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Trabalhos de Educ. Tecnológica - 8º Ano

História do Papel

Autores: Eliana Barros

Escola: [Escola não identificada]

Data de Publicação: 12/06/2008

Resumo do Trabalho: O presente trabalho realizado no âmbito da Disciplina de Educação Tecnológica tem como principal objectivo conhecer e dar a conhecer a história e evolução do papel. Ver o Trabalho Completo

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História do Papel

História do Papel

O papel como suporte para escrita é o material mais usado nos dias de hoje, embora haja ainda a permanência de outros materiais.

Antes da criação do papel, em alguns países e/ou grupos humanos existiram maneiras curiosas do homem se expressar através da escrita. Na Índia, usavam as folhas de palmeiras, os esquimós utilizavam ossos de baleia e dentes de foca. Na China os livros eram feitos com conchas e cascos de tartaruga e posteriormente em bambu e seda. Estes dois últimos antecederam a descoberta do papel. Entre outros povos era comum o uso da pedra, barro e até mesmo a casca das árvores. As matérias-primas mais famosas e próximas do papel foram o papiro e o pergaminho. O primeiro, o papiro, foi inventado pelos egípcios e apesar de sua fragilidade, milhares de documentos em papiro chegaram até nos. O pergaminho era muito mais resistente, pois se tratava de pele de animal, geralmente carneiro, bezerro ou cabra e tinham um custo muito elevado. Os Maias e os Astecas guardavam seus livros de matemática, astronomia e medicina em cascas de árvores, chamadas de "tonalamatl".

A palavra papel é originária do latim "papyrus". Nome dado a um vegetal da família "Cepareas" (Cyperua papyrus). A medula dos seus caules era empregada, como já referido, pelos egípcios, há 2 400 anos antes de Cristo. Entretanto foram os chineses os primeiros a fabricarem o papel como o actual. Por volta do século VI a.C. os chineses começaram a produzir um papel de seda branco próprio para pintura e para escrita. O papel produzido após a proclamação da invenção, diferenciava-se desse, unicamente pela matéria-prima utilizada.

A maioria dos historiadores concorda em atribuir a T'sai Lun, um oficial da Corte Imperial Chinesa (150 d.C.) a primazia de ter feito papel por meio de polpação de redes de pesca e de trapos e mais tarde usado vegetais. Esta técnica foi mantida em segredo pelos chineses durante quase 600 anos. O uso do papel estendeu-se até os confins do Império Chinês, acompanhando as rotas comerciais das grandes caravanas. Até então a difusão da fabricação do papel foi lenta. Tudo parece indicar que a partir do ano 751 (d.C), quando os árabes, instalados em Samarkanda, grande entreposto das caravanas provenientes da China, aprisionaram 2 chineses que conheciam a arte do papel e a trocaram pela sua liberdade. Dai então foi possível a quebra do monopólio chinês com o início da produção de papel em Bagdá (795 d.C.).

A partir daquele momento a difusão do conhecimento sobre a produção do papel artesanal acompanhou a expansão muçulmana ao longo da costa norte da África ate a Península Ibérica.

Os primeiros moinhos papeleiros europeus localizaram-se na Espanha, em Xativa e Toledo (1085). Ao mesmo tempo via Sicília ou Palestina, o papel foi introduzido na Itália. Depois em 1184 chegou a França e então lentamente outros países começaram a estabelecer suas manufacturas nacionais.

Na América foi introduzido pelos colonizadores e no Brasil em 1809. A sua produção se deu desde então a nível industrial.

No fim do século XVI, os holandeses inventaram uma máquina que permitia desfazer trapos desintegrando-os até o estado de fibra. O uso dessa máquina que passou a chamar-se de "holandesa", foi se propagando e chegou até os nossos dias sem que os sucessivos aperfeiçoamentos tenham modificado a sua ideia básica.

No fim do século XVIII, a revolução industrial amenizou a constante escassez de matéria-prima para a indústria de papel e aumentou a demanda criando um mercado com grande poder de consumo. Em fins do século XVIII e princípios do século XIX a indústria do papel ganhou um grande impulso com a invenção das máquinas de produção contínua e do uso de pastas de madeira.

