Trabalhos de Estudantes  

Trabalhos de Filosofia - 10º Ano

 

Ficha do trabalho:

Filosofia, uma só definição?

Autores: Catarina Paiva e Ana Almeida

Escola: [Escola não identificada]

Data de Publicação: 21/05/2006

Resumo: Trabalho sobre a definição de filosofia, realizado no âmbito da disciplina de Filosofia (10º ano). Ver Trab. Completo

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Filosofia, uma só definição?

Indice

- Introdução

- Desenvolvimento

- Filosofia ou filosofar?

- Filosofia ou filosofias?

- Percorrendo a História do pensamento

- Conclusão

- Bibliografia

- Anexos

 

Introdução

 

Este ano deparamo-nos com uma disciplina nova, chamada Int. Filosofia, nunca a tinhamos tido, falava de umas coisas muito esquisitas e tudo aquilo era muito confuso para nós.

Por isso, ao inicio deparamo-nos com muitas perguntas que nos estavam a dar a volta à cabeça!

Ø     Será que todos nós sabemos o que é a Filosofia?

Ø     Será que a Filosofia é aquele quebra-cabeças que todos nós pensamos e nunca sabemos o que dizer sobre ela?

Ø      Será que nós no nosso dia a dia filosofamos?

Ø     Afinal quantas definições tem a Filosofia?

São estas as questões que nós vamos tentar responder!...

Ao fim de tantas perguntas decidimos fazer um trabalho sobre a Filosofia.

Com este trabalho vamos tentar responder a todas estas questões e aprofundar mais um bocado os nossos conhecimentos, mas para o realizar tivemos de começar a pesquisar na biblioteca, na Internet e nas enciclopédias para vos apresentar o começo da história da Filosofia, definições sobre ela e também sobre os filósofos mais conhecidos até aos dias de hoje para vermos se era possível chegar a uma conclusão.

 

Filosofia ou filosofar?

No que se refere à Filosofia como conceito geral (in sensu cosmico), porém: também se lhe pode chamar um saber acerca das máximas supremas do emprego da nossa razão, na medida em que se entende por máxima o princípio interno da escolha entre vários fins.

Portanto, a Filosofia no seu último significado é o saber da relação de todo o conhecimento e uso da razão com o fim da razão humana, ao qual, como ao supremo, todos os outros fins estão subordinados e têm de se reunir nele para [conseguirem] a unidade.

O campo da Filosofia nesta acepção universal abre-se às seguintes perguntas:

Ø     O que posso saber?

Ø     O que devo fazer?

Ø     O que me é permitido esperar?

Ø     O que é o homem?

À primeira pergunta responde a Metafísica, à segunda a Moral, à terceira a Religião e à quarta a Antropologia.

No fundo, poder-se-ia contar tudo isto como Antropologia, porque as três primeiras perguntas referem-se à última.

O filósofo tem portanto de conseguir definir

Ø      as fontes do saber humano,

Ø      o âmbito do emprego possível e útil de todo o saber e, finalmente,

Ø      os limites e potencialidades da razão.

O último [objectivo] é o mais necessário, mas também o mais difícil, e [aquele] com o qual, o filodoxo não se preocupa.

Compete principalmente ao filósofo duas coisas:

1. cultura do talento e da habilidade, para os usar em relação aos vários fins.

2. destreza no emprego de todos os meios para quaisquer fins.

 Ambas têm de ser conjugadas; pois sem conhecimentos ninguém se pode tornar filósofo, mas também nunca só os conhecimentos fazem o filósofo, a não ser que sobrevenha uma conveniente junção de todos os conhecimentos e habilidades na unidade e uma visão da sua conveniência com os fins supremos da razão humana.

De modo algum se pode chamar filósofo a quem não sabe filosofar. O filosofar só se deixa aprender, através do exercício e do emprego próprio da razão (…)

Pode-se dizer que filosofar é raciocinar ou reflectir e uma atitude interrogativa.

Aquele que quiser aprender a filosofar deve (…) encarar todos os sistemas de Filosofia apenas como história do uso da razão e como objecto do exercício do seu talento filosófico.

O verdadeiro filósofo tem, portanto de fazer um uso livre e próprio, não um uso imitador e servil, da sua razão.

 

Filosofia ou filosofias?

