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Apontamentos e Resumos

de Psicologia - 12º Ano

 

Psicologia: Genética

Autores: Sara Silva Pereira

Escola: Escola Secundária D. Sancho I

Data de Publicação: 02/07/2010

Apresentação: Resumo/Apontamentos sobre a primeira parte da matéria da disciplina de Psicologia (12º ano).

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Psicologia: Genética

 

Relacionar cromossomas com herança genética e explicar o papel dos cromossomas no processo de transmissão genética.

A herança genética é todo o conjunto de caracteres que nos foram transmitidos pelos nossos progenitores e que nós transmitiremos aos nossos descendentes. Estamos a falar de características que nascem connosco e que existe como resultado da interpretação de informação contida nos cromossomas. Os cromossomas encontram-se no núcleo de cada célula, organizados em 23 pares homólogos na espécie humana, e são filamentos finos e longos enrolados, constituídos por ADN e proteínas (histonas). O ADN contém a informação necessária para a construção do novo indivíduo.

Os cromossomas suportam os genes que constituem a unidade básica da hereditariedade e assumem-se como o principal constituinte da célula uma vez que asseguram o processo de transmissão genética.

Quando se forma o ovo, por acção da fecundação de um óvulo por um espermatozóide, juntam-se 23 cromossomas do progenitor masculino com 23 cromossomas do feminino, dando origem ao descendente com 23 pares de cromossomas homólogos que contêm informação de ambos os pais.

 

Explicar a estrutura e componentes do ADN.

ADN é o mesmo que Ácido desoxirribonucleico. Este é uma macromolécula constituída por duas cadeias polinucleotídicas enroladas em hélice. É considerado um  polímero, cujos monómeros são os nucleótidos, formados por uma pentose (desoxirribose), um grupo fosfato e uma base azotada. As bases azotadas podem ser Adenina, Timina, Guanina ou Citosina e são elas que fazem a ligação por pontes de Hidrogénio entre as duas cadeias: a Guanina liga sempre à Citosina e a Adenina à Timina. Entre nucleótidos, as ligações são do tipo fosfodiéster e ocorrem entre a desoxirribose e o grupo fosfato (ácido fosfórico).

O ADN é o suporte químico da informação genética porque é o portador e transmissor da informação genética.

 

Definir genes.

Genes são porções/segmentos de ADN com um determinado nº de nucleótidos e uma ordem específica. Cada gene é então uma parte de um cromossoma ao qual corresponde a informação que determina uma dada proteína ou característica. Há vários genes num só cromossoma e são os genes os responsáveis por todas as características físicas do ser.

Os genes organizam-se em pares porque se encontram em cromossomas que também se organizam em pares (homólogos). No caso dos genes, fala-se em genes alelos, em que um é herdado da mãe e outro do pai. Estes genes alelos, que podem conter a mesma informação (ser homozigótico para determinada característica) ou não (ser heterozigótico), ou são recessivos ou dominantes. Os genes dominantes actuam mesmo que só esteja presente num alelo, enquanto que os recessivos exigem que haja dois alelos com a mesma informação.

 

Relacionar meiose e variabilidade genética.

Para que o número de cromossomas e, consequentemente, a quantidade material genético, se mantenha constante ao longo das gerações, é necessário que haja um processo responsável pela divisão celular aquando da formação das células reprodutoras ou gâmetas. Este processo é a meiose.

A meiose está dividida em duas fases: divisão reducional e divisão equacional. Na primeira, o núcleo das células torna-se haplóide pois separam-se os cromossomas homólogos; a segunda comporta-se como uma mitose – há a divisão de cromatídeos. Assim, os gâmetas são células com 23 cromossomas com um cromatídeo cada.

A variabilidade genética é assegurada nos dois fenómenos de reprodução: na meiose e na fecundação. Na meiose devido à separação aleatória de cromossomas homólogos e a fenómenos de crossing-over, ou seja, trocas de porções de cromossomas. Na fecundação, devido ao encontro aleatório de gâmetas.

 

Mostrar a importância dos genes de desenvolvimento.

Os genes têm diferentes responsabilidades, por isso, são tão mais importantes quanto mais crucial é a caracterísitica que codificam. Os genes de desenvolvimento, por exemplo, são mais importantes que o gene que codifica a cor dos olhos ou do cabelo porque detêm a responsabilidade de codificar a forma do organismo, isto é, planificam o processo de construção do organismo, desde a forma e dimensão dos órgãos, através das células que os constituem, à formação do cérebro.

Estes genes são essenciais para entendermos a evolução da espécie e do indivíduo porque têm uma função reguladora – articulam aspectos evolutivos, genéticos e de desenvolvimento. Alterações nestes genes podem originar grandes mutações evolutivas, da mesma forma que um tipo específico de genes – os oncogenes – é responsável pela formação de cancros e tumores.

 

Distinguir hereditatiedade específica de individual.

A hereditariedade específica está ligada às informações comuns a todos os indivíduos da mesma espécie. Determina constituições, comportamentos e faculdades específicas que unificam todos os indivíduos da espécie.

