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Apontamentos e Resumos

de História - 8º Ano

 

Expansão e Mudança nos sécs. XV e XVI

Autores: João Bastos

Escola: Escola Secundária de Arouca

Data de Publicação: 25/01/2012

Apresentação: Resumo/Apontamentos sobre a Expansão e Mudança nos sécs. XV e XVI (Expansionismo Europeu, Renascimento e Formação da Mentalidade Romana e Reforma Protestante), realizado no âmbito da disciplina de História (8º ano).

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Expansão e Mudança nos sécs. XV e XVI

O Expansionismo Europeu

A Europa no século XV

Depois da grave crise do séc. XIV a Europa no séc. XV entrou num período de recuperação económica. A população voltou a crescer, aumentou a produção agrícola e artesanal, desenvolveu-se o comércio. As principais áreas comerciais da Europa eram a Flandres e as cidades hanseáticas e os portos Mediterrâneo, com especial destaque para Génova e Veneza que se tornaram prósperas ao adquirir produtos como especiarias, perfumes e tecidos de luxo da Índia e da China através das rotas do Levante e vender a preços elevados já que esses produtos eram raros na Europa.

Na Europa do início do séc. XV, o conhecimento sobre o mundo era muito reduzido. Os Europeus não sabiam da existência da América e o conhecimento que tinham de outras áreas era bastante imperfeito. Os Europeus imaginavam que nessas regiões desconhecidas havia monstros entre outras coisas.

Motivações e Condições Favoráveis de Portugal em relação à Expansão

No mundo, as regiões tinham pouco contacto entre si e coube à Europa tomar a iniciativa da expansão. A expansão ficou a dever-se ao facto de na Europa haver falta de ouro e prata para cunhar moeda e de os produtos de luxo e as especiarias vindas do Oriente, serem muito caras. A concretização destes objectivos passava por uma expansão para além das fronteiras da Europa, que se iniciou no séc. XV, na qual Portugal teve um papel fundamental. As motivações europeias faziam-se sentir do mesmo modo em Portugal, porém havia motivações específicas do nosso País como a falta de cereais e a escassez de certos produtos que podiam dinamizar o comércio como escravos, ouro, especiarias… Portugal foi o primeiro país a lançar-se na expansão já que dispunha de um conjunto de condições favoráveis:

. Geográficas: Portugal é o país mais ocidental da Europa, com grande fronteira atlântica e por isso desde cedo ligou a sua economia ao mar, através da pesca e do comércio;

. Políticas: Portugal ao contrário da maior parte dos países da Europa estava a viver um período de paz. D. João I desejava afirmar-se como rei no contexto ibérico e europeu e queria alcançar fontes de riqueza para resolver os problemas económicos do país;

. Condições científicas (Saber Náutico): os Portugueses dominavam técnicas avançadas de navegação como o leme de cadastre, os portulanos, o astrolábio e o quadrante. Com a ajuda destes instrumentos faziam a navegação astronómica. Os reis anteriores D. Dinis e D. Fernando promoveram a construção naval e o comércio com o Norte da Europa;

. Sociais: todos os grupos sociais estavam interessados na expansão. Ambicionando novos cargos, domínios, oportunidades de negócio e expandir a fé cristã;

. Económicas: Problemas económicos como a falta de cereais, falta de ouro e prata para cunhar moeda, produtos do Oriente que chegavam caros à Europa.