‘’O pensamento não é dado a nós, seres humanos, como uma faculdade inata, produzida naturalmente por herança genética e crescimento biológico. Nós precisamos de aprender a pensar, e dedicarmo-nos a isso ao longo de todas as nossas vidas. Essa aprendizagem depende de duas coisas: da convivência com outras pessoas e da reflexão sobre os nossos próprios pensamentos. Um aspecto fundamental da reflexão, isto é, do pensamento que se volta sobre si mesmo, é questionar porque pensamos de uma determinada forma. Ao fazer isso, ao perseguirmos os fundamentos dos nossos pensamentos ou, dito de outra forma, os fundamentos do mundo conforme nós o conhecemos, estamos a fazer filosofia.

Todo o pensamento se baseia em determinados pressupostos. A pessoa que se preocupa em pensar bem ou, para ser mais preciso, em aprender a pensar melhor, procura entender os fundamentos das suas ideias para pensar de forma mais organizada e satisfatória. Assim, essas pessoas estão a fazer filosofia, mesmo que não usem essa palavra para designar o que fazem. Por outro lado, existem académicos que se limitam a reproduzir, sem vivência-los como experiências pessoais, os ensinamentos dos grandes filósofos do passado. Estes, mesmo quando são conhecidos como filósofos e professores de filosofia, não passam de guardas de cemitérios, pois lidam com ideias mortas, ao passo que a filosofia lida com ideias vivas.

Platão foi uma espécie de avô dos filósofos. Ele dizia que a verdadeira sabedoria é um privilégio dos deuses, inacessível aos mortais. Nós, humanos, desejamos a sabedoria que não podemos ter, empenhando-nos e atormentando-nos em busca dela, uma busca que nunca terá fim. O amor pela sabedoria é a filosofia: (filo = amor) + (sofia = sabedoria) ‘’.

Ao confrontarmo-nos com esta questão concluímos que existe não uma filosofia mas várias filosofias ou seja várias definições para filosofia pois cada pessoa tem um conceito diferente sobre o Mundo, daí nós termos que aprofundar mais a História da Filosofia.

 

 

Percorrendo a História da Filosofia

Qual é a origem da Filosofia?

Como já vimos anteriormente a Filosofia significa amizade pela sabedoria. A história da filosofia tem a função de dar a conhecer as ideias dos filósofos do passado e do presente.

A filosofia é um saber das últimas causas, razões e explicações da realidade na ordem natural. Todo o ser humano é filósofo, visto que, como ser racional, tende a colocar as grandes interrogações da vida: Quem é o homem? O que é o homem? De onde vem o mundo? Para onde vai? Estas perguntas não existem só a nível teórico ou intelectual, mas também se traduzem a nível prático, ou seja, pretende-se encontrar respostas que dêem sentido à maneira de compreender o mundo e as coisas da vida.

 

A passagem do mito à razão

O nascimento da filosofia ocorreu na Grécia, no séc. VII a C. A causa deve ser procurada na passagem das concepções míticas sobre a origem do mundo às explicações racionais baseadas na experiência: por outras palavras, na passagem do mito à razão.

A razão, chamada logos pelos Gregos, tenta procurar os princípios das coisas da natureza através da observação e da experimentação.

 

A História...

Desde os tempos mais antigos os filósofos tentaram chegar a uma imagem total da realidade, ou seja, a uma concepção do mundo. Nesta perspectiva certos problemas assumem interesse excepcional.

É possível obter o conhecimento da realidade? Com que métodos? Estas questões pertencem à teoria do conhecimento.

Que normas devem ser seguidas para evitar os erros estritamente formais do pensamento? Este problema é do domínio da lógica. Mas os filósofos não se dedicaram unicamente às questões teóricas.

O homem deve enfrentar também o problema de como actuar e que fim dar à vida, isto é, deve ter valores e optar. Como deve viver? Este é o problema da ética, a filosofia moral, eminentemente normativa e axiológica.

Já antes do nascimento de Cristo se tinham desenvolvido alguns sistemas filosóficos entre os povos cultos da Ásia e da Europa.

A filosofia oriental é mais antiga do que a ocidental e está intimamente ligada à religião. A filosofia ocidental, a cujo âmbito nos limitaremos, inicia-se com os Gregos no séc. VI a. C ponto de partida de uma tradição ininterrupta até aos nossos dias.

