ESTE TRABALHO FOI-NOS ENVIADO PELO GASPAR. SE ÉS ESTUDANTE E TENS TRABALHOS COM BOAS CLASSIFICAÇÕES ENVIA-NOS (DE PREFERÊNCIA EM WORD) PARA O NOSSO MAIL trabalhos@notapositiva.com POIS SÓ ASSIM O NOSSO SITE PODERÁ CRESCER.

Bioética (Peça Teatral)

Gaspar Queiroz, Maria Rosário Matos, Catarina Gonçalves e Maria Malheiro

Escola Secundária Pedro Nunes - Lisboa

Filosofia

11º ano

 

Ao pôr do sol de um dia veranil, via-se já Via Láctea, caminho que os deuses haviam tomado, para no Olimpo divino se encontrarem.

Vindos dos Sete Céus, dos lados do Arcturo congelado, dos lados do Austro, das partes onde a aurora nasce e das partes onde o sol se esconde, todos eles estavam presentes neste glorioso concilio divino.

O velho Tonante, sobre todos o divino néctar esparziu, e assim falou, austero e dominante:

 

Zeus- Meus filhos, há muito que nossa soberania se esbateu no mundo dos mortais. No entanto, embora incógnitos, continuamos a influenciar minimamente as suas vidas. Esqueçamos estes mil anos de participação nos vícios terrenos.

Surgiu-nos a oportunidade de recuperarmos a nossa antiga supremacia.

Enquanto estávamos distraídos, os humanos alcançaram grandes progressos científicos. Enquanto estávamos distraídos, eles já debateram assuntos da nova ciência, que está em crescimento, a chamada Bioética. Esta distracção demorou uns míseros quarenta anos, e quase nos custou esta magnífica oportunidade.

Encarreguei-vos de se informarem sobre esta nova ciência, de modo a que tomemos partidos no  modo como influenciaremos a vida humana.

 

Ares- Eu, Ares, deus da Guerra, cumpri a missão. Ouvi a um médico a explicação desta nova ciência. Segundo ele, a Bioética, literalmente “ética da vida”, é considerada como sendo a ética aplicada às questões de saúde e de pesquisa em seres humanos.

 

Artemisa- Segundo o professor Warren Reich, a Bioética é o “estudo sistemático da conduta humana na área das ciências da vida e a atenção á saúde, enquanto esta conduta é examinada à luz dos princípios e valores morais”.

 

Afrodite- Sim Artemisa, a Bioética aborda os novos problemas de forma contemporânea. A simples repetição das respostas tradicionais pode ser inadequada. Ela estimula novos patamares de discussão e de reflexão, que podem vir a possibilitar soluções adequadas.

 

Zeus- Muito bem Afrodite. Agora que todos sabemos o que é nova ciência, a Bioética, veremos os problemas que trata. Queres começar, Atena?

 

Atena- Sim. Eu pesquisei, junto dos humanos, a influência da Bioética no reino vegetal. Desde os tempos áureos do nosso reinado que os mortais clonam plantas. Por clonagem entende-se a reprodução exacta de um organismo vivo, por duplicação da sua informação genética. Nalgumas plantas cortam-se ramos e, cravando-os na terra, eles dão origem a organismos geneticamente idênticos. Qualquer pomar hoje em dia é um exército de clones. Este milagre da agricultura não levanta polémica, não havendo por isso entraves à sua utilização.

 

Afrodite- (ironicamente) Será, no reino vegetal, tudo um mar de rosas?

 

Atena- Claro que não. A manipulação genética já levanta polémica. Também usada desde a Antiguidade, através da enxertia, hoje é um pouco mais complexa. A manipulação genética é a inserção num organismo, de  genes de uma espécie totalmente diferente. Por exemplo: se uma bactéria destruir larvas, e eu inserir uma planta o gene da bactéria responsável pela morte das larvas, então quando as larvas comerem as folhas da planta modificada, morrerão.

Isto representa um corte drástico na utilização de pesticidas e outros químicos prejudiciais ao ambiente. È também mais barato para o agricultor.

Mas será que não afectará os seres humanos, quando se alimentarem destas plantas? Ou até mesmo outros seres vivos, como por exemplo a borboleta, que se alimenta do pólen das plantas? As questões que a manipulação genética levanta são essencialmente duas: quais os perigos ambientais e quais os perigos para a saúde humana.

 

Artemisa- Se é tão complexo, como é que se faz desde a Antiguidade?

 

Atena- Dentro da mesma espécie é diferente. È muito mais fácil entre árvores, ou flores, ainda que árvores diferentes ou flores diferentes. Mas neste caso classifica-se de “apuramento racial”.

