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Trabalhos de Filosofia - 11º Ano

O Empirismo, apriorismo e criticismo

Autores: Adriana Isabel

Escola: Escola Secundária Augusto Cabrita

Data de Publicação: 12/05/2007

Resumo do Trabalho: Trabalho em que é abordado o tema do empirismo, apriorismo e criticismo, realizado no âmbito da disciplina de Filosofia (11º ano). Ver o Trabalho Completo

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O Emprismo, apriorismo e criticismo

Empirismo

O empirismo é uma das possíveis respostas da origem do conhecimento.

O empirismo afirma que o conhecimento provem exclusivamente da experiência e assim vai desvalorizar a razão.

O empirismo diz que o homem quando nasce está vazio de conhecimento, que não conhece nada.

O empirismo nega as ideias inatas. O princípio do empirismo são as impressões. Seguidamente juntamos todas as impressões e formamos uma impressão complexa.

Hume verifica em 1º lugar que o homem possui por um lado impressões e por outro ideias. Por impressão, ele entende a sensação imediata da realidade exterior. Por ideia entende a recordação dessa sensação.

Podemos dizer que a impressão sensível é o original e a ideia ou recordação é a cópia pálida.

Hume daria razão a Descartes quanto á importância de se construir um raciocínio a partir da base.

Informação central do empirismo: Não há nada na nossa mente que não tenha passado pelos sentidos.

Para Hume qualquer ideia tem origem numa impressão e deve poder relacionar-se com a informação correspondente.

Segundo Hume a nossa razão pode juntar ideias resultantes de diferentes impressões e construir uma ideia complexa de algo que não existe. Assim, Hume tem a preocupação de examinar as ideias complexas para :

- Determinar as ideias simples que as constituem

- Verificar se essas ideias simples têm ou não uma impressão que lhe corresponda

- Decidir se são ideias falsas de coisas que não existem na realidade, por não terem fundamento numa impressão correspondente Neste caso, segundo Hume, Deus é uma ideia falsa e inventada pelo homem.

Vejamos: Ninguém nunca observou Deus, ninguém nunca teve nenhuma experiência sensível Dele, temos sim experiência das ideias simples que o constituem, como "inteligência", "bondade" ,"sabedoria", etc.. Assim podemos perceber que a ideia de Deus segundo Hume e falsa pois não temos nenhuma impressão sensível que lhe corresponda.

Hume não era católico, era agnóstico. Um agnóstico é uma pessoa que não sabe se Deus existe.

Porém Hume não rejeitou nem a Crença em Cristo nem a crença em milagres. Mas em ambos os casos se trata justamente de fé e não de razão.

Hume sublinha que os homens têm uma forte necessidade de acreditar naquilo que hoje chamaríamos de sobrenatural. Hume recusava os milagres simplesmente porque nunca tinha visto nenhum. Mas ele também não viu que não pode haver milagres.

Assim, podemos concluir que estamos perante uma ideia verdadeira quando esta tiver uma impressão que lhe corresponda.

A ideia de causalidade

A lei da causalidade diz que tudo o que acontece tem de ter uma causa .

A ideia de causalidade segundo Hume é falsa pois não tem uma impressão que lhe corresponda, pois aqui temos é uma sucessão de fenómenos tal como uma pedra a cair, pois até hoje aconteceu mas não podemos afirmar que amanha irá acontecer.

Hume diria que viste muitas vezes uma pedra a cair no chão, mas nunca viste que cairá sempre. Normalmente diz-se que a pedra cai ao chão devido á lei da gravidade. Mas nós nunca vimos essa lei. Só vimos que as coisas caem.

Estamos tão habituados que uma coisa se siga à outra que esperamos que, cada vez que deixamos cair uma pedra, suceda o mesmo. Deste modo, surgem ideias daquilo a que chamamos " leis constantes da natureza".

Assim temos que, a lei da causalidade:

- Resulta da confusão entre sucessão cronológica e correlação causal necessária

- não pode ser afirmada como tendo existência real para além da nossa consciência

Hume também faz uma crítica á indução por não lhe fazer corresponder nenhuma impressão. Assim confundimos a expectativa psicológica , baseada nas impressões sensoriais, com uma certa lógica daquilo que aconteceu num certo numero de casos observados, irá sempre acontecer.

Hume afasta o dogmatismo pois este faz a classificação das ideias para ver se estas são verdadeiras ou falsas, assim tem um cepticismo moderado e este funciona como uma espécie de teste.

Em relação á ética e à moral, Hume também se opôs ao pensamento racionalista. Os racionalistas achavam que era inerente á razão humana a distinção entre o justo e o injusto. Esta concepção do direito natural apareceu-nos em muitos filósofos de Sócrates a Locke. Mas Hume não acredita que seja a razão a determinar aquilo que dizemos e fazemos, mas sim os sentimentos.

Segundo Hume todos os homens tem sensibilidade para o bem estar dos outros.

Temos portanto a capacidade de compaixão. Mas nada disso tem a ver com a razão.

Para Hume não era irracional preferir a destruição de todo o mundo a uma arranhadela no dedo.

Em síntese:

©Para o empirismo, todo o conhecimento tem origem na experiência.

©A mente elabora ideias complexas, algumas das quais podem ser falsas se não tiverem nenhuma impressão correspondente.

©Para Hume, ideias como a de Deus são complexas e provêm da capacidade combinatória da razão. Não tendo origem em nenhuma impressão, são ilusões e devem ser rejeitadas.

