mar e o céu á vista, os pilotos tinham uma ideia pouco precisa do sítio onde se encontravam.

Experiencialismo – conhecimento das coisas adquirido pela prática e observação. Trata-se de uma atitude meramente empírica que poderíamos classificar de “pré-científica” para a distinguir do experimentalismo. Neste caso já existe uma atitude científica onde à observação se segue a racionalização e a experimentação.

Mentalidade quantitativa – atitude mental que se caracteriza pela valorização do número, do rigor, da medição.

Revolução coperniciana – revolução operada na astronomia por Nicolau Copérnico (1473-1543) que refutou a teoria geocêntrica do Universo defendida desde a Antiguidade, segundo o qual a Terra é o centro imóvel do Universo, contrapondo-lhe o heliocentrismo, teoria segundo a qual é a Terra que gira em volta do Sol, e não o inverso.

 

 

Bibliografia

 

Ribeiro Avelino e Cunha Mário, (2005), Caminhos da História, Lisboa, Edições Asa.

http://www.rnoa.rcts.pt

http://pt.wikipedia.org

http://www.zenite.nu

 

 

 

 

Catarina Viegas

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