Pouco sabemos dos filósofos pré-socráticos, pois das suas obras só nos chegaram alguns fragmentos.

Sócrates não escreveu nada, mas o seu discípulo Platão expôs nos famosos Diálogos como Sócrates, por meio de colóquios, levava os seus concidadãos a terem uma noção mais clara dos problemas filosóficos e morais. As teorias de Platão foram de enorme importância para a evolução do pensamento ocidental. O mesmo se deve dizer dos trabalhos de Aristóteles, de carácter mais cientifico, porque diziam que o conhecimento do mundo podia ser obtido por meio da razão, ou seja, através do pensamento puro.

Uma opinião muito diferente foi defendida pelos empiristas Locke, Berkeley e Hume, que, cada um com os próprios argumentos, sustentavam que todo o conhecimento se apoia externamente na experiência, isto é, no testemunho dos nossos sentidos, que são o meio de que dispomos para o contacto com o exterior.

Kant fez um esforço gigantesco para unificar o que de melhor havia no racionalismo e no empirismo. A sua influência sobre a cultura europeia foi extraordinária, mas os seus epígonos interpretaram as suas teorias de maneiras muito diversas. Depois de Kant, a evolução da filosofia tem sido muito complexa. Os filósofos expõem teorias divergentes e interessam-se por problemas completamente diferentes.

Distinguem-se actualmente quatro orientações filosóficas fundamentais: a Filosofia Analítica; o Neotonismo; o Existencialismo e o Marxismo.

 

Em conclusão

 

Ao pensarmos o pensamento...

Como verificamos ao longo do trabalho todos nós temos um pensamento diferente do Mundo que nos rodeia, por isso ‘’A cada um será dado conforme sua obra e seu entendimento’’ e para termos uma ideia formada é preciso ‘’Que brilhe a tua luz’’.

 

Bibliografia

 

- Diciopédia 2003, Porto Editora

- www.wsoy.fi/koulu/kuvat/filosofia

- Editorial beber S.A., edição especial para fórum, Lisboa, 1989 , Audiovisual combi, volume 4

- Activa e multimédia, enciclopédia de consulta, Lexicultura, 1ª edição, outubro 1996

 

 

Anexos

Sócrates

Figura emblemática da filosofia, nasceu em Atenas cerca de 470 a.C. e foi considerado, segundo alguns historiadores na esteira de Cícero - que afirmou ter sido Sócrates quem «fez descer a filosofia do céu para a terra e a fez penetrar nos lares e nas praças públicas de Atenas» -, como o responsável pela transição para um novo período da filosofia grega, que se caracteriza pelo abandono das preocupações cosmológicas em favor de uma temática predominantemente antropológica. Embora esta interpretação seja muito polémica - os temas do discurso socrático não divergem substancialmente das preocupações dos sofistas, que já haviam colocado o homem no centro da reflexão filosófica -, é pacífico reconhecer que se notabilizou pela inflexão que impôs no sentido da problematização ética.

Movido por um ideal essencialmente prático - acreditava que só a troca de ideias através do diálogo directo era relevante -, Sócrates não deixou obra escrita, tendo o seu pensamento sobrevivido graças a Platão, de quem foi mestre. Enquanto personagem central de grande parte das obras platónicas, foi louvado como um pensador que, longe de procurar impor ou defender qualquer sistema - é dele a imortal máxima «Só sei que nada sei» -, se orientou sobretudo para uma missão pedagógica com o objectivo de levar os concidadãos a «conhecerem-se a si mesmos», libertando-os dos preconceitos que lhes impediam o acesso à virtude, à felicidade e ao verdadeiro saber. Este tipo de proposta colocou-o em tenaz oposição aos sofistas, cujos desígnios interesseiros e funcionalistas censurava, por colocarem indiscriminadamente o conhecimento ao serviço dos poderosos que lhes podiam pagar aulas de retórica e erística com o único objectivo de melhor defenderem os seus interesses particulares.