A hereditariedade individual é o processo de transmissão genética das características únicas de cada indivíduo. São os caracteres que nos tornam únicos e diferentes dos restantes seres da espécie.

 

Caracterizar genótipo e fenótipo.

O genótipo caracteriza-se por ser o património genético herdado dos pais, isto é, a constituição genética em termos de genes alelos para uma dada característica.

O fenótipo é o conjunto de características observáveis que dependem da forma como esse genótipo se vai manifestar, ou seja, é a expressão da interacção do genótipo com o meio ambiente. É o produto final resultante do projecto (Genótipo) e do meio – a aparência. 

 

Relacionar hereditariedade e meio.

Um ser humano é o resultado da interacção entre a hereditariedade e o ambiente.

Há caracteres que dependem unicamente do património genético como a cor do cabelo, a altura, o grupo sanguíneo ou a forma dos olhos. No entanto, há outros que se moldam consoante a acção do meio, podendo ser mais ou menos estimulados ou inibidos.

Não se pode afirmar que um elemento é mais importante que o outro, mas não se pode negar que interagem continuamente ao longo do desenvolvimento do indivíduo, até porque só assim seríamos seres únicos e originais, mesmo com um irmão gémeo.

Os genes podem controlar o desenvolvimento, mas estão sempre sujeitos a factores que os podem modificar por mutação ou variação genética. Podemos referir dois meios diferentes com influência no ser humano: o meio pré-natal e o meio pós natal.

O meio pré-natal influencia o indíviduo na medida em que as acções da mãe prejudicam ou beneficiam o feto: ingestão de substâncias tóxicas (medicamentos, álcool, drogas), contacto com radiação de alta frequência (raio X, raios gama), depressões, doenças (rubéola, varicela), etc.

O meio pós-natal tem um papel muito importante no processo de crescimento do indivíduo enquanto ser de uma sociedade. É muito importante para a maturação do sistema nervoso. Assim, má alimentação, falta de higiene ou de rotina saudável, mau ambiente familiar contribuem bastante para um mau desenvolvimento sensorial e motor da criança.

Deste modo, a dualidade hereditariedade-meio está bem equilibrada, uma vez que ambos se influenciam mutuamente para determinarem o desenvolvimento do indivíduo.

 

Analisar as perspectivas sobre a acção genética: preformismo e epigénese.

Preformismo e epigénese são dois conceitos opostos na medida em que defendem diferentes graus de importância para o meio e a hereditariedade.

O preformismo ou teoria da preformação adopta uma posição determinista em que o o desenvolvimento embrionário, ou seja, a gravidez, não era mais do que o desenvolvimento de potencialidades existentes no ovo. Ou seja, a hereditariedade era sobrevalorizada ao ponto de se afirmar que todo o processo de desencolvimento do ser era um simples processo de crescimento/amplificação de estruturas zigóticas. O ambiente é então desvalorizado ao ponto de se anular completamente.

Já a epigénese ou epigenetismo contraria o determinismo preformisma, adoptando uma posição construtivista, de modo a que o meio e a o património genético tivessem a mesma importância. A variabilidade individual não é explicada pelo determinismo genético e, assim, o desenvolvimento resulta da interacção constante entre as potencialidades genéticas do ovo e o meio. Também não aceita a existência de estruturas preformadas no ovo, afirmando que o desenvolvimento é um processo gradual de crescimento, diferenciação e modificação.

Sendo um ser neoténico, o ser humano está em contínuo desenvolvimento, utilizando a sua capacidade de adaptação. Este processo dinâmico exige que as capacidades biológicas tenham um meio estruturante que lhes permita a expressão e uma estrutura mental que lhes dê significado.

Segundo a epigénese, a hereditariedade e o meio são interdependentes, interagindo continuamente para determinar todas as áreas de desenvolvimento do ser.

 

Esclarecer os conceitos de ontogénese e de filogénese.

Numa fase inicial e para esclarecer a principal diferença entre estes termos, podemos afirmar que, enquanto a filogénese se refere ao desenvolvimento da espécie como unidade básica, a ontogénese refere-se ao desenvolvimento individual do ser.

Assim, a filogénese engloba todos os fenómenos de evolução dos seres vivos, podendo-se caracterizar como o conjunto de processos biológicos de transformação que explicam o aparecimento das espécies e a sua diferenciação. É a história evolutiva de uma espécie.

Já a ontogénese especifica o desenvolvimento do indivíduo desde que é formado o ovo até que se torna adulto.  No entanto, há autores que defendem que a ontogenia continua mesmo até à morte, englobando, por isso, os processos de modificação ao longo da vida.

 

Enunciar a lei da recapitulação e as suas críticas.

A lei da recapitulação ontofilogenética apareceu no princípio do século XX, por Ernst Haeckel, fundador da embriologia e da ecologia. Esta lei afirmava que «a ontogénese recapitula a filogénese», ou seja, ao observarmos os diferentes estádios embrionários de um ser, poderemos verificar os estádios de evolução da espécie à qual ele pertence. Deste modo, o desenvolvimento embrionário recapitularia a história filogenética da espécie, o que implicaria que a ontogénese fosse determinada pela filogénese.

