|
tema:
Dimensão Ético-Política – Análise e compreensão da experiência
convivêncial – Dimensão pessoal e social da ética – o si
mesmo (self), o outro (tudo que não eu) e as instituições]
“ (…) A questão da
liberdade
é o assunto de que propriamente se ocupa a ética.”. Mas por que
razão a ética trata a liberdade? A ética reflecte sobre os
princípios orientadores da nossa ação e gira em torno da questão
“Como devemos usar a nossa liberdade?”.
“ A
necessidade
da ética, enquanto reflexão acerca dos princípios e das finalidades
que regulam a ação humana, surge precisamente porque o homem é um
«animal social». As questões éticas só se colocam porque o homem
vive em sociedade…” O homem é, por um lado, livre e, por outro,
social (gregário) não fosse dar-se o caso de a liberdade do
indivíduo “implicar” com a liberdade dos outros, não haveria
necessidade de desenvolver uma reflexão sobre as regras da ação.
“…toda a
ação
individual tem consequências que afectam os outros e é
avaliada pelos outros. Na ética a dimensão pessoal e social
são inseparáveis”. A questão “o que devo fazer?” tem uma dimensão
pessoal e social:
- Pessoal –> O
que devo
fazer com a minha liberdade?
- Social –> O
limite das minhas acções é determinado pela presença de outros
porque as minhas acções afectam a liberdade dos outros.
A moral de uma
sociedade é o conjunto das normas, explícitas ou implícitas, que
regulam a ação dos indivíduos. Estas regras dizem respeito ao que
são considerados comportamentos desejáveis ou indesejáveis em função
de uma noção do bem ou do mal. Nós estamos sujeitos à moral de uma
sociedade desde que nascemos. Quando crianças, esta moral é-nos
“imposta” pelos nossos pais (ou por outros!) quando nos dizem, por
exemplo, “isso não se faz!” ou “Boa! Isso mesmo! Que lindo menino!”,
ou apenas nos dão um sinal de descontentamento ou alegria pela nossa
ação. Isto é, as crianças percebem através das reacções dos
outros, quais os actos considerados correctos ou incorrectos,
interiorizando as normas morais da sua
sociedade.
“No
entanto,
é ao agente que compete decidir executar a sua ação conjugando as
normas com as suas intenções”. Embora a moral de uma sociedade seja
imperativa, porque nos obriga a adoptar os comportamentos
considerados correctos, a última palavra é sempre do agente que,
pode escolher entre fazer ou não fazer, conjuga, ou não, as normas
com as suas intenções.
A escolha
entre
realizar e não realizar uma ação, tendo em conta a moral da
sociedade em que o agente se insere e a sua intenção e vontade, é
feita em função do modo como o agente se vê a si mesmo nessa
sociedade. “ A reflexão ética é assim o assumir a responsabilidade
na realização de uma vida boa que passa, inevitavelmente,
pela relação com os outros”. Nesta frase, vida boa é
sinónimo de “felicidade”. O agente não é capaz de ser feliz
se não obtiver a tranquilidade da sua consciência, a qual depende do
respeito pelos outros e de uma boa relação com os mesmos.
- Relação
entre
eu e o outro:
“… o outro é o
mediador indispensável entre mim e eu mesmo: sinto vergonha de mim
tal como apareço ao outro. E, pela aparição mesma do outro,
estou em condições de formular sobre mim um juízo igual o juízo
sobre um objecto, pois é como um objecto que apareço ao outro. (…)
Reconheço
que sou como o outro me vê” O outro funciona como
espelho entre mim e as minhas acções; é o intermediário entre mim e
eu mesmo, reflectindo e avaliando as minhas acções. Fazemos juízos
sobre nós próprios como um objecto porque o outro me permite “ver ao
espelho”, isto é, ver-me “a partir de fora” como um objecto.
“ O sentimento de
ser uma entidade, uma pessoa que pode dizer «eu, «me», «meu» é
profundamente social nas origens e no seu conteúdo” O que
quer
dizer
“social nas origens”? O homem é um animal social, e o “eu”
constrói-se numa relação com os outros.
“…a
pessoa
constrói o seu «si mesmo» (…) através de juízos sobre si própria que
lhes atribui”. A imagem que construímos de nós próprios tem na sua
base a imagem que pesamos que os outros têm de nós, e «aquilo que
pensamos que os outros pensam» sobre nós.
“looking glass self”,
que significa,
“ O Si mesmo reflectido no
espelho do olhar de outrem.”
Cooley
Lemos de seguida o terceiro excerto,
referente à dimensão social da ética:
“ (…) em que consiste tratar as pessoas
como pessoas, quer dizer, humanamente? Resposta: consiste em pôr-te
no seu lugar. Reconhecer alguém como semelhante implica acima de
tudo a possibilidade de compreendermos a pessoa a partir de dentro…”
Tratar o outro como pessoa é compreendê-lo a partir de dentro,
entender o seu ponto de vista, dando a possibilidade de eu ser para
mim o que eu sou para o outro. A reflexão ética é social na medida
em que, na procura dos princípios reguladores da ação, está
envolvida a preocupação com os outros.
“ (…) Pertencemos a quem nos está diante
e quem está diante nos pertence (…) Pormo-nos no lugar do outro é
(...) levar em conta os seus direitos”. Um princípio é justo não
apenas se servir os meus interesses, mas acima de tudo, se respeitar
imparcialmente os interesses de todos os que coexistem em sociedade.
“
(…) Qualquer homem tem direito frente aos outros homens: tem direito
(…) a que o outro tente pôr-se no lugar dele e compreender o que ele
faz e o que ele sente”. Assim, pensar eticamente pressupõe que
sejamos capazes de nos colocarmos “na pele do outro”, e de o
respeitarmos do mesmo modo que desejamos, nós próprios, ser
respeitados.
“Pores-te no lugar do outro
é tomá-lo a sério, considerá-lo tão plenamente real como a ti
próprio”
Uma ação ética implica a preocupação e
o “cuidado” (estimar, tratar bem.) com o outro.
__________________________________
Outros Trabalhos Relacionados
|
|
Ainda não existem outros trabalhos relacionados |
|