Início da Expansão Portuguesa

A expansão portuguesa com a conquista de Ceuta, cidade muçulmana no Norte de África em 1415. São várias as razões apontadas para a conquista de Ceuta: Ceuta está localizada à entrada do estreito de Gibraltar, numa posição estratégia entre o mar Mediterrâneo e o oceano Atlântico, onde era frequente o corso; a cidade era um activo centro de comércio, ponto de chegada das rotas de caravanas que traziam ouro, escravos e especiarias; era uma zona rica em cereais e uma oportunidade de fazer a guerra contra os infiéis e expandir a fé cristã. Todavia, Ceuta foi um fracasso já que não resolveu os problemas económicos do país e era uma cidade cristã isolada no espaço muçulmano; os campos de cereais em volta da cidade foram devastados e as rotas do comércio foram desviadas. Face ao fracasso de Ceuta, A nobreza defendia que Portugal devia prosseguir as conquistas no Norte de África, deste modo, podia dedicar-se à guerra e obter títulos. A Burguesia que pretendia chegar aos locais de origem do ouro e das especiarias e outra parte da Nobreza que praticava o comércio defendia a navegação ao longo da costa Africana.

A expansão Portuguesa ia-se alternando entre conquistas e descobertas.

Descobrimentos e conquistas no período henriquino

O infante D. Henrique assumiu a direcção da expansão marítima até 1460. De 1418-20, Tristão Vaz Teixeira, João Gonçalves Zarco e Bartolomeu Perestrelo redescobriram o arquipélago da Madeira. Em 1427, Diogo de Silves descobriu as primeiras sete ilhas dos Açores e em 1452 Diogo de Teive descobriram as últimas duas. Bem, os arquipélagos da Madeira e os Açores quando foram descobertos eram desabitados. Por isso foi necessário colonizá-los, sendo que os portugueses recorreram ao sistema de capitanias-donatárias nas quais a colonização estava entregue a capitães-donatários a quem competia povoar, defender e explorar os recursos naturais das capitanias. A Madeira produzia sobretudo cereais, vinho e açúcar e nos Açores havia criação de gado, cereais e plantas tintureiras. Com os avanços técnicos dos marinheiros portugueses foram possíveis as viagens ao longo da costa africana e o avanço para o Atlântico sul. Os europeus só conheciam a costa africana até ao cabo Bojador. Em 1434, Gil Eanes passou o cabo Bojador. Desde 1416 a 1460 os Portugueses descobriram a costa africana até à Serra Leoa.  A partir desta altura, a caravela era a embarcar usada nos descobrimentos já que permitia bolinar.

Política Expansionista de D. Afonso V e de D. João II

Após a morte do infante D. Henrique em 1460, D. Afonso V. adoptou uma nova política em relação à Expansão, retomando as conquistas no Norte de África e deixando as viagens para segundo plano. De 1469 a 1474, as viagens marítimas ficaram a cargo de um particular, de Fernão Gomes que em troca se comprometia a descobrir para sul, em cada ano cem léguas de costa. Durante este período foi descoberta a costa desde a Serra Leoa até ao cabo de Santa Catarina e ainda as ilhas de São Tomé, Príncipe e Fernando Pó.

Com a chegada de D. João II ao poder a expansão portuguesa ganhou um objectivo: descobrir o caminho marítimo para a Índia contornando o continente africano. Durante o reino de D. João II descobriu-se a costa africana desde o cabo de Santa Catarina até pouco depois do cabo da Boa Esperança. Diogo Cão descobriu a costa de Angola e da Namíbia e em 1488 é dobrado o cabo da Boa Esperança por Bartolomeu Dias. Pouco depois, em 1492 Cristóvão Colombo, ao serviço de Espanha chega às Antilhas estando convencido que tinha descoberto a Índia pelo Ocidente. Colombo havia proposto a D. João II atingir a Índia, navegando para ocidente mas, o rei recusou porque tinha informações que lhe permitiam concluir que a rota pelo Oriente contornando África era possível.