Há aproximadamente 15, 20 anos é que no Brasil, artistas plásticos vêem resgatando e difundindo as técnicas de produção do papel artesanal.

 

A Origem do papel

A origem do papel data do ano 105 A. C.

Foram encontradas peças em escavações nos arredores da cidade de Hulam, na China. Presume-se que o inventor foi Ts'ai Lun, um alto funcionário da corte do imperador Chien-Ch'u, da dinastia Han (206 A.C. a 202 D.C.) contemporânea do reinado de Trajano em Roma.

A transferência da invenção chinesa para os árabes ocorreu com a captura, pelos árabes, de artesãos chineses, e em Bagdá no final do século VIII (795 D.C.) já se conhecia a fabricação de papel. A manufactura do papel artesanal acompanhou a expansão muçulmana ao longo da costa norte da África até a Península Ibérica. Em Xavita, 1085 D.C., foi instalado o primeiro moinho papeleiro da Europa, ainda na região dominada pelos mouros. Só depois que a fabricação de papel se instalou em Fabriano (Itália), em 1260, é que a produção de papel se disseminou por toda a Europa. Também se deve ao moinho de Fabriano a primeira marca d'água no papel.

A primeira máquina de fabricação de papel foi introduzida por Nicholas-Louis Robert, em 1797. Em 1809 John Dickinson fez a primeira máquina cilíndrica, iniciando o método moderno de fabricação de papel.

 

O Papel no Egipto

Muito da História do Egipto nos foi transmitido pelos rolos de papiro encontrados nos túmulos dos nobres e faraós. Foram os egípcios que, por volta de 2200 antes de Cristo, inventaram o papiro, espécie de pergaminho e antepassado do papel.

Papiro é uma planta aquática existente no delta do Nilo. Seu talo em forma piramidal chega a ter de 5 a 6 metros de comprimento. Era considerada sagrada porque sua flor, formada por finas hastes verdes, lembra os raios do Sol, divindade máxima desse povo. O miolo do talo era transformado em papiros e a casca, bem resistente depois de seca, utilizada na confecção de cestos, camas e até barcos.

Para se fazer o papiro, corta-se o miolo do talo - que é esbranquiçado e poroso - em finas lâminas. Depois de secas em um pano, são mergulhadas em água com vinagre onde permanecem por seis dias para eliminar o açúcar. Novamente secas, as lâminas são dispostas em fileiras horizontais e verticais, umas sobre as outras. Esse material é colocado entre dois pedaços de tecido de algodão e vai para uma prensa por seis dias. Com o peso, as finas lâminas se misturam e formam um pedaço de papel amarelado, pronto para ser usado.

Fig.1 – Pintura sobre lâmina de papiro, proveniente do Egipto

 

Fig.2 – Olho de Horus

 

O Papel na China

No século II, a China começou a produzir papel para escrita com fibras de cânhamo ou de casca de árvore. Segundo os registros da "História do Período Posterior da Dinastia Han" do século V, o marquês TSai Lun (?-125 d.C.) dos Han do Este (25-220 d.C.) produziu papel a partir de 105 d.C com materiais baratos - casca de árvore, extremidades de cânhamo, farrapos de algodão e redes de pesca rasgadas. O uso do papel vulgarizou-se, a partir de então; e o papel era conhecido entre o povo como "papel TSai Lun".

A partir de então, o papel começou a substituir o bambu, madeira e seda. Nos séculos seguintes, os processos tecnológicos e equipamentos para a produção de papel desenvolveram-se mais ainda. O papel e métodos de fabricação deste material foram primeiramente introduzidos no Vietnam e Coreia: e depois da Coreia para o Japão. Os países árabes aprenderam com a China a produzir papel nos meados do século VIII, e dali a técnica expandiu para a Europa e o resto do mundo.

 

Fig.3 – Manuscrito em papel chinês encontrado em 1907 nas ruínas da Grande Muralha da China datado de aproximadamente 150d.C.

 

Fig.4 – Dinastia Han

 

O Papel no Japão

Hoje, como antigamente, fazer papel a mão, no Japão, é frequentemente realizado como uma fonte de renda fora da estação pelos pequenos fazendeiros que vivem em aldeias nas montanhas, onde há pouca terra para cultivo de arroz mas uma abundância de boa água limpa nos riachos.