O método que desenvolveu visava convencer os interlocutores a rejeitar o saber aparente - «opinião», ou doxa -, desprovido de qualquer fundamento objectivo, com origem no «senso comum». Inquirindo acerca do significado e definição de conceitos como «o bem», «a virtude» ou «a felicidade» - motivo pelo qual Aristóteles o considerou como fundador da filosofia do conceito -, fazia sobressair a incoerência e a inconsistência das crenças que dirigiam as acções daqueles que não reflectiam sobre a essência dos valores. Este método ficou conhecido como «aporético» por se concluir de forma «negativa»: uma vez atingida pelo opositor a autoconsciência da sua profunda ignorância, Sócrates não propunha qualquer solução para os problemas identificados. Dotado de uma inquebrantável na realização da razão, acreditava que esse procedimento era suficiente para indicar o caminho do saber genuíno - a episteme. Assim, classificava a sua filosofia como uma maiêutica (literalmente: «arte de parturejar»), ou seja, como uma forma de «trazer à luz» as almas transviadas por um conhecimento vulgar e irreflectido, cabendo posteriormente a cada um a tarefa de se elevar por si mesmo até à verdade.

No entanto, é preciso referir que a «missão socrática» não tinha por escopo a mera promoção intelectual dos que o ouviam; longe disso, ao admitir como autêntica virtude humana o conhecimento, combatendo a ignorância estava também pugnando pelo aperfeiçoamento moral dos indivíduos - o mal e as condutas injustas são apenas fruto da ignorância e a ética é correlativa à sabedoria.

A acutilância de Sócrates na crítica à sociedade ateniense da altura, dilacerada pela guerra, por uma série de conflitos internos e por uma decadência moral devida em grande parte ao relativismo propagandeado pelos sofistas, levou a que se tornasse uma personagem demasiado incómoda para ser tolerada. Em 399 a. C. foi acusado de corromper os jovens e de impiedade por não acreditar nos deuses da cidade. Enfrentando o processo que lhe moveram com a maior serenidade, recusou o exílio infamante e acabou por ser condenado à morte pela ingestão de cicuta.

 

Platão

Um dos pensadores mais influentes de toda a história da filosofia, nasceu em Atenas cerca de 427 a. C. Dando continuidade às preocupações de Sócrates, seu mestre, tentou ultrapassar o relativismo que resultava das doutrinas dos sofistas, incapazes de superar a antinomia entre ser e devir, tal como haviam sido enunciados por Parménides de Élea e Heraclito. É o primeiro filósofo de cujas obras foi preservada uma parte significativa, o que permite reconstituir com grande fidedignidade as traves mestras do seu pensamento.

No núcleo do sistema platónico encontra-se a distinção radical entre o mundo sensível e o mundo inteligível, cada um deles com existência autónoma. O primeiro corresponde ao mundo da corporeidade, contingente e corruptível, domínio da mudança, da diversidade e das aparências; o segundo é o mundo das essências ideais, imutáveis, necessárias e eternas, em suma, da permanência, da unidade e da Verdade universal.

Dotadas de uma existência objectiva independentemente de qualquer sujeito cognoscente, as essências ideais, ou Ideias, são para Platão os arquétipos (modelos) a partir dos quais foram formados - por «imitação», ou mimésis - todos os entes do mundo sensível. O agente dessa intervenção teria sido uma divindade (o demiurgo) que, dessa forma, fez transitar a physis (o mundo físico, a natureza) de um estado primordial de desordem (o caos) à ordem.

No âmbito gnosiológico, o dualismo idealista de Platão tem como consequência, do ponto de vista formal, a inoperância de todo o conhecimento empírico. Este, de ordem indutiva e tomando por base as representações sensíveis, reporta-se apenas a uma realidade contingente e mutável, não podendo elevar o sujeito além da mera doxa (opinião). Do ponto de vista material, por maioria de razão, o conhecimento que tem por objecto a physis é relegado para um plano subalterno em favor de todo o saber baseado na contemplação intelectiva dos puros conceitos, com especial incidência na matemática e na ética. Associando a unidade, a harmonia, a virtude e a sabedoria, tal como Sócrates, Platão coloca no topo da hierarquia das Ideias do mundo inteligível, enquanto elementos unificadores, as ideias de Uno, de Bem e de Belo.

Subsidiária da mesma arquitectónica dualista, a antropologia platónica considera a alma como essência do homem, vendo o corpo apenas como uma prisão que lhe limita todas as potencialidades. Participando dos atributos do inteligível, a alma é considerada imortal e originária do mundo das Ideias, pelo que a sua existência no mundo físico deve ser orientada para libertação de todas as solicitações materiais e sensuais através do uso da razão e da prática da virtude, visando atingir o saber da Verdade, num processo de ascese que lhe permita regressar ao mundo de plenitude a que genuinamente pertence.