A rivalidade luso-castelhana

Após o regresso de Colombo, reacendeu a rivalidade luso-castelhana, já que D. João II reclamou as terras por ele descobertas com o argumento de que se encontravam na zona atribuída a Portugal pelo Tratado de Alcáçovas, assinado a 1479, no qual Castela reconhecia o domínio exclusivo dos territórios a sul das Canárias. Castela rejeitou essa interpretação e o papa apoiou as suas pretensões através de uma bula que estabelecia um meridiano de demarcação que passava 100 léguas a oeste de Cabo Verde, dando a Castela as terras a ocidente e a Portugal as terras oriente do meridiano. Em resultado disto, D. João II encetou negociações directas com Castela que resultaram no Tratado de Tordesilhas (1494) no qual Portugal conseguiu o avanço do meridiano 270 léguas além do previsto pelo papa. O Tratado de Tordesilhas veio estabelecer a hegemonia dos países ibéricos no mar, instituindo o “mare clausum” ou seja mar fechado excluindo os restantes países europeus.

                         Rota de Colombo                                                  Rota de Vasco da Gama

A descoberta do caminho marítimo para a Índia

 

D. João II morreu em 1495 sem ver realizado o seu sonho de descobrir o caminho marítimo para a Índia. Foi D. Manuel I que testemunhou esse feito realizado por Vasco da Gama que em 1498 chegou a Calecut na Índia estabelecendo assim a ligação por mar entre a Europa e a Ásia. Porém os portugueses depararam-se com resistências inesperadas já que os comerciantes muçulmanos não viam com bons olhos a concorrência portuguesa o que levou o rei a preparar uma poderosa armada para se impor no Oriente.

A descoberta do Brasil

A presença portuguesa na Índia causou desconfiança, que temiam perder o monopólio do comércio das especiarias. Sabendo disto, D. Manuel I enviou uma nova armada para impor o domínio português no Oriente comandada por Pedro Álvares Cabral.

Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil em 1500 após a sua frota tem sofrido um desvio originado por ventos favoráveis a partir de Cabo Verde. Como nunca se verificou que nenhuma tempestade que obrigasse a este desvio, nem o aparecimento causou grande admiração aos portugueses, é provável que D. João II e D. Manuel I já tivessem informações da existência do Brasil, explicando assim a exigência do rei aquando das negociações do Tratado de Tordesilhas.

O Império Português:

 

Na viragem do séc. XV para o séc. XVI, os reinos ibéricos entram na fase de afirmação dos seus impérios coloniais. A ocupação e a exploração diferiam de continente para continentes e as reacções dos habitantes locais também.

Os Portugueses na África Negra

No inicio do séc XV quando os Portugueses chegaram à África Negra depararam-se com pequenos Estados existentes nesses territórios, mas os Portugueses não pretendiam conquistar esses estados, tendo-se fixado apenas no litoral o que veio a reduzir os contactos com as populações africanas. No litoral estabeleceram feitorias em pontos estratégicos onde se dedicavam ao comércio de escravos, especiarias, marfim, malagueta, ouro... As principais feitorias na costa Atlântica eram Arguim (que foi a primeira feitoria construída em 1448) na costa ocidental africana e S. Jorge da Mina (1482) no Golfo da Guiné. Na Mina os portugueses compravam ouro em troca de sal e tecidos de má qualidade entre outros. Na costa do Indico, as principais feitorias eram Sofala e Ilha de Moçambique. Nesta altura os portugueses colonizaram sobretudo os arquipélagos de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe que tal como a Madeira e os Açores eram desabitados quando foram descobertos. O sistema de colonização usado foi o mesmo. A colonização de Cabo Verde foi difícil devido à aridez do solo. Mesmo assim desenvolveu-se a agricultura e a criação de gado, introduzindo-se muitos escravos africanos. Já a colonização em São Tomé foi mais fácil já que o clima quente e húmido proporcionava um solo extremamente fértil que permitiu o desenvolvimento da produção de açúcar sobretudo pelo trabalho dos escravos. Os dois arquipélagos foram usados como entrepostos para o tráfico de escravos, provenientes do continente africano destinados à metrópole e às colónias, tráfico esse que fez sair de África muita mão-de-obra e que prejudicou o desenvolvimento deste continente. A população insular africana depressa foi cristianizada ao contrário dos africanos do continente que mal foram cristianizados.