 

Artemisa- Nos animais também se faz isso. Eu pesquisei sobre Bioética no reino animal. Nos cavalos, os mortais escolhem um garanhão e uma égua de forma a reunir as qualidades de ambos nas crias.

 

Ares- Sim, nos humanos também se registou um comportamento semelhante. Durante a década de 30, muitos países aderiram a um programa de eugenia, que consistia a esterilização selectiva de indivíduos, como por exemplo criminosos, doentes mentais e outros indivíduos considerados como dispensáveis ao apuramento da raça.

Apenas os países católicos e a Inglaterra se abstiveram de participar neste programa.

Dez anos mais tarde esta ideologia foi levada ao extremo pela a Alemanha Nazi. Em Nuremberga foram julgados 23 médicos Nazis por realizarem experiências em humanos. No entanto, ainda hoje existem os resultados, espantosos, atingidos por eles.

A polémica, que dura desde o fim da guerra, é:  será que devem usar esta informação? Estaria a ciência a dar o aval a estas actividades monstruosas? Não estariam os humanos a encorajar actividades como verificar quanto tempo demora uma pessoa a morrer de hipotermia, mergulhada em água gelada?

 

Afrodite- Sim, fazer os objectos das experiências sofrer acho terrível. Não sofrerão também, por exemplo, os animais nas experiências?

 

Artemisa- Mas essas experiências são para o benefício da humanidade.

 

Ares- Experiências ao serviço da saúde e tecnologia, concordo, mas, por exemplo, em produtos de cosmética, acho absolutamente desnecessário.

 

Afrodite- Mas são luxos sem os quais a sociedade de hoje em dia não vive.

 

Ares- Mas na minha opinião, é uma atrocidade por a futilidade á frente do bem estar ou mesmo da vida de um ser vivo, animal ou não.

 

Zeus- Esta conversa é infrutífera. Controlem-se! O que mais têm a acrescentar sobre a Bioética?

 

Afrodite- Fui-me informar junto dos mortais sobre a morte, já que para nós esse tema é desconhecido.

Os humanos desenvolveram uma lei que impede a prática da eutanásia. Querendo isto dizer que um ser humano em sofrimento ou em estado vegetativo não pode pôr fim à sua vida, através da morte medicamente assistida. Está nas nossas mãos decidir quando eles morrem!

 

Ares- Para além de ser mesquinho pôr fim à própria vida. Um guerreiro morre por uma causa!

 

Atena- Sim, e hoje em dia eles estão à beira de poder clonar os próprios órgãos, para substituição.

 

Zeus- Clonagem humana? Fala-me disso deusa de Atenas.

 

Atena- Os mortais clonam as pessoas de duas possíveis maneiras:  a primeira, pega-se no núcleo de uma célula somática (portadora da informação genética do indivíduo) e substitui-se o núcleo de um óvulo; a segunda, no caso de uma mulher, apenas se fertiliza com a própria célula o óvulo, como se esta fosse um espermatozóide, repetindo assim o código genético, sendo o pai e a mãe a mesma pessoa.

 

Ares- Mas acho que nesse ponto estamos todos mais ou menos de acordo: a clonagem reprodutiva, que acabaste de mencionar, não tem um fim prático.

 

Zeus- Portanto, finalizando, estão levantadas, para eu decidir, as seguintes questões:

Quais os perigos causados ao ambiente e á saúde humana pela manipulação genética das plantas e/ou dos animais?; Será que devem os mortais usar a informação que provem das experiências realizadas em humanos? Não estaria a Ciência a dar o aval a estas actividades monstruosas?;

Será que devem utilizar animais em experiências? Não sofrerão eles, desnecessariamente?;

Será que não pode um indivíduo pôr termo ao próprio sofrimento através da morte medicamente assistida?; Será legitimo manipular um embrião para que este se torne num órgão substituto? Em que ponto começa a vida?

 

Muito bem, meus filhos. Comunicar-vos-ei a minha decisão amanhã ...

 

 

 

Bibliografia

 

-         Luís Rodrigues, Júlio Sameiro, Álvaro Nunes, “Filosofia 11ºAno”, Plátano Editora.

-         Edith Hamilton, “A Mitologia”, 3ª Edição, Publicações Dom Quichote.

-         Luís de Camões, “Os Lusíadas”, Porto Editora.

-         http://www.bioethics.net

-         http://ww.bioetica.ufrgs.br

 

Gaspar Queiroz, Maria Rosário Matos, Catarina Gonçalves e Maria Malheiro

 

ï

 

N.º de páginas visitadas neste site (desde 15/10/2006):
 
 


© 2004 - NotaPositiva | Todos os direitos reservados