Quando o fim do ano chega e a colheita do arroz acaba, esses fazendeiros invariavelmente se ocupam com a feitura de papel.

Em um certo sentido, o trabalho é hereditário, sendo desempenhado em uma pequena escala, em casa, pelos membros capazes de cada família. Os métodos empregados são antiquíssimos e têm sido passados através de gerações sucessivas com pequenas mudanças. A estação para fazer papel difere de acordo com as localidades nas quais ele é feito. Ela geralmente começa no fim de Novembro ou início de Dezembro e termina em Abril ou Maio do ano seguinte.

Nesta época do ano os fazendeiros que fazem papel como trabalho paralelo encontram-se muito ocupados pois eles têm muito o que fazer no transplante de mudas de arroz e na criação de bicho-da-seda.

Seja feito a mão ou a máquina muitos papéis japoneses usam fibras vegetais como matéria-prima. Entre essas fibras o gampi, kozo e mitsumata constituem o trio principal de materiais. Papel de gampi é considerado nobre; o de kozo, forte; e o de mitsumata, delicado. Para fazer papel japonês é comum usar um material muscilaginoso vegetal que é comburente chamado neri.

Há vários tipos de neri, o mais comum é o tororo, uma substância proveniente das raízes do crescimento do primeiro ano da planta tororo, que é um tipo de malvácea. A função do tororo é fazer com que as fibras flutuem uniformemente na água. Outra função é retardar a velocidade de drenagem resultando assim uma folha de papel melhor formada.

 

Fig.5 - Matérias-primas para papel japonês

 

O Papel no Mundo

O papel tem sua história ligada a legítimos e nobres ascendentes. Além das placas de argila, ossos, metais, pedras, peles, o homem escreveu, desenhou, e pintou em papiro, sobre o líber e logo a seguir em pergaminho.

O mais antigo papiro já encontrado data por volta de 2200 a.C., e pertence ao Museu Britânico; o papiro foi o suporte de escrita de uso corrente até os primeiros séculos da era Cristã, em toda Europa, regiões asiáticas, e naturalmente, África, de onde se originou.

O pergaminho tornou-se o principal suporte de escrita durante quase toda a idade Média. Havia ainda o palimpseto, cuja palavra designa o pergaminho já usado e reaproveitado.

O fenómeno do reaproveitamento do papiro repetia-se assim, com relação aos pergaminhos.

Com a introdução do papel na Europa, os outros suportes de escrita e desenho desapareceram, restando a lembrança do papiro, na palavra papel, paper, papier.

Foi longa e lenta a rota do papel a partir da sua invenção em 105 d.C. por T'sai Lun.

O papel só conseguiu atingir a Europa 10 séculos mais tarde, por caminhos tortuosos e difíceis.

Os árabes o produziam, comercializavam-no, e o transportavam da Ásia pelo norte da África, e de Alexandria, Trípoli e Tunísia, faziam-no chegar à Espanha, e em seguida à França.

Outros países que produzem papel artesanal de maneira rudimentar e ancestral são: Índia, Paquistão, Nepal, Tibet, etc.

Com a descoberta da América, encontrou-se um papel semelhante ao papiro produzido pelos Maias e pelos Aztecas chamado Amatl. O processo de feitura difere do papiro, e é fabricado ainda hoje na cidade de San Pablito, México, e constitui fonte de renda para seu povo.

O Liber, palavra latina, é a entre-casca de árvore usada para fazer papel dando origem a palavra Livro.

Era usual escrever-se em folhas de plantas na China, daí a origem da expressão 'folha de papel'. A palavra grega Biblos era a designação feita a várias folhas escritas sobre papiro, originando assim a palavra Bíblia.

