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Filosofia - 11º ano

Empirismo

Autores: Ana Rita Santos

Escola Secundária de Seia

Data de Publicação: 01/07/2007

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Empirismo

 

Introdução

 

A doutrina do empirismo foi definida explicitamente pela primeira vez pelo filósofo inglês John Locke no século XVII. Locke argumentou que a mente seria, originalmente, um "quadro em branco" (tábua rasa), sobre o qual é gravado o conhecimento, cuja base é a sensação. Ou seja, todas as pessoas, ao nascer, o fazem sem saber de absolutamente nada, sem impressão nenhuma, sem conhecimento algum.

Todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, pela tentativa e erro.

Historicamente, o empirismo se opõe a escola conhecida como racionalismo, segundo a qual o homem nasceria com certas ideias inatas, as quais iriam "aflorando" à consciência e constituiriam as verdades acerca do Universo. A partir dessas ideias, o homem poderia entender os fenómenos particulares apresentados pelos sentidos. O conhecimento da verdade, portanto, não dependeria dos sentidos físicos.

 

 

Noção de Empirismo

 

Empirismo é a escola de Epistemologia (na filosofia ou psicologia) que avança que todo o conhecimento é o resultado das nossas experiências (teoria da "Tábua Rasa" de J. Locke). O empirismo é um aliado próximo do materialismo (filosófico) e do positivismo, sendo oposto ao racionalismo europeu continental ou intuicionismo.
O empirismo é geralmente observado como sendo o fulcro do método científico moderno. Defende que as nossas teorias devem ser baseadas nas nossas observações do mundo, em vez da intuição ou . Defende a investigação empírica e o raciocínio dedutivo.

Kant tentou obter um compromisso entre o empirismo e a corrente oposta, o racionalismo.

 

 

Características do Empirismo

 

·   Conhecimento cientifico:

Para o Empirismo, a Experiência é a base do conhecimento científico, ou seja, adquire-se a Sabedoria através da percepção do Mundo externo, ou então do exame da actividade da nossa mente, que abstrai a Realidade que nos é exterior e as modifica internamente. Daí ser o empirismo de carácter individualista, pois tal conhecimento varia da percepção, que é diferente de um indivíduo para o outro.

 

·   Origem das ideias:

O empirismo diz que a origem das Ideias é o processo de abstração que se inicia com a percepção que temos das coisas através dos nossos sentidos. Daí diferencia-se o empirismo: não preocupado com a coisa em si, estritamente objectivista; nem tão pouco com a ideia que fazemos da coisa atribuída pela Razão, como ensina o Racionalismo; mas puramente como percebemos esta coisa, ou melhor dizendo, como esta coisa chega até nós através dos sentidos.

 

·   Relação de causa-efeito:

Para o empirismo a relação de causa e efeito nada mais é do que o resultado da nossa forma habitual de perceber fenómenos e relacioná-los como causa e consequência através de uma repetição constante. Ou seja, as leis da Natureza só seriam leis porque se observaram repetidamente pelos Homens.

 

·   Autonomia do sujeito:

O empirismo nega tal identidade permanente, pois o conteúdo da nossa consciência varia de um momento para outro de tal forma que ao longo do tempo essa consciência teria, em momentos diferentes, um conteúdo diferente. A explicação está no facto de que a consciência, como sendo um conjunto de representações, dependeria das impressões que temos das coisas, mas sendo impressões estariam sujeitas a variações.

 

·   Concepção de razão:

O empirismo apesar de não possuir pensamento contraditório entende de forma bem diferente: diz que a Razão é dependente da experiência sensível, logo não vê dualidade entre espírito e extensão (como no Racionalismo), de tal forma que ambos são extremidades de um mesmo objecto.

 

·   Matemática como linguagem:

No empirismo tal método matemático não é aceite. A experiência é o ponto de partida de nosso conhecimento, logo não há necessidade de fazer hipóteses. Assim caracteriza-se o método indutivo que parte do particular (experiências) para a elaboração de princípios gerais.

 

 

Mérito e limites do empirismo:

 

O grande mérito do empirismo consiste em ter salientado a importância da experiência no conhecimento humano.

Limites do empirismo: Na medida em que todos os conteúdos do conhecimento procedem da experiência, o conhecimento fica encerrado nos limites do mundo empírico (o que traz algumas consequências menos positivas).     Rejeitando a razão como fonte do conhecimento, o empirismo não pode aspirar ao conhecimento universal e necessário e, por isso, não oferece qualquer espécie de segurança ou certeza, pois o conhecimento está sujeito à mobilidade das impressões sensoriais desencadeadas pelos objectos.