Esse processo de ascese baseia-se no método que Platão designa como dialéctica e caracteriza-se pelo recurso ao diálogo e à discussão dos conceitos tendo em vista a respectiva consciencialização e esclarecimento, com a finalidade de facilitar a reminiscência (ou anamnese) - isto é, o relembrar - das Ideias que a alma havia contemplado aquando da sua permanência no mundo inteligível.

No que respeita ao pensamento político, Platão foi em grande parte influenciado pela sua ascendência e formação aristocráticas, atribuindo ao regime democrático, geralmente defendido pelos sofistas, a responsabilidade pela decadência de Atenas. Assim, a organização da cidade modelo que sugeriu deixa transparecer uma visão elitista ao gravitar em torno de uma triagem apertada dos cidadãos em que o lugar do indivíduo se esvai, cedendo perante a força do interesse comum ditado pelos «mais aptos».

O objectivo da selecção dos cidadãos seria a distribuição destes em três ordens, de acordo com o carácter que demonstrassem: à ordem dos governantes pertenceriam os sábios, que se deixam conduzir pela justiça, cabendo ao melhor dos quais, após um longo período de formação, o cargo de Filósofo-Rei, autoridade última da cidade; aqueles que se distinguissem pela coragem deveriam integrar a ordem dos guardiões, com a tarefa de zelar pela segurança interna e externa da cidade; os restantes, que se deixam dominar pelas coisas dos sentidos, fariam parte da ordem dos produtores, com a função de prover às necessidades materiais da cidade, cuidando da agricultura, da indústria e do comércio.

Para evitar qualquer elemento de conflitualidade e discórdia na cidade, Platão defende também quer a comunidade dos bens, quer a comunidade das mulheres e dos filhos. Além disso, propõe que todas as crianças deveriam ter uma educação comum para que o processo de selecção dos melhores pudesse decorrer com eficácia e sem desvios.

Platão morreu em 347 a. C. já com idade avançada, deixando, no entanto, um grande número de discípulos que reconheciam a fecundidade das suas teses. A Academia que fundara em 385 a. C. para proporcionar formação a todos quantos o quisessem seguir sobreviveu quase mil anos até ter sido mandada encerrar por Justiniano I em 529 d. C. Porém, a perenidade do seu pensamento foi muito além dessa data, sendo ainda hoje reconhecido o seu legado como um dos mais marcantes para a génese da actual cultura ocidental.

 

Aristóteles

Filósofo (384 a.C.-322 a. C.) nascido em Estagira, na Macedónia. Foi discípulo de Platão e desenvolveu um sistema filosófico que reagia contra o idealismo platónico. Nos domínios da Metafísica e da lógica, ainda hoje se faz sentir a sua influência.

Filho de Nicómaco, médico de Amintas II, rei da Macedónia, nasceu em 384 a. C. na cidade de Estagira. Tendo-se destacado precocemente por uma argúcia invulgar, foi enviado para Atenas a fim de concluir os estudos na Academia Platónica, onde permaneceu durante cerca de 20 anos, até à morte de Platão, de quem foi discípulo. Acreditando numa tradição hoje duvidosa, as suas relações com aquele ter-se-iam revestido desde cedo de alguma conflituosidade. A verdade é que o sistema aristotélico, embora tributário da distinção matéria/forma introduzida pelo seu mestre, foi concebido, em grande parte, como reacção ao idealismo platónico, em particular contra a teoria das ideias e o dualismo ontológico que lhe subjaz. Evidenciando esta oposição entre os dois sistemas, Aristóteles fundou em 335 a. C. o Liceu, escola concorrente da Academia.

Para Aristóteles, todo o conhecimento deve ter como ponto de partida o mundo material, pelo que a essência das coisas não pode, senão ilegitimamente, ser colocada numa instância transcendente, separada da natureza. Assim, considera a substância (ousia) imanente aos próprios entes, como um composto de matéria - enquanto elemento passivo e determinado - e forma - elemento activo e determinante, princípio de inteligibilidade e universalidade (hilemorfismo). Na matéria, a essência tem apenas uma expressão virtual (ou potencial), só adquirindo «realidade» (i. é, actualidade) em virtude da ação da forma. Com esta doutrina, além de superar a artificialidade da cisão operada por Platão entre o mundo inteligível e o mundo sensível, Aristóteles transpõe para o seio da própria substância toda a dinâmica do devir, agora interpretada valorativamente.