 

Fig.7 – Roteiro do papel artesanal no mundo

 

O Papel no Brasil

 

A primeira fábrica de papel no Brasil entre 1809 e 1810 no Andaraí Pequeno (Rio de Janeiro), foi construída por Henrique Nunes Cardoso e Joaquim José da Silva, industriais portugueses transferidos para o Brasil. Deve ter começado a funcionar entre 181O e 1811, e pretendia trabalhar com fibra vegetal. Outra fábrica aparece no Rio de Janeiro, montada por André Gaillard em 1837 e logo em seguida em 1841, tem início a de Zeferino Ferraz, instalada na freguesia do Engenho Velho.

O português Moreira de Sá proclama a precedência da descoberta do papel de pasta de madeira como estudo de seu laboratório, e produto de sua fábrica num soneto de sua autoria, dedicado aos príncipes D. João e Dona Carlota Joaquina impresso na primeira amostra assim fabricado:

“A química e os desejos trabalharam

não debalde, senhor, que o fruto é este

outras nações a tanto não chegaram."

A vinda de Moreira de Sá ao Brasil coincide com as experiências de Frei Velozo em 1809 quando produziu o papel de imbira e experimentava seu fabrico com outras plantas.

Marlene Trindade, Artista e Professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, foi quem criou no ano de 1980 o Atelier de Artes da Fibra, onde se deu início à pesquisa do papel artesanal no Brasil. Participaram neste Atelier, que teve a duração de um semestre, Diva Elena Buss, Joice Saturnino, Nícia Mafra, e Paulo Campos. Com o incentivo de Marlene desvendaram-se os mistérios do papel a partir de um livro por ela elaborado.

Marlene preparou um novo curso para o Festival de Inverno de Diamantina/MG, que gerou novos papeleiros. A semente que ela plantou, germinou, cresceu, e deu muitos frutos. A partir deste novo começo, nunca mais se parou de pesquisar e produzir papel artesanal no Brasil.

 

O Papel na Europa

 

Antes da utilização da matéria-prima lenhosa

Depois das primeiras produções na Itália e na Alemanha, o fabrico do papel na Europa foi-se generalizando pelas diferentes regiões e as técnicas utilizadas foram sendo aperfeiçoadas.

Um importante progresso foi o de introdução de maços na preparação do trapo já limpo e desfiado para o reduzir a uma pasta que depois de macerada era lançada nas formas mergulhadas em celhas.

As vantagens desta técnica que se espalhou pela Europa nos séculos XV e XVI são óbvias. Não obstante os consideráveis investimentos de tempo e capital para construir e equipar uma fábrica e garantir a sua operacionalidade, a mudança do processo de produção graças à divisão do trabalho, aumentou a produção e melhorou a qualidade dos papéis produzidos.

Mas o fabrico continuou a processar-se em bases artesanais. O trabalho na "celha" ocupava quatro pessoas: o "celheiro" que fazia as folhas utilizando o molde, o encarregado da água e das folhas trabalhando em conjunto com o "celheiro" é quem coloca as folhas sobre o feltro e as retira ainda húmidas após prensagem sendo o aprendiz encarregado de colocar a pasta na celha e garantir o seu aquecimento.

A prensa era manuseada conjuntamente por este grupo e o rendimento embora dependente do formato e do peso da base podia atingir um máximo de nove resmas (4 500 folhas) de papel produzidas por dia de trabalho que tinha em média 13 horas.

O progresso técnico continuou. No século XVI o alisamento manual das folhas com a faca de vincar ou com pedra de ágata foi substituindo pelo uso de martelos de amaciar, semelhantes a martelos de ferreiro o que provocou uma cisão na profissão, indo os "amaciadores" tradicionalistas para um lado e os modernos "stampers" para outro, não se reconhecendo mutuamente como autenticos fabricantes de papel.

Nos finais do século XVII uma nova invenção dividiu os "papeleiros" em mais dois novos campos. Tratou-se da introdução de um batedor muito mais eficiente o chamado "hollander" que suplantou ou mesmo substitui o moínho de esmagar o trapo.

O tremendo incremento no fabrico de papel durante e após o século XVI por influência da "Reforma" e da impressão com caracteres móveis, conduziu rapidamente a uma grave escassez da matéria-prima e à regulamentação do comércio do trapo.

