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Filosofia - 11º ano

Demonstração vs. Argumentação

Autores: Ana Rita Santos, Lara Neves, Paulo Fernandes e Ricardo Figueiredo

Escola Secundária de Seia

Data de Publicação: 01/07/2007

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Demonstração vs. Argumentação

 

Todos os dias deparamo-nos com afirmações cujo conteúdo é evidente mas, podemos encontrar outras que para as compreendermos necessitamos que nos esforcemos para as fundamentar.

Existem duas maneiras de fundamentar a veracidade das afirmações. Uma delas faz-se por via demonstrativa e outra faz-se por via argumentativa.

 

Que diferenças existem entre elas?

 

- Campo de aplicação:

A demonstração aplica-se nas ciências lógicas dedutivas, ou seja, matemática e lógica. O carácter abstrato destas disciplinas permite que o raciocínio formal se exerça de modo válido independentemente da realidade .

Utiliza-se em áreas modernas de investigação como a robótica, a informática e a inteligência universal.

A argumentação aplica-se a situações concretas da vida. Entra nos domínios das ciências sociais e humanas, ou seja, a economia, a politica e o direito.

Existem casos que não podem ser solucionados pelo rigor da matemática, mas sim por via argumentativa

 

- Ponto de partida:

A demonstração parte de proposições indiscutíveis independentemente de se tratar de afirmações objectivamente verdadeiras ou hipóteses admitidas por convenção. Os fundamentos a demonstrar subtraem a qualquer tipo de controvérsia.

Na argumentação parte-se de proposições discutíveis. Há que procurar as premissas no campo das verdades comuns, dos princípios, opiniões e valores correntes, naquilo que é tido como verdade pelos interlocutores. Estas “verdades” não são absolutas, são relativas a dados contextos culturais em determinados momentos da história.

 

- Tipo de Lógica:

A demonstração pressupõe uma lógica formal, bivalente e constringente, na qual uma afirmação se aceita porque é verdadeira, ou se recusa por ser falsa. Nesta lógica dicotómica, parte-se do principio que entre ser e não ser não há meio termo, só se aceita o que estiver em sintonia com os critérios de validade lógica.

A argumentação pressupõe de uma lógica informal, polivalende e flexível. É uma lógica que admite uma série de valores de intensidade variável, porque os argumentos se aplicam a situações com múltiplas alternativas. Na lógica argumentativa ultrapassa-se a dicotomia do verdadeiro e do falso o que faz com que a plausibilidade das premissas autorize uma decisão razoável.

 

- Tipo de linguagem:

Na demonstração utilizam-se letras e outros sinais que constituem uma linguagem abstracta e simbólica. A linguagem demonstrativa é uma espécie de “linguagem perfeita”, inequívoca, em que a cada signo corresponde um só significado. Esta linguagem tem vantagens como precisão, exactidão, operatividade, eficácia e simplicidade; tem a desvantagem de ser rígida e de uso limitado.

Na linguagem argumentativa, a circulação de mensagens faz-se por linguagem natural. A linguagem da argumentação é uma linguagem imprecisa e cheia de ambiguidades. Uma expressão pode ter vários significados, como também um significado pode ser expresso por termos diferentes. Esta é a linguagem garante a comunicação humana.

 

- Relação ao contexto:

A demonstração está isolada de qualquer contexto devido ao seu carácter impessoal. Esta implica um raciocínio lógico dedutivo cujo trânsito é alheio a necessidade e preocupações.

Em contra partida a argumentação é contextualizada, o emissor deve saber escolher os argumentos. Os efeitos de argumentação diferem em função de quem diz, como diz, a quem diz e para que diz.

 

- Relação ao auditório:

A demonstração é impessoal. A verdade de uma conclusão deve-se exclusivamente à sua relação necessária com as premissas. Na demonstração os receptores da mensagem tratam-se de um auditório universal. A conclusão, uma vez demonstrada, impõe-se de modo absoluto a todos os seres vivos racionais.

Na argumentação, a adesão é individual dos sujeitos pertencentes a determinadas comunidades e em determinadas circunstâncias é prioritário. Esta é pessoal, porque a aceitação das conclusões depende de cada uma das pessoas que integram o auditório. A mensagem destina-se a determinados seres humanos, esforçando-se o emissor por conquistar em cada um deles o máximo de adesão.

 

Quadro síntese:

 

Demonstração

Argumentação

Campo de aplicação

Ciências Lógico-dedutivas

Ciências sociais e humanas

Ponto de Partida

Proposições indiscutíveis

Proposições discutíveis

Tipo de Lógica

Formal, Bivalente, Constringente

Informal, Polivalente, Flexível

Tipo de linguagem

Simbólica

Natural

Relação ao contexto

Independente do contexto

Contextualizada

Relação ao auditório

Impessoal

Pessoal

 

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