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Trabalhos de Filosofia - 10º Ano

 

Multiculturalismo

Autores: Francisco Reis

Escola: [Escola não identificada]

Data de Publicação: 20/05/2007

Resumo do Trabalho: Trabalho sobre o Multiculturalismo, realizado no âmbito da disciplina de Filosofia (10º ano).
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Multiculturalismo

.::    Multiculturalismo     ::.

 Como encarar a diversidade cultural existente à face do globo?

Há três grandes atitudes perante a diferença entre culturas, designadamente o etnocentrismo, o relativismo cultural e o interculturalismo.

Comecemos pelo etnocentrismo. O etnocentrismo é a total rejeição de culturas diferentes, isto é, um etnocentrista observa a sua cultura em função da sua própria cultura, olhando para a sua cultura como uma cultura melhor, uma cultura padrão, uma cultura superior a todas as restantes. Assim sendo, o etnocentrista tenta ao máximo distanciar-se das restantes culturas e tenta não contactar com elementos de outras culturas, pois não aceita outra cultura que não a dele, não compreende aspectos culturais diferentes e fecha-se na sua própria cultura, originando algumas posturas claramente negativas como a xenofobia (ódio/repúdio por estrangeiros), o racismo (ódio/repúdio por outras raças ou elementos étnicos) e o chauvinismo (patriotismo acentuadíssimo).

Num posto intermédio, surge o relativismo cultural que, sendo um movimento que se centra na tolerância em relação à divergência cultural, não promove o diálogo e o intercâmbio entre valores culturais, preferindo fechar as portas a novas culturas, ou seja, as culturas alheias são indiferentes a quem apoia esta ideologia e, apesar de as respeitar, não tenta interagir com outras culturas. Por este motivo, volta verificar-se o racismo nos defensores do relativismo cultural, assim como o isolamento (o desinteresse entre culturas faz com que não se estabeleça contacto entre estas e o isolamento acaba por acontecer) e a estagnação (a grande vontade em manter as tradições faz com que exista uma visão estática das culturas, o que provoca a estagnação).

Por último, e em antítese ao etnocentrismo, aparece o interculturalismo, atitude promotora da tolerância e respeito entre culturas e promotora do contacto intercultural. Os interculturalistas procuram o encontro entre culturas, o diálogo e a compreensão mútua. Acima de tudo, acham que todas as culturas são igualmente válidas e ricas, que todas as culturas merecem o respeito das demais e que todas as culturas podem viver em harmonia e defendem que o enriquecimento de uma cultura passa pela convivência com as restantes.

Em suma, os etnocentristas rejeitam as culturas que não sejam a sua e fecham-se na sua própria cultura, recusando a partilha de valores culturais, o que origina atitudes como o racismo, a xenofobia ou o chauvinismo; os apologistas do relativismo cultural acreditam que todas as culturas são boas, mas que cada uma deve viver no seu espaço, preservá-la e não contactar com as outras; e os interculturalistas não só aceitam todas as culturas, como as colocam em pé de igualdade e fomentam a abertura cultural e a implementação do diálogo intercultural.

Ora, chegou a altura de dar a minha opinião e de me integrar num dos grupos. A decisão não é fácil. Desde logo, excluo por completo o etnocentrismo, por entender que não devemos impor as nossas ideias a ninguém a ninguém, mas sim demonstrar aos outros o porquê de nós estarmos certos. Além disso, cada individuo é moldado face à cultura em que se insere e é muito pouco provável, para não dizer impossível, que uma pessoa que nasça num espaço cultural se consiga abstrair por completo da cultura que o rodeia e se torne independente ou praticante de uma outra cultura. Quando somos novos não conseguimos discernir o certo do errado, nem conseguimos ser culturalmente independentes. Nenhuma criança portuguesa conseguirá praticar a cultura chinesa em Portugal, tendo familiares, amigos, comunicação social, etc. a oferecer-lhe a cultura portuguesa. É impraticável.         Nem sequer me parecem razoáveis atitudes xenófobas ou racistas e não me parece razoável atacar inocentes que nasceram em meios diferentes dos nossos mas que são pessoas como nós, com sentimentos como nós, apenas com princípios, ideias, pensamentos, organização socioeconómica, conceitos e preconceitos diferentes. Por estarmos tão apegados às nossas raízes culturais e identidades colectivas, vamos sempre presumir que a nossa cultura é melhor do que a dos outros. Muito dificilmente isso não acontecerá. Temos é que ter o bom senso de perceber isso e superar isso, aceitando as restantes culturas. Eu aceito e respeito as outras culturas.

Julgo posicionar-me numa posição muito próxima do interculturalismo, mas a única dúvida que subsiste em mim é: até que ponto será o interculturalismo benéfico para o mundo? É que, com o permanente diálogo intercultural e com a constante troca de informação entre culturas, as culturas deixarão de ser culturas. E é isso que está a acontecer. As culturas estão a desaparecer para dar lugar a uma cultura global à escala planetária em que os hábitos e as tradições se vão perdendo e todos nos ocidentalizamos. As culturas estão a desaparecer porque começa a existir demasiado contacto entre elas, porque se estão a fundir numa só, ao longo do tempo. É só por isso que continuo com dúvidas entre optar por me constituir defensor do relativismo cultural ou do interculturalismo. Porque no relativismo cultural impera o respeito pelas restantes culturas, mas dá-se espaço para que elas sobrevivam e permaneçam intactas, ao passo que o interculturalismo vai acabar por acabar com as identidades regionais e nacionais dos povos, vai acabar com as culturas. Dentro em breve, se o interculturalismo se propagar, teremos uma só cultura na Terra – a fusão de todas as culturas. E eu não sei até que ponto isso é positivo, nem sei ao certo – penso que ninguém saberá – quais as consequências que isso trará. Mas serão drásticas. O diálogo é positivo, sim, e eu gosto de conhecer as outras culturas e enriquecer o meu Eu obtendo conhecimentos relativos a outras culturas. O grande problema é perceber até que ponto será positivo o intercâmbio cultural, até que ponto será positiva a troca de ideias, e até que ponto isso não descaracterizará as culturas, fazendo com que todas se assemelhem e deixem de ser isso mesmo: culturas. Será preferível uma cultura global ou um conjunto de culturas distintas que se respeitem mas não se misturem em demasia? É essa a perturbação que encontro quando me pedem para escolher entre o relativismo cultural e o multiculturalismo. Não sei qual dos dois escolher e prefiro colocar-me numa posição neutra entre estes dois movimentos. Ainda assim, parece-me inevitável o contacto intercultural e o interculturalismo acaba sempre por suceder. Teremos uma cultura única daqui a alguns anos?

 

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