O Império Português do Oriente

A Ásia os sécs. XV e XVI era um continente urbanizado, poderoso e desenvolvido sendo um continente extremamente povoado, que dispunha de uma agricultura diversificada com a produção abundante de especiarias. A Ásia tinha uma intensa actividade industrial com a produção de sedas, porcelanas, papel… Politicamente a Ásia era um continente dividido em pequenos Estados rivais com excepção da Pérsia e da China e as religiões dominantes eram o Hinduísmo (na Índia), o Budismo (no Tibete e norte da Índia) e o Islão (Indonésia, Pérsia.).

Na Ásia os portugueses não procuraram fundar um império territorial mas apenas um império comercial, assente no domínio dos mares. Na Ásia a principal oposição ao domínio português eram os Muçulmanos, que anteriormente controlavam o comércio asiático e com quem os portugueses travaram combates decisivos no mar onde se destacou o vice-rei D. Francisco de Almeida e travaram combates em terra apoderando-se os portugueses liderados por D. Afonso de Albuquerque de importantes cidades como Goa, Ormuz e Malaca. A conquista de Goa permitiu desenvolver o comércio das especiarias visto a cidade ser rica nesses recursos. A conquista de Ormuz, à entrada do Golfo Pérsico, permitiu aos portugueses entrar nos mercados da Pérsica e controlar uma das rotas do Levante e a conquista de Malaca permitiu aos portugueses controlar as rotas comercias que iam da Indonésia, à China e ao Japão. Os portugueses conseguiram ter o exclusivo do comércio marítimo oriental, ou seja, o monopólio comercial. O Império português no oriente ia desde o Mar Vermelho até ao mar do Japão.

O sistema comercial português no Oriente apoiava-se numa rede de feitorias, distribuídas em pontos estratégicos desde a costa oriental de África até à China e ao Japão.

Goa tornou-se a capital do Império Oriental Português e sede do cristianismo no oriente e era para lá a afluíam os produtos provenientes das feitorias portuguesas espalhadas pelo Orientes que seguiam primeiro para a Casa da Índia em Lisboa e depois para o mercado de Antuérpia, na Flandres. O comércio dos produtos orientais era um monopólio régio já que estava sob controlo directo da coroa.

Os portugueses no oriente eram uma minoria e por isso as autoridades promoveram a miscigenação e por meio dos Jesuítas tentaram converter os povos locais à fé cristã, missão que não foi fácil devido à forte implantação das religiões já existentes mas mesmo assim conseguiram criar algumas comunidades cristãs.

A Colonização Portuguesa do Brasil

Quando em 1500, os portugueses descobriram o Brasil, o território estava pouco povoado e pouco explorado. Era habitado por tribos civilizacionalmente atrasadas já que desconheciam o trabalho dos metais e viviam sobretudo da recolecção e eram politeístas. Os portugueses só conseguiam explorar aí um único produto, o pau-brasil. Por isso, manifestaram, inicialmente, pouco interesse pelo território. Por volta de 1530, franceses e espanhóis começam a instalar-se nalguns pontos da costa brasileira o que levou ao desenvolvimento de acções de defesa e às primeiras tentativas de colonização por parte dos portugueses.

Em 1534, o Brasil foi dividido em capitanias comandadas por capitães-donatários que tinham o poder de povoar, de defender e de explorar a respectiva capitania. A falta de recursos, as rivalidades e os ataques de índios e de franceses tornaram fraco o sistema de capitanias e assim em 1549, D. João III cria o Governo-geral com sede em S. Salvador da Baía e nomeia Tomé de Sousa governador-geral que tinha como função dirigir a defesa a administração e aplicar a justiça.

Com vista a uma colonização mais efectiva Portugal envia mais de mil colonos para o Brasil e padres jesuítas para converter os indígenas. Fundaram-se novas povoações e a economia desenvolveu-se com a construção de engenhos de açúcar com mão-de-obra escrava importada da costa de África. Esta cultura da cana foi introduzida pelos portugueses e vai-se tornar a principal actividade económica do Brasil. Para explorar melhor o interior brasileiro, as autoridades enviaram bandeirantes.