©Passa-se o mesmo com a ideia de causalidade que nos faz pensar que determinado fenómeno é provocado por outro, quando as nossas impressões apenas nos revelam que ocorrem um a seguir ao outro. Por esta razão, não podemos considerar que existe causalidade na Natureza.

©O empirismo de Hume é também um cepticismo moderado ou um probabilismo

Apriorismo e criticismo

Para Kant a sua fé cristã foi uma base importante para a sua filosofia .

Sabemos que os racionalistas consideravam que o fundamento de todo o conhecimento humano residia na razão. E sabemos ainda que os empiristas achavam que todo o conhecimento sobre o mundo provinha da experiência sensível . Hume tinha apontado para o facto de existirem claros limites no que diz respeito ás conclusões a que podemos chegar com a ajuda das nossas impressões sensíveis.

Ele achava que todos tinham de certa forma razão , mas também que todos estavam parcialmente errados. A questão que os preocupava era aquilo que podemos saber sobre o mundo. Esse foi o projecto filosófico comum a todos os filósofos depois de Descartes. Estavam em debate duas possibilidades: O mundo é exactamente como o percepcionamos—ou como a nossa razão o representa?

Kant achava que tanto as sensações como a razão tinham um papel importante no nosso conhecimento do mundo. Ele defendia que os racionalistas davam demasiada importância à razão e que os empiristas defendiam de forma parcial a experiência sensível.

É um facto que a experiência é essencial mas essa experiência é moldada a priori. A experiência tem de ser moldada a determinada forma.

Os dados da experiência são como a água e a nossa razão é como o vaso que vai dar forma a essa água.

Assim, a razão dá forma aos dados dos sentidos que vão depois ser a nossa experiência.

A sensibilidade recebe os dados e o entendimento, a nossa razão, é que molda essa informação.

A forma é dada pelo tempo e pelo espaço.

Segundo Kant, também existem condições na nossa razão que influenciam todas as nossa experiências.

Tudo o que vemos, é visto primeiro como fenómeno no tempo e no espaço.

Segundo Kant, o tempo e o espaço eram as duas formas de intuição do homem.

Ele sublinha que estas duas formas na nossa consciência são anteriores a qualquer experiência. Isso significa que podemos saber, antes de percepcionarmos alguma coisa, que a vamos ver como fenómeno no tempo e no espaço.

Kant explica que o tempo e o espaço pertencem á própria condição humana.

Tempo e espaço são sobretudo propriedades da nossa consciência e não propriedades do mundo.

Podemos comparar com o que se passa quando deitamos água num jarro de vidro.

A água toma a forma do jarro. Do mesmo modo as nossas sensações ajustam-se ás nossas formas de intuição.

Também a lei da causalidade, que segundo Hume os homens não podiam percepcionar , é para Kant um elemento da razão humana.

A lei da causalidade é sempre e absolutamente válida pelo facto de a razão humana ver tudo o que acontece como relação entre causa e efeito.

Kant está de acordo com Hume em não podermos saber em segurança o que o mundo é "em si". Apenas podemos saber como o mundo é "para mim" .

Nós nunca podemos saber com segurança o que as coisas são em si mesmas.

Por sermos seres humanos, procuramos forçosamente a causa de cada acontecimento. A lei da causalidade faz parte do que nos constitui.

Hume diria que não podemos sentir nem provar as leis da Natureza, mas Kant não se conformava com isso. Acreditava poder provar a validade absoluta das leis da Natureza as mostrar que na realidade estamos a falar de leis do conhecimento humano.

Por um lado, temos as condições exteriores, das quais nada podemos saber antes de as percepcionarmos. Podemos dizer que são a matéria do conhecimento. Por outro lado, temos as condições interiores do próprio homem.

As questões: Se o homem possui uma alma imortal, se Deus existe, se a natureza é constituída por partes indivisíveis, se o Universo e infinito ou finito.. São questões das quais Kant dizia que o homem nunca poderia atingir o conhecimento seguro destas questões.

Kant achava que nestas grandes questões filosóficas, a razão operava fora dos limites daquilo que o homem pode conhecer. Por outro lado, era inerente à razão humana, a necessidade de colocar essas questões.

Quando por exemplo, perguntamos se o universo e finito ou infinito perguntamos sobre um todo do qual nós mesmos somos uma parte extremamente pequena. E nunca podemos conhecer este todo completamente.

A questão da existência de Deus, segundo os racionalistas tinham tentado provar que Deus existe porque temos a ideia de um ser perfeito.

Kant rejeitou a provas da existência de Deus. Nem a razão nem a experiência tem um fundamento seguro, segundo Kant, para afirmar que Deus existe. Para a razão é tão provável como improvável que Deus exista.

Mas Kant fez mais do que verificar que estas questões importantes tinham de ser deixadas no domínio da fé. Para ele, a suposição de que o homem tem um alma imortal, que Deus existe e que o homem tem livre arbítrio era uma condição imprescindível para a moral.

Mas, ao contrário de Descartes, Kant sublinha expressamente que não foi a razão que o levou até aí, mas a fé. Ele mesmo afirmava que a crença numa alma imortal e inclusivamente a crença na existência de Deus e no livre arbítrio do homem eram postulados prático.

Postular significa afirmar uma coisa que não pode ser provada.

Assim, postulados práticos, Kant entende algo que tem de ser afirmado para a acção do homem e por conseguinte para a sua moral. " É moralmente necessário pressupor a existência de Deus" afirmou.

 

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