A sua particularidade e contingência fazem do conhecimento empírico, um conhecimento meramente relativo.

O conhecimento empírico, baseando-se em raciocínios indutivos, não nos dá rigor nem certezas, antes pelo contrário, este tipo de raciocínio possibilita o erro.        Pela indução apenas podemos acreditar, pela experiência do passado, que determinados fenómenos que se foram repetindo, continuarão a repetir-se no futuro.

Ora, tudo isto impossibilita a ciência: Um tipo de conhecimento que capta o acidental ou circunstancial e não capta o essencial, o permanente, e que, além disso, infere o geral de casos particulares, não nos dá certezas científicas, pois não permite a elaboração de leis.

Por não ter necessidade lógica, apenas nos dá garantias psicológicas. Assim, D.Hume, afirma que o conhecimento científico se baseia na crença, numa certa regularidade da natureza e no hábito (associação repetida de fenómenos), adquirido a partir de tal regularidade.

Como consequência de tudo isto: assim como os racionalistas tendem para um dogmatismo, os empiristas tendem para o cepticismo, isto é, para a negação de que se possa alcançar a verdade, pois, uma vez que a possibilidade do conhecimento fica confinada à experiência.

 

 

Doutrinários do empirismo:

 

J. Locke

J. Locke, foi um dos principais representantes da corrente empirista.

J. Locke considerava que todas as nossas ideias vêm de fora e todo o nosso conhecimento é adquirido através da experiência. A mente (razão) é uma tábua rasa ou uma ‘folha em branco’ na qual nada há (nenhuma ideia, nenhum conhecimento) antes da primeira experiência. As ideias formam-se a partir da indução de experiências particulares. O empirismo nega, pois, a existência de ideias inatas. (é aqui que reside a grande diferença relativamente ao racionalismo) isto é, ideias que a razão descobre em si mesma independentemente de qualquer experiência. Os dados que vão sendo escritos na mente provêm de dois tipos de percepção ou experiência: da percepção externa cuja fonte é a sensação; da percepção interna cuja fonte é a reflexão. O empirismo procura mostrar que a razão não é propriamente criativa, isto é, ela não pode criar conhecimentos a partir de si mesma, mas, só pode usar materiais extraídos da experiência. A razão, segundo J. Locke (e os demais empiristas) tem apenas como função organizar os dados empíricos, limitando-se a unir uns aos outros os diferentes dados que lhe chegam por via da experiência.

Então podemos afirmar, como defende J. Locke que ‘Nada pode existir na mente que não tenha passado antes pelos sentidos’.

 

D. Hume

 

D. Hume nega a existência de ideias complexas e uma delas é a ideia de causalidade.

Assim, D. Hume tenta explicar como é que podemos afirmar conexão necessária entre conhecimento e outro.

Como é que estabelecemos uma relação causa-efeito? Segundo os empiristas, aquilo que afirmamos ser causa e efeito são dois factos inteiramente diferentes, cada um dos quais nada tem em si que exija necessariamente o outro. Por ex.: quando vemos uma bola que corre em direcção à outra supomos que o movimento da 2ª bola como resultado do seu encontro. A experiência diz-nos que o choque da 1ª bola pôs em movimento a 2ª, mas… a experiência não nos ensina mais nada e nada diz acerca do futuro. Logo, a ideia de causalidade é uma mera associação de ideias.

Assim, tudo aquilo que sabe que nos parece semelhantes, esperamos efeitos semelhantes. Mas o vínculo entre causa e efeito não pode ser demonstrado como objectivamente necessário, dado que o curso da natureza pode mudar. Portanto a ideia de causalidade surge em virtude de uma regularidade, mas sobretudo, da união de ideias que se repetem muitas vezes unidas. E por isso, quando pensamos em algumas delas surge-nos a ideia da outra, por sucessão.

Quando vemos, muitas vezes, unidos dois acontecimentos, somos levados pelo hábito a esperar quando o outro se mostra. O hábito e a crença na regularidade da natureza explicam a conjunção que estabelecem entre os factos, não a sua conexão necessária.

Devido a estes limites e, sobretudo, aos raciocínios indutivos, não é possível fazer ciência.

 

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