O Império Espanhol:

 

No séc XIV a América era um continente de contrastes já que muitas das populações locais, os ameríndios eram nómadas e praticavam a recolecção mas havia outros povos civilizacionalmente bastante avançados como os Maias, os Astecas e os Incas que nos deixaram obras de arquitectura grandiosas como templos, escultura, cerâmica e ourivesaria de enorme qualidade. Os Astecas habitavam a região central do actual México assim como os Maias que habitavam a Península de Iucatão, também no México. Os Incas habitavam uma extensa região que ia do actual Chile até ao Equador na América do Sul.

Devido à sua superioridade militar com homens a cavalo e o uso armas de fogo e da aliança com algumas tribos levou a uma rápida conquista. De 1519-21 Hérnan Córtez subjugou os povos da América Central e de 1931-33 Francisco Pizarro subjugou o poderoso Império Inca, no sul da América. Os ameríndios foram vencidos e as suas cidades e templos destruídos. A aculturação europeia impôs-se a todos os níveis: na língua, nos costumes, nas instituições, no urbanismo e nas técnicas. A ocupação espanhola teve pesadas consequências demográficas com uma redução drástica no número de ameríndios devido à guerra e a trabalhos pesados.

Com a conquista, os Espanhóis dominaram um extenso império que ia desde a Florida e da América Central até à região de Rio da Prata na actual Argentina no sul do continente. Com a conquista do território, os espanhóis obtiveram toneladas de ouro e prata para abastecer a Europa. Sevilha tornou-se a capital do império colonial administrado pela Casa da Contratação, destino final do ouro e prata americanos.

 Império Espanhol

O Comércio à Escala Mundial:

 

Com a expansão ibérica dos sécs. XV e XVI, novas rotas comerciais passaram a cruzar os oceanos e a ligar vários continentes. Por essas rotas circulavam os mais variados produtos. Além disso, ao impulsionar a circulação de pessoas e de produtos entre as várias regiões, o comércio intercontinental provocou profundas alterações nos hábitos do quotidiano e na própria agricultura. Muitos produtos que antes eram caros como o açúcar e as especiarias passaram a ser de uso corrente e se conheceram novos produtos como milho e a batata antes desconhecidos.

A abertura das rotas beneficiou sobretudo a Europa. Portugal e Espanha tornaram-se dois grandes eixos do comércio internacional. Lisboa, Sevilha e Antuérpia

Lisboa era a maior cidade portuguesa e tinha o maior porto comercial sendo destino de variadas rotas marítimas como a rota do Cabo. Era em Lisboa que se situava a Casa da Índia, que era responsável pelo comércio dos produtos portugueses e pelas partidas das armadas. Sevilha tornou-se a capital do império colonial administrado pela Casa da Contratação, destino final do ouro e prata americanos que a seguir se dispersavam pelo resto da Europa. Apesar da sua importância, Lisboa e Sevilha nunca dominaram a distribuição e a venda das mercadorias coloniais na Europa. No séc XVI esse papel pertencia a Antuérpia na Flandres, que pela sua posição geográfica, podia fazer a ligação da Europa do Sul, com a do Centro e com a do Norte.

 

Produtos da Europa: Cavalo, boi, porco, carneiro, cereais, videira, cana-de-açúcar, oliveira, legumes…

Produtos da Ásia: Chá, Café, Arroz, Especiaria, Sedas, Porcelanas, cana-de-açúcar, coco, algodão, banana…

Produtos de África: escravos, malagueta, marfim, sorgo…

Produtos da América: milho mais, feijão, tomate, batata, ananás, tabaco, peru, mandioca…

Rota do Cabo de Lisboa até Goa, Rota de Manila a amarela, Rota do Extremo-Oriente (de Goa à China e ao Japão), Rota da Flandres a Vermelho.