Por considerar a substância não como algo absoluto e estático, mas em permanente desenvolvimento, foi conduzido ao estudo das condições em que este se opera, tendo ficado famosa a sua teoria das causas, que dividiu em quatro tipos: a formal («a noção» prévia, o plano da mudança), a final («a finalidade», o objectivo da mudança), a eficiente (o agente da mudança) e a material (aquilo que muda).

No mundo, o desenvolvimento processa-se entre dois limites: a matéria pura - ou potência pura, totalmente informe (limite inferior); e a forma pura - acto puro, ou Deus na acepção aristotélica, o ser por excelência, plenamente actual, causa final para o qual tudo se orienta (limite superior).

Da Metafísica se conclui que o núcleo inteligível e universal da substância é a forma substancial, elemento que está na origem do conceito e, assim, se constitui como objecto da ciência. Embora reconhecendo a importância da indução no desenvolvimento do conhecimento, Aristóteles reserva para o processo dedutivo o papel fundamental, tendo sido o primeiro a investigar de um ponto de vista estritamente formal os princípios gerais do raciocínio válido (verdadeiro). A Lógica, produto dessas investigações, foi por ele considerada como um estudo preliminar (ou uma propedêutica) relativamente à filosofia, apresentando-se pois como método (organon) a que têm de se submeter toda a explicação e demonstração científicas. A teoria do silogismo tornou-se o instrumento mais perene da lógica aristotélica, tendo permanecido praticamente inalterada até ao século XIX.

O silogismo é definido como «um discurso no qual, sendo dadas determinadas premissas, uma conclusão delas distinta se infere necessariamente». Na sua forma mais elementar tem a seguinte estrutura: «se a é afirmado de todo b, e b de todo c, necessariamente a é afirmado de todo c».

O exemplo clássico de silogismo é o seguinte:

(1) Todos os homens são mortais.

(2) Sócrates é homem.

(3) Logo, Sócrates é mortal.

As proposições (1) e (2) são as premissas; a proposição (3) é a conclusão. «Mortal» é o termo maior (predicado na conclusão) e «Sócrates» o termo menor (sujeito na conclusão). «Homem» é o termo médio, que surge em ambas as premissas e desaparece na conclusão.

No que respeita à Ética e à Política, Aristóteles, espírito pragmático, afasta-se mais uma vez dos modelos ideais e intelectualistas de Platão e considera que quer uma, quer outra têm um fim essencialmente prático, visando promover a felicidade humana (eudemonismo). Na esfera subjectiva, o indivíduo deve agir livre e responsavelmente em conformidade com a razão, na busca de uma atitude ética que só se adquire pelo exercício e pela aprendizagem, procurando evitar os extremos condenáveis, na busca de uma situação de equilíbrio que garanta não só o bem-estar pessoal como a ordem social. Assim, propõe que o indivíduo se deixe guiar pelo primado da coragem (evitando a cobardia e a temeridade), da moderação (oposta quer à devassidão, quer à apatia) e da generosidade (afastando-se seja da avareza, seja da prodigalidade). Esta procura do meio termo, se acompanhada por uma preocupação de justiça e de amizade, permitirá o acesso ao soberano bem: o relacionamento fraternal entre homens livres, ou seja, a realização da essência do homem enquanto «animal político» (isto é, social).

No tocante à Política, procura não os princípios abstratos que deveriam modelar uma cidade utópica, mas esclarecer em que condições concretas pode o ser humano dar satisfação plena à sua essência social. Após analisar as constituições de várias cidades, classifica as formas de governo baseando-se em dois critérios: como justas ou injustas - dependendo da prevalência que dão ao bem comum ou aos interesses particulares dos governantes - e de acordo com o número daqueles que participam no poder - governo de um, de alguns ou de todos. Distingue então a monarquia, a aristocracia e a "politia" (democracia moderada) da tirania, da oligarquia e da democracia, respectivamente. Embora não dê preferência a nenhuma das três formas justas de governo, reconhece que, de todas elas, a mais realizável é a "politia". Sempre sob o primado do pragmatismo, indica que devem ser preservadas tanto a família (base natural de toda a organização social) como a propriedade privada; porém, aceitou igualmente como naturais a escravatura e a desigualdade entre os sexos.

