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Trabalhos de Estudantes Trabalhos de Filosofia - 11º Ano |
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Os Dois Usos da Retórica Autores: Patrícia Guedes Escola: Escola Secundária Dr. João de Araújo Correia Data de Publicação: 12/04/2007 Resumo do Trabalho: Trabalho em que é abordado o tema da retórica e das duas utilizações que lhe podem ser dadas, realizado no âmbito da disciplina de Filosofia (11º ano). Ver o Trabalho Completo Comentar este trabalho / Ler outros comentários Se tens trabalhos com boas classificações, envia-nos, de preferência em word para notapositiva@sapo.pt pois só assim o nosso site poderá crescer. |
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Os Dois Usos da Retórica O conceito de retórica é conhecido: caracteriza-se pela a arte de bem falar diante de um público para ganhar a sua causa. Isto vai da persuasão à vontade de agradar: tudo depende da causa que se apoia e do que motiva alguém a dirigir-se a outrem. O carácter argumentativo está presente desde o início: justificamos uma tese com argumentos de forma a torná-los mais credíveis, mas o adversário faz exactamente o mesmo: neste caso, a retórica não se distingue em nada da argumentação. Para os antigos, a retórica englobava tanto a arte de bem falar – ou eloquência – como o estudo do discurso ou as técnicas de persuasão até mesmo de manipulação. Podemos classificar a retórica em dois sentidos opostos: o bom e o mau uso da retórica. Fala-se de bom uso da retórica, ou de retórica branca, quando se permite que os elementos do auditório ajuízem e se expressem de modo congruente e crítico. A este respeito fala-se de uso ético da retórica ou de persuasão. Relativamente ao mau uso da retórica ou retórica negra, este aplica-se quando a argumentação degenera numa forma de ludibriar o auditório, em função de abuso da retórica ou de manipulação. Persuadir não é a mesma coisa que manipular. A grande diferença reside na intenção do orador. No caso da persuasão, o objectivo é apenas provocar a adesão, apelando a factores racionais e emocionais. O poder da persuasão é tão antigo como a humanidade. O sucesso da persuasão vai além da força dos seus argumentos, diz respeito também a personalidade credível e responsável do orador. O modo como os outros o encaram enquanto profissional e pessoa e o timing certo (hora H) e adequado são factores decisivos. Por exemplo, a altura em que se pede um aumento de salário é tão ou mais importante do que o modo como o faz. O vestuário, a voz, a simpatia, a energia e o entusiasmo são também imprescindíveis e determinantes. No caso da manipulação, existe uma intenção deliberada de desvalorizar os factores racionais, apelando a uma adesão estritamente emocional. No próprio discurso é utilizado um arsenal de argumentos como técnica de convencimento, ainda que possam ser na sua maioria ilusórios. Posto isto, a manipulação é encarada como um discurso baseado em falácias, onde é patente a intenção de confundir o auditório. Nas técnicas de manipulação actuais, os oradores criam parte de uma vasta encenação, onde recorrem a uma enorme variedade de armas para seduzir, encantar e manipular. As formas manipulação mais conhecidas são as realizadas pelos regimes ditatoriais. Podemos, neste caso, identificar facilmente quem as faz, com que objectivos e os meios que utiliza. Trata-se de um manipulação com rosto, que coloca desde logo os cidadãos de sobreaviso em relação àqueles que as planeiam e executam. A censura, a propaganda e a violência repressiva sobre os "desviantes" são os seus meios privilegiados. Em Portugal, através da censura, a informação era manipulada não apenas tendo em vista omitir factos relevantes, mas também deformar o conteúdo da informação veiculada de modo a que a mesma se ajuste às ideias dos censores. A censura foi um dos instrumentos mais utilizados pela ditadura (1926-1974) para a manipulação da opinião pública: a informação que era autorizada era previamente mutilada. A restante era simplesmente proibida. Outra das formas de manipulação que assombrou o mundo ocorreu na Alemanha. O ditador Adolfo Hitler foi o primeiro a integrar a retórica em gigantescos espectáculos de propaganda, produzindo um poderoso efeito hipnótico sobre os auditórios. Segundo Hitler “Quanto maior é a mentira, maior é a chance ela ser acreditada”. Outro aspecto que ainda não havia sido mencionado e com o qual somos constantemente bombardeados é a publicidade. Sempre que ligamos a televisão é inevitável o confronto com um anúncio sobre uma qualquer marca. Todo o conjunto de cores, linguagem e até mesmo a música chamam a nossa atenção. O marketing e a publicidade são peritos na construção de discursos que nos seduzem e fascinam exercendo uma pressão da qual é sensivelmente impossível resistir. A meu entender, considero que empregar diversos utensílios como a mentira e o engano afim de atingir os seus propósitos, omitindo factos importantes e não dando ao auditório autonomia para tomar ele mesmo as suas próprias decisões conscientes, é uma total falta de ética por parte de quem o faz. Afinal de contas quem é que deseja ser enganado, ludibriado, aldrabado? Eu, pelo menos não. E, além disso, gosto de tomar as minhas próprias decisões sem ser influenciada e\ou manipulada. Por esta linha de raciocínio, sou a favor da retórica branca. Penso que a retórica pode ser, aliás deve ser usada, mas a sua finalidade não deveria vir apetrechada de segundas intenções maioritariamente negativas. Cada indivíduo tem o direito de escolher o que quer para si e para a sociedade que o rodeia de livre e espontânea vontade. Porque as pessoas não são marionetas.
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