Império Espanhol a vermelha e Império Português a azul e Rota do Comércio Triangular

 

O Renascimento e a Formação da Mentalidade Romana

Origem e Difusão do Renascimento

 

Ao mesmo tempo que descobria um mundo novo, o homem europeu procurava descobrir-se a si próprio. Ao teocentrismo medieval sucedia uma nova visão antropocêntrica, na qual o homem era o centro das preocupações. Na Grécia e na Roma antigas, os artistas e os filósofos tinham já centro o seu interesse no conhecimento do homem. Este interesse pelo homem ressurgiu no final da Idade Média, ao mesmo tempo que se intensificava a atracção pela cultura clássica, o renascimento caracterizava-se ainda pelos avanços do saber baseado na experiência e observação da natureza. É este renascer da cultura clássica, sobretudo nos sécs. XV e XVI que explica a designação de Renascimento.

O Renascimento surgiu em Itália porque:

. Itália foi o centro do Império Romano e a ultima pátria da cultura greco-romana, e os vestígios dessa cultura continuavam presentes e a causar admiração;

. Porque muitos sábios bizantinos afluíram a Itália após a queda de Constantinopla trazendo com eles saberes antigos e obras que se tinham conservado no Império Romano do Oriente;

. Porque a riqueza das cidades italianas gerou um interesse extraordinário pelo embelezamento urbano com a edificação de belos edifícios;

. Porque algumas famílias ricas e os próprios papas criaram cortes faustosas e contratavam artistas de renome para as abrilhantar.

A partir de Itália, o movimento renascentista estendeu-se ao resto da Europa sobretudo às ricas cidades da Flandres, à Inglaterra, à Alemanha e à Espanha.

O Humanismo

O Humanismo foi um movimento cultural dentro do renascimento voltado para o estudo das línguas e da literatura clássicas (grego e latim) tentando encontrar neles as respostas para o conhecimento e a valorização do Homem. Os humanistas desenvolveram um forte espírito crítico, sobretudo em relação aos problemas da sociedade. Conscientes das suas capacidades intelectuais manifestaram a afirmação pessoal de cada indivíduo e a valorização das suas realizações, o chamado individualismo.

Os principais humanistas eram Thomas More e Shakespeare na Inglaterra, Maquiavel e Pico della Mirandola na Itália, Erasmo de Roterdão na Holanda e Luís de Camões e Damião de Góis em Portugal.

O alargamento da compreensão da Natureza

No séc XV, a base dos conhecimentos relativos ao Universo, à Natureza e ao próprio homem eram ainda as obras da Antiguidade greco-romana e nem a grande admiração pela cultura greco-romana impediu o aparecimento de uma atitude crítica em relação ao saber herdado. Desenvolveu-se nesta altura a ideia de que todo o conhecimento tinha de ser confirmado pela experiência e pela observação que veio por em causa as teorias tradicionais. Desenvolveram-se vários domínios: com as viagens marítimas ibéricas que revelaram a existência de novos continentes, povos, culturas e seres vivos desenvolveram-se a Geografia, a Zoologia e a Botânica; Na Astronomia Copérnico propôs a teoria heliocêntrica; através da dissecação de corpos, Vesálio fez evoluir a Medicina e expandiu o conhecimento do corpo humano…

A invenção da imprensa no séc XV por Johannes Gutenberg, na Alemanha que permitiu a multiplicação do número de exemplares de cada livro e a diminuição do seu custo, facilitando a divulgação de obras e ideias renascentistas.

A Arte Renascentista

Durante a primeira metade do séc. XV, a Itália abandonou a tradição gótica (considerada ultrapassada) e afirmou os novos conceitos e as formas do Renascimento. A arte renascentista inspirou-se na arte greco-romana, a chamada arte clássica mas não deixou de introduzir novas ideias e técnicas.