Os argumentos utilizados por Haeckel foram descridibilizados e esta teoria foi ultrapassada porque não tinha base científica. Haeckel começou por mostrar vários desenhos de embriões de várias espécies que, supostamente, evoluiriam de maneira comum, especializando-se consoante a espécie a que pertenciam. No entanto, estes dados foram falseados porque nem apresentavam coerência temporal nem de estatura entre os embriões.

 

Mostrar o papel da ontogénese no desenvolvimento.

Uma vez que o indivíduo é resultado da interacção dos factores biológicos com os ambientais, a filogénese não pode determinar a ontogénese, mas antes o contrário. Assim, a ontogénese é a causa da filogénese porque são as tranformações ontogenéticas que ocorrem no processo evolutivo que permitem a adaptação ao meio ambiente. Para que uma espécie se consiga adaptar a uma adversidade, é necessário que haja indivíduos que se modifiquem no sentido de acompanhar essa alteração. Assim, é preciso que haja ontogénese para que possa existir filogénese. Deste modo, a filogénese deriva de várias ontogéneses por mutações e selecção natural.

 

Distinguir programas genéticos aberto e fechado.

Há um programa de desenvolvimento correspodente a cada espécie e, por conseguinte, a cada indivíduo. Em determinadas condições externas, sabemos que, 9 meses depois de uma mulher engravidar, nasce um bebé.

No entanto, os seres vivos, melhor dizendo, as epécies, podem ter programas genéticos abertos ou fechados. Nos animais e nas plantas, o mais comum são os programas genéticos fechados: os seres atingem um ponto/um estádio de desenvolvimento em que estagnam e não têm capacidade de se adaptarem ou modificarem o seu comportamento. Estão codificados para reagir de uma determinada forma a um determinado estímulo, a escolher um habitat específico, a terem aqueles rituais de acasalamento e assim sucessivamente. Há a previsão de comportamentos.

O programa genético aberto implica apenas uma programação parcial, dando liberdade ao ser evoluir de forma distinta, ter comportamentos imprevisíveis e adaptar-se em casos de alterções ambientais. O Homem tem um programa genético aberto. Por isso, não reage segundo um conjunto de instintos, não tem um comportamento e desenvolvimento pré determinados. A abertura do programa genético implica também uma menos especialização do ser, por isso é que o Homem consegue inventar e fazer um pouco de todas as actividades animalescas.

 

Definir prematuridade e neotenia, relacionando-as.

O ser humano é um ser prematuro na medida em que, quando nasce, ainda não apresenta as suas capacidades bem desenvolvidas. Um bebé é um ser inacabado e, por isso, a infância humana é tão extensa. É preciso dar tempo para maturar o desenvolvimento que se iniciou na fecundação. No entanto, é esta imaturidade, prematuridade, que permite ao Homem adaptar-se ao meio e a qualquer situação, uma vez que ele se vai moldando ao longo da infância.

Este inacabamento biológico tem o nome de neotenia. O atraso no desenvolvimento implica que o ser se desenvolva mais devagar, alargando a infância e a dependência dos progenitores. Os genes de desenvolvimento são os principais responsáveis pelo retardamento ontogenético, fazendo do homem um ser neoténico – com um prolongamento da morfologia juvenil até à idade adulta. Como prova, vemos que o ser humano apresenta traços/características juvenis, plásticas, na idade adulta.

 

Enunciar vantagens do inacabamento humano.

O ser humano nasce frágil, prematuro e sem preparação para enfrentar o meio. Esta desvantagem torna-se, porém, uma enorme vantagem no desenvolvimento humano porque é este inacabamento biológico que permitem a adaptação ao meio, a aprendizagem contínua e a relação interpessoal.

A existência de um parto precoce permite que o programa genético seja aberto e que o Homem se torne um animal mais flexível e abundante em conhecimento do que se estivesse unicamente dependente dos instintos.

Ao ser inacabado, o Homem possui flexibilidade biológica, versatilidade, plasticidade, capacidade para aprender e interagir, em vez de ser uma espécie fechada, hiperespecializada e auto-suficiente.

Mesmo na idade adulta, o Homem nunca ultrapassa o ser carácter neoténico, continuando inacabado, imperfeito, em constante aprendizagem.

O inacabamento humano traz assim vantagens que se tornaram cruciais para a evolução e a manutenção da espécie. Por seremos seres biologicamente inacabados, detemos um maior poder de flexibilidade nos processos de adaptação ao meio. Depois, também temos a necessidade de criar um espaço próprio para nos estabelecermos e adaptarmos a que chamamos cultura e que vamos transmitir aos descendentes. Por fim, é o inacabamento humano que nos permite aprender e distinguirmo-nos racionalmente dos restantes animais. Assim, possuímos uma variedade enorme de comportamentos complexos, maioritariamente imprevisíveis porque dependem do processo individual de adaptaçção ao meio.

 

 

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