A procura sistemática de substitutos para o trapo durante e após o século XVIII pouco sucesso teve. A palha foi de facto uma hipótese devido à situação agravada pela introdução das primeiras máquinas de papel verdadeiramente eficientes a partir de 1825, mas não conseguiu impor-se devido à baixa qualidade do papel produzido. Somente a invenção da pasta mecânica de madeira pelo alemão Keller e da pasta química (primeiras patentes em 1854: Mellier Watt) vieram resolver este problema.

É interessante e de justiça referir que em Portugal e em 1798 Francisco Joaquim Moreira de Sá prepara a construção da fábrica de papel da Cascalheira junto ao rio Vizela que só em 1802 se concretizou ensaiando então o fabrico de papel com a massa de madeira sob a orientação do inglês Thomas Bishop.

Infelizmente esta iniciativa não sobreviveu ao período conturbado das invasões francesas, que obrigaram Moreira de Sá a emigrar para o Brasil em 1808.

Como já se referiu ainda no século XVIII, a escassez do trapo em toda a Europa incentivou a procura de nova matéria-prima fibrosa para fabricar papéis e a madeira e o algodão, foram das alternativas consideradas.

No século XVIII assistiu-se a algumas concentrações de actividades artesanais em grandes operações - as manufacturas - que no entanto continuaram dependentes de hábeis " papeleiros" organizados em associações artesanais livres. Os esforços para aumentar a produção e também para ultrapassar as regras restritivas impostas pelos " papeleiros " tradicionais culminaram com a concepção e construção de máquinas de papel. A primeira que se construiu com moldes horizontais foi-o em 1798 na Inglaterra por J.N.L. Roberts a qual foi depois melhorada por Danking e pelos irmãos Fourdrimir.

Pouco tempo depois outros tipos de máquinas apareceram como as de moldes de arame transportados numa cadeia sem fim e em que a pasta era estendida num feltro também sem fim, e também a máquina de cilindros de Dickinson.

Durante o século XIX continuaram a construir-se máquinas com moldes horizontais ou de cilindros e foram acrescentadas com uma secção de secagem (secaria) e continuamente aperfeiçoadas nos seus detalhes o que levou rapidamente a um considerável alargamento da teia de papel e ao aumento das velocidades de produção.

Estava iniciada a industrialização e com ela muitos pequenos produtores incapazes ou desinteressados em adquirir máquinas, procuraram sobreviver trabalhando à peça ou produzindo tipos especiais de papel mas uns mais cedo outros mais tarde foram obrigados a interromper as suas actividades.

Outros tiveram que adaptar os edifícios que possuíam para neles instalar máquinas ou construir novas fábricas noutros locais.

Todo este esforço para progredir fez-se mantendo praticamente a mesma matéria prima fibrosa o " trapo "cujo manuseamento era no dizer de Karl Marx " … uma das espécies de trabalho mais suja e pior paga para a qual são escolhidas de preferência mulheres e raparigas… As trapeiras são o veículo de propagação de varíola e outras doenças infecciosas e elas próprias as suas primeiras vítimas".

 

Fig.8 – Fabrico do papel na Europa antes da matéria-prima lenhosa.

 

Após início da utilização da matéria-prima lenhosa

Como já se referiu depois da tentativa portuguesa em Vizela em 1803 de utilizar madeira como matéria-prima para o fabrico de papel, só na segunda metade do século XIX é que a madeira começa de facto e progressivamente a substituir os trapos.

O processo é naturalmente lento e em Portugal ainda se fabricava papel de " trapos " nos anos 50 do século XX.

Em termos gerais podem considerar-se a partir de 1840 os seguintes períodos na História do fabrico do papel na Europa.

No período aproximado de 1840 a 1880 desenvolveram-se como se disse, esforços para encontrar substitutos para o trapo em escala industrial e assim aparecem as pastas mecânicas e químicas de madeira, produzidas frequentemente em unidades industriais especializadas – as fábricas de pasta ou de celulose.

O período aproximadamente de 1860 a 1950 foi caracterizado pelo aumento da velocidade de trabalho, introdução da energia eléctrica, novos aperfeiçoamentos em várias partes das máquinas de papel, o desenvolvimento de máquinas especialmente concebidas para produzirem tipos particulares de papel e cartão (por exemplo: cilindro yankee, máquina de cilindros múltiplos). A largura da teia aumentou de 85 cm em 1830 para 770 cm em 1930 enquanto as velocidades de produção passaram de 5 m /min (1820) para mais de 500 m/min (1930).