A arquitectura

O classicismo na arquitectura da renascença manifesta-se pela utilização de um conjunto de elementos fundamentais inspirados na arquitectura greco-romana: as ordens, o arco de volta perfeita, o frontão, a abóbada de berço e a cúpula e decorações com base em figuras mitológicas e com a Natureza e a balaustradas. Contava ainda com características como a Horizontalidade e a Racionalidade, ou seja a existência de proporções rigorosas conseguindo em simultâneo harmonia e equilíbrio.

A escultura

Os escultores do Renascimento, guiados pelos modelos clássicos, representavam as figuras humanas com grande harmonia, realismo, o rigor atómico e o nu. Entre os escultores renascentistas destaca-se Miguel Ân

A pintura

A pintura suplanta quase tudo o que foi feito anteriormente já que se inventam novos técnicas nomeadamente a pintura a óleo e o sfumato que permitiam obter cores e efeitos mais luminosos e a perspectiva ou seja a noção de profundidade. As características desta pintura eram o equilíbrio de composição, o naturalismo e o realismo e a alusão ao movimento.

Persistência do Gótico em Portugal

A arquitectura Renascentista chegou tarde a Portugal e nunca se impôs totalmente. Manteve-se a tradição gótica, sobressaindo o estilo manuelino. Este estilo está relacionado com o período de riqueza faustosa do período das descobertas que se traduziu nos elementos decorativos de carácter naturalista e marítima. O estilo Manuelino continuou o estilo gótico com o predomínio da verticalidade. Mas, neste estilo ao contrário do gótico, apresentava uma certa originalidade. Os monumentos manuelinos mais importantes são a Torre de Belém e o Convento de Cristo em Tomar.

A Reforma Protestante

A Igreja Católica em crise

Contestação

Até ao séc XVI, a Igreja Católica dominava por completo a sociedade europeia. Nessa altura o espírito crítico dos renascentistas levantou várias criticas à Igreja a ao comportamento do clero.

Os renascentistas criticaram o Papa por viver rodeado de luxos e prazeres que contrastava com os ideais de pobreza da religião e por interferir em questões políticas e militares. Criticavam ainda a corrupção e a imoralidade dos clérigos e falta de preparação de alguns padres. Os humanistas apelaram para uma profunda reforma da Igreja, que prestigiasse a vida eclesiástica e reconduzisse o Cristianismo aos seus antigos ideais. Mas nada foi feito para alterar a situação.

… E Ruptura

Em 1514, o papa Leão X autorizou a venda de indulgências (perdão dos pecados mediante uma determinada quantia) com o objectivo de angariar fundos para as obras da Basílica de S. Pedro.

Em 1517, Martinho Lutero, um monge alemão, contestou publicamente as indulgências, afixando na Catedral de Wittenberg as 95 Teses contra as Indulgências. Lutero foi excomungado pelo Papa e queimou a bula da excomunhão rompendo definitivamente com Roma. As críticas de Lutero e dos humanistas resultaram na Reforma Protestantes que dividiu a Europa em dois blocos: o Católico e o Protestante.

A Reforma Protestante

Lutero fundou a Igreja Luterana com forte adesão na Alemanha e na Escandinávia.

Calvino seguiu os ensinamentos de Lutero e a partir de Genebra fundou a Igreja Calvinista com forte adesão na Suíça, em algumas partes da França, na Escócia e nos Países Baixos.

Henrique VIII, rei de Inglaterra pediu ao papa para anular o seu casamento e esse pedido foi-lhe recusado e como resposta, o rei decretou-se chefe da Igreja de Inglaterra ou Igreja Anglicana rompendo definitivamente com Roma.

Luteranismo

Calvinismo

Anglicanismo

Catolicismo

- Bíblia como fonte de Fé

- Bíblia como fonte de Fé

- Bíblia como fonte de Fé

- Bíblia e tradição como fontes de Fé

- Salvação pela Fé

- Salvação pela Fé e predestinação

- Salvação pela Fé

- Salvação pela Fé e boas acções.