O sistematismo que conseguiu imprimir em todas as reflexões, aliado a um enciclopedismo e a uma capacidade analítica invulgares, fez de Aristóteles um pensador ímpar em toda a história da filosofia. Durante a Escolástica, altura em que o recurso ao seu pensamento atingiu o apogeu, mereceu, por excelência, a designação de «o Filósofo». Nos domínios da Metafísica e da lógica, ainda hoje se faz sentir a sua influência. Morto em 322 a. C., encerra o período clássico da filosofia grega, do qual também fazem parte Sócrates e Platão.

 

Obras de Aristóteles:

Conjunto preservado no Corpus editado por Andrónico de Rodes no séc. I a. C. e composto apenas de textos herméticos, ou acroamáticos, segundo SILVA, Carlos - «Aristóteles», LOGOS, Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa: Editorial Verbo, 1992:

Organon [Categorias, Da Interpretação, Primeiros Analíticos, Segundos Analíticos, Tópicos, Refutações Sofisticas]

Física, Acerca do Céu, Da Geração e da Corrupção, Meteorológicos, Tratado da Alma, Dos Sentidos, Da Memória e da Reminiscência, Do Sono e da Vigília, Dos Sonhos, Da Interpretação dos Sonhos, Da Longevidade e Brevidade da Vida, Da Juventude e da Velhice, Da Vida e da Morte, Da Respiração

História [ou Investigação Acerca] dos Animais, Acerca das Partes dos Animais, Do Movimento dos Animais, Da Geração dos Animais, Metafísica

Ética a Nicómaco, Grande Moral, Ética a Eudemo, Política, Economia, Retórica, Poética

 

Agostinho da Silva

Professor e investigador português (1906-1994), ficou conhecido como filósofo e escritor, mas foi a ensinar e a investigar a história que passou grande parte da sua vida. Com ideias muito próprias, Agostinho foi despedido da sua profissão e excomungado pela Igreja. Em 1944 decidiu ir viver para o Brasil onde publicou grande parte das suas obras.

George Agostinho Baptista da Silva ficou conhecido para sempre como um dos grandes filósofos portugueses. Nasceu no Porto em Fevereiro de 1906 e com 22 anos terminou a licenciatura em Letras, com a nota máxima de 20 valores.

Mais tarde, em 1931, o filósofo portuense fundou, em Lisboa, o Centro de Estudos de Filologia, encargo que lhe foi atribuído pela Junta Nacional de Educação, e que está actualmente transformado no Centro de Linguística da Universidade Clássica de Lisboa.

Quatro anos depois, em 1935, Agostinho da Silva foi demitido da sua condição de professor do ensino oficial por se ter recusado a cumprir a chamada "Lei Cabral", isto é, assinar uma declaração em que garantisse não pertencer a qualquer organização secreta. Apesar de não pertencer a nenhuma organização desse género, Agostinho da Silva recusou-se a assinar tal documento por ir contra as suas convicções pessoais.

Em 1944, foi excomungado pela Igreja, facto que o levou a abandonar Portugal para se fixar no Brasil, país onde desempenhou funções e ocupou cargos importantes no domínio da investigação histórica, mantendo sempre ligações de docente com universidades brasileiras e com os Colégios Libres do Uruguai e Argentina.

Em 1976, Agostinho da Silva, portuense com naturalidade brasileira há mais de 20 anos, decidiu voltar a Portugal, sendo reintegrado no Ensino Superior, na qualidade de aposentado como Professor Titular das Universidades Federais do Brasil. Com direito a uma pensão de aposentação, decidiu, ainda em 1976, criar o Fundo D. Dinis para atribuição do prémio com o mesmo nome, prémio D. Dinis.

Para além de professor, filósofo e investigador, George Agostinho Baptista da Silva notabilizou-se também como escritor, em cujo currículo constam mais de 60 obras, muitas delas publicadas durante a sua permanência no Brasil. Agostinho da Silva morreu em 3 de Abril de 1994, com 88 anos de idade.

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