A partir de 1950 e até 1980 verificaram-se mudanças sem precedentes no fabrico do papel. Paralelamente a mais aumentos na largura da teia e na velocidade de fabrico são introduzidos novos materiais (pastas termo-mecânicas, papéis usados destintados, novos aditivos, novos produtos químicos e corantes, novas opções para a formatagem das folhas (formatadores de dupla teia), colagens neutras, maior ênfase na protecção do ambiente (circuitos fechados) e acima de tudo a automatização. O impacte operacional destas mudanças é claramente visível: especialização de certos tipos de papéis, desenvolvimento dos novos tipos (papel LWC); fusões de empresas, expansão de grupos empresariais com organizações próprias de produção e abastecimento de matéria prima lenhosa e de comercialização, interrupção de operações não lucrativas.

Portugal foi o primeiro país a produzir pastas químicas de eucalipto: ao sulfito em 1923; ao sulfato em 1957.

Depois de 1980 caminha-se claramente para o futuro. Novos principios para a formação das folhas (com fronteiras difusas entre papel e têxteis não tecidos) e novos processos de produção de pastas químicas e também a situação no mercado mundial (aumento da procura principalmente no terceiro mundo, tendências dos preços da pasta química, problemas de localização) estão novamente a conduzir ao aumento da intensidade do capital, motivando a formação de grandes grupos empresariais com operações à escala internacional. Simultaneamente aparecem claras oportunidades para que empresas pequenas e médias satisfaçam localmente procuras específicas.

O papel de aspecto e qualidade relativamente uniforme que existiu na Europa da Idade Média foi substituído por uma grande variedade de tipos e para isto contribuiriam não só os progressos verificados nas técnicas de impressão e reprodução tipográfica mas também a versatilidade daquele produto natural, sustentável e ambientalmente puro.

Portugal acompanhou sempre na vanguarda esta evolução histórica da produção de papel na Europa.

Actualmente a indústria papeleira portuguesa (100% da produção de pastas e 90% da produção de papel e cartão) encontra-se associada numa instituição a CELPA - que tem como finalidade apoiar as empresas suas associadas na defesa dos seus interesses comuns e no desenvolvimento do Sector no sentido de se conseguir a Gestão Sustentada da Indústria Papeleira Portuguesa.

A Floresta tem uma importância fundamental para a Indústria Papeleira Portuguesa a qual além de continuar a contribuir para a sua expansão desempenha um papel essencial na protecção e melhoramento deste recurso natural. Os princípios a que as acções neste campo devem obedecer estão estabelecidos na "Iniciativa Ibérica para a Gestão Sustentável das Florestas " subscrita pelas principais entidades públicas e privadas de Portugal e da Espanha com interesses nos produtos florestais. A Indústria Papeleira Portuguesa desde longa data vem assumindo as suas responsabilidades no que respeita ao controle dos impactes ambientais com origem nas suas actividades.

Na última década as fábricas de pasta e de papel têm conseguido reduções significativas dos poluentes nos efluentes líquidos e nas emissões gasosas para a atmosfera.

Estas melhorias, conjuntamente com a diminuição dos consumos de água e de energia foram o resultado de investimentos importantes quer nas instalações de produção quer em instalações de tratamento de efluentes externas ao processo de produção.

Cronologia do papel

  • 105 a.C. – A invenção do papel é atribuída a T’sai Lun na China, fabricado a partir de fibras de cânhamo trituradas e revestidas de uma fina camada de cálcio, alumínio e sílica.

  • 611 d.C. - Instalam-se manufacturas do papel na Coreia.

  • 794 - Instala-se a fabricação de papel para o comércio, primeiro em Damasco, depois em Bagdá.

  • 807 - Produção de papel em Kioto, no Japão.

  • 877 - Nota-se a existência do papel sanitário.

  • 900 - O papel é fabricado no Egipto pelos árabes.

  • 950 - O papel chega pela primeira vez na Espanha através de livros.