- Celibato não obrigatório

- Celibato não obrigatório

- Celibato não obrigatório

- Celibato obrigatório

- Rejeição da autoridade do Papa.

Supressão da hierarquia.

- Rejeição da autoridade do Papa.

Supressão da hierarquia.

- Rejeição da autoridade do Papa

(o Rei é o chefe da Igreja)

 - Aceitação da autoridade do Papa

Uso das línguas nacionais. Leitura da bíblia orientada por um pastor.

Uso das línguas nacionais. Leitura da bíblia orientada por um pastor.

Uso das línguas nacionais. Conservou a forma católica

Missa solene com o uso do latim

- Sacramentos: Baptismo e Eucaristia

- Sacramentos: Baptismo e Eucaristia

- Sacramentos: Baptismo e Eucaristia

- 7 Sacramentos

- Leitura da Bíblia, Sermão, Eucaristia

- Leitura da Bíblia, Sermão, Eucaristia

- Supressão da missa e substituição por cerimónias pomposas

- Missa e culto dos Santos e da Virgem

Rejeição do culto da Virgem e dos Santos

 

Mapa com as religiões dos Estados Europeus

A Reacção da Igreja Católica

Perante o avanço do reformismo, a Igreja Católica responde com movimento que foi simultaneamente de combate às ideias protestantes, a chamada Contra-Reforma e de renovação da própria Igreja, a Reforma Católica.

Quanto à Reforma Católica, de 1545 a 1563, os bispos, reunidos no Concílio de Trento, analisaram as críticas protestantes mas em pouco cederam. Os princípios, os sete sacramentos e o culto dos santos e da Virgem Maria foram mantidos procurando a Igreja, apenas reformar os costumes do clero e a organização da instituição, impondo uma disciplina mais severa e conservando o celibato eclesiástico, recomendaram aos bispos a criação de seminários nas dioceses para preparar melhor os sacerdotes e proibiram a acumulação de cargos... 

Em relação à Contra-Reforma, pouco antes da abertura do Concílio havia sido criada por Inácio de Loyola, em 1539 uma nova ordem religiosa a Companhia de Jesus cuja missão era defender o Catolicismo e promover a sua difusão no mundo. Os jesuítas combateram o avanço do protestantismo através do ensino e da missionação. Para combater o avanço da reforma a Igreja Católica contou ainda com outros dois instrumentos de combate, o Índex (catálogo de livros cuja leitura era proibida aos católicos sob pena de excomunhão) e a Inquisição que era um tribunal destinado a defender a fé cristã condenando aqueles que praticassem outras religiões ou praticassem bruxaria.

O Caso Peninsular

A península ibérica permaneceu quase impenetrável ao reformismo protestante devido à distância dos países peninsulares relativamente aos focos de origem da Reforma e à acção das autoridades religiosas e politicas no combate ao reformismo e defesa da fé católica. Em Portugal e Espanha havia outro problema religioso, a existência de uma numerosa comunidade judaica. Em Espanha os reis católicos em 1492 através da Inquisição expulsaram os Judeus dos seus territórios e o mesmo ocorreu em Portugal, o rei D. Manuel I em 1496 expulsou os Judeus que não aceitassem convertessem e os que se converteram passaram a ser conhecidos como cristãos-novos. Apesar de convertidos, a Inquisição desconfiava dos Judeus e através de informadores milhares de judeus foram torturados e mortos na fogueira. Para além da não liberdade religiosa deu-se ainda uma estagnação cultural já que as obras de muitos humanistas, por estarem incluídas no Índex foram censuradas ou mesmo proibidas e a Companhia de Jesus que através da missionação e do ensino travava o avanço da Reforma para a Península Ibérica e que por não apoiar os ideais renascentistas contribuiu também para essa estagnação.

 

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