  • 998 - O papel-moeda é o meio circulante da China.

  • 1000 - Dois árabes fazem uma escrita a respeito dos métodos de fabricação do papel.

  • 1150/1151 - Os árabes chegam à Espanha fixando-se numa região de Valencia (Xavita) sendo instalado o primeiro ponto de fabricação da Europa.

  • 1282 - Introdução da marca d'água por Fabriano: cruzes e círculos.

  • 1285 - Marca d'água na França: flor de Liz.

  • 1309 - Início da utilização do papel na Inglaterra.

  • 1320 - Chegada do papel na Alemanha.

  • 1390 - Instalação da primeira indústria na Alemanha.

  • 1405 - Chegada do papel na região de Flandres, levado por um espanhol.

  • 1450 - Invenção da imprensa -Johannes Guttemberg e consequente procura por papel.

  • 1550 - Comercialização do papel de parede proveniente da China pelos espanhóis e holandeses em toda a Europa.

  • 1719 – O naturalista francês Reaumur sugere o uso da madeira como matéria prima para o fabrico de papel, ao observar que as vespas mastigavam madeira podre e empregavam a pasta resultante para produzir uma substância semelhante ao papel na confecção dos seus ninhos.

  • Meados do Séc. XIX – surge a demanda de papel para a impressão de livros, jornais e fabricação de outros produtos de consumo, levando á busca de fontes alternativas de fibras a serem transformadas em papel.

  • 1809 - Começa a fabricação de papel no Brasil, no "Andaraí Pequeno", Rio de Janeiro.

  • 1838 – Produção de pasta de palha branqueada

  • 1840 – Na Alemanha, desenvolve-se um processo para a trituração de madeira. As fibras são separadas e transformadas no que passou a ser conhecido como “pasta mecânica” de celulose.

  • 1854 – É patenteado na Inglaterra um processo de produção de pasta celulósica através de tratamento com soda cáustica. A lignina, cimento orgânico que une as fibras, é dissolvida e removida, surgindo a primeira “pasta química”.

  • 1860 – Invenção do papel couché. Lançamento do papel higiénico em forma de rolo. Surgem na Finlândia as primeiras leis sobre práticas de silvicultura.

  • 1920/1930 - Importante década para o desenvolvimento do papel no Brasil.

Conclusão

O papel é considerado o principal suporte para a difusão da escrita, da informação e de todo o conhecimento humano. Antes do descobrimento do papel, o homem utilizou os mais diferentes materiais para o registro de sua existência, tais como folhas, cascas de árvores, couro, tecidos, pedras, barro e metais.

O papel surgiu na China no início do século II, inventado por T'Sai Lum, um oficial da Corte que teria fabricado o papel a partir de córtex de plantas, tecidos velhos e fragmentos de redes de pesca. Depois dessa invenção, o mundo não seria mais o mesmo.

Curiosamente, o papel levou muito tempo até chegar ao Ocidente: antes foi largamente difundido entre os árabes, que instalaram a primeira fábrica de papéis na Europa, após a invasão da península Ibérica, mais precisamente na cidade de Játiva, na Espanha, em 1150.

Os papéis são fabricados com a polpa de fibras vegetais, procedentes de várias espécies como o eucalipto, algodão e outros. Os papéis mais comuns são feitos de fibras de madeira, enquanto os mais nobres são produzidos com fibras de algodão ou linho.

A madeira é transformada em pasta de celulose por meio de processo mecânico ou químico, sendo esta última de melhor qualidade, também chamada de celulose alfa. Para transformá-la em papel, esta pasta é misturada à água, formando uma mistura líquida e homogénea.

Em alguns tipos de papéis, outros componentes são adicionados à pasta, como cola, pigmentos e agentes conservantes. A qualidade das fibras utilizadas, juntamente com estes componentes, determina a qualidade do papel. Para passar do estado de pasta, formando a folha de papel, a maior parte da água é retirada através da aplicação de muitos tipos de rolos de pressão e inicia-se a formação da folha ainda húmida.

O processo de secagem da folha se dá a quente, ou ao ar livre, como ocorre com alguns papéis artísticos.

Bibliografia

- www.comofazerpapel.com.br

 

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