Filosofia,
uma só definição?

Indice
- Introdução
- Desenvolvimento
- Filosofia ou
filosofar?
- Filosofia ou
filosofias?
- Percorrendo a
História do pensamento
- Conclusão
- Bibliografia
- Anexos
Introdução
Este ano deparamo-nos com uma
disciplina nova, chamada Int. Filosofia, nunca a tinhamos tido,
falava de umas coisas muito esquisitas e tudo aquilo era muito
confuso para nós.
Por isso, ao inicio
deparamo-nos com muitas perguntas que nos estavam a dar a volta à
cabeça!
Ø
Será que todos nós sabemos o que é a Filosofia?
Ø
Será que a Filosofia é aquele quebra-cabeças que todos nós
pensamos e nunca sabemos o que dizer sobre ela?
Ø
Será que nós no nosso dia a dia filosofamos?
Ø
Afinal quantas definições tem a Filosofia?
São estas as questões que nós
vamos tentar responder!...
Ao fim de tantas perguntas
decidimos fazer um trabalho sobre a Filosofia.
Com este trabalho vamos tentar
responder a todas estas questões e aprofundar mais um bocado os
nossos conhecimentos, mas para o realizar tivemos de começar a
pesquisar na biblioteca, na Internet e nas enciclopédias para vos
apresentar o começo da história da Filosofia, definições sobre ela e
também sobre os filósofos mais conhecidos até aos dias de hoje para
vermos se era possível chegar a uma conclusão.
Filosofia ou
filosofar?
No que se refere à Filosofia
como conceito geral (in sensu cosmico), porém: também se lhe pode
chamar um saber acerca das máximas supremas do emprego da nossa
razão, na medida em que se entende por máxima o princípio interno da
escolha entre vários fins.
Portanto, a Filosofia no seu
último significado é o saber da relação de todo o conhecimento e uso
da razão com o fim da razão humana, ao qual, como ao supremo, todos
os outros fins estão subordinados e têm de se reunir nele para
[conseguirem] a unidade.
O campo da Filosofia nesta
acepção universal abre-se às seguintes perguntas:
Ø
O que posso saber?
Ø
O que devo fazer?
Ø
O que me é permitido esperar?
Ø
O que é o homem?
À primeira pergunta responde a
Metafísica, à segunda a Moral, à terceira a Religião e à quarta a
Antropologia.
No fundo, poder-se-ia contar
tudo isto como Antropologia, porque as três primeiras perguntas
referem-se à última.
O filósofo tem portanto de
conseguir definir
Ø
as fontes do saber humano,
Ø
o âmbito do emprego possível e útil de todo o saber e,
finalmente,
Ø
os limites e potencialidades da razão.
O último [objectivo] é o mais
necessário, mas também o mais difícil, e [aquele] com o qual, o
filodoxo não se preocupa.
Compete principalmente ao
filósofo duas coisas:
1. cultura do talento e da
habilidade, para os usar em relação aos vários fins.
2. destreza no emprego de
todos os meios para quaisquer fins.
Ambas têm de ser conjugadas;
pois sem conhecimentos ninguém se pode tornar filósofo, mas também
nunca só os conhecimentos fazem o filósofo, a não ser que sobrevenha
uma conveniente junção de todos os conhecimentos e habilidades na
unidade e uma visão da sua conveniência com os fins supremos da
razão humana.
De modo algum se pode chamar
filósofo a quem não sabe filosofar. O filosofar só se deixa
aprender, através do exercício e do emprego próprio da razão (…)
Pode-se dizer que filosofar é
raciocinar ou reflectir e uma atitude interrogativa.
Aquele que quiser aprender a
filosofar deve (…) encarar todos os sistemas de Filosofia apenas
como história do uso da razão e como objecto do exercício do seu
talento filosófico.
O verdadeiro filósofo tem,
portanto de fazer um uso livre e próprio, não um uso imitador e
servil, da sua razão.
Filosofia ou
filosofias?
‘’O
pensamento
não é dado a nós, seres humanos, como uma faculdade inata, produzida
naturalmente por herança genética e crescimento biológico. Nós
precisamos de aprender a pensar, e dedicarmo-nos a isso ao longo de
todas as nossas vidas. Essa aprendizagem depende de duas coisas: da
convivência com outras pessoas e da reflexão sobre os nossos
próprios pensamentos. Um aspecto fundamental da reflexão, isto é, do
pensamento que se volta sobre si mesmo, é questionar porque pensamos
de uma determinada forma. Ao fazer isso, ao perseguirmos os
fundamentos dos nossos pensamentos ou, dito de outra forma, os
fundamentos do mundo conforme nós o conhecemos, estamos a fazer
filosofia.
Todo o
pensamento
se baseia em determinados pressupostos. A pessoa que se preocupa em
pensar bem ou, para ser mais preciso, em aprender a pensar melhor,
procura entender os fundamentos das suas ideias para pensar de forma
mais organizada e satisfatória. Assim, essas pessoas estão a fazer
filosofia, mesmo que não usem essa palavra para designar o que
fazem. Por outro lado, existem académicos que se limitam a
reproduzir, sem vivência-los como experiências pessoais, os
ensinamentos dos grandes filósofos do passado. Estes, mesmo quando
são conhecidos como filósofos e professores de filosofia, não passam
de guardas de cemitérios, pois lidam com ideias mortas, ao passo que
a filosofia lida com ideias vivas.
Platão foi
uma
espécie de avô dos filósofos. Ele dizia que a verdadeira
sabedoria é um privilégio dos deuses, inacessível aos mortais.
Nós, humanos, desejamos a sabedoria que não podemos ter,
empenhando-nos e atormentando-nos em busca dela, uma busca que nunca
terá fim. O amor pela sabedoria é a filosofia: (filo = amor) +
(sofia = sabedoria) ‘’.
Ao
confrontarmo-nos
com esta questão concluímos que existe não uma filosofia mas várias
filosofias ou seja várias definições para filosofia pois cada pessoa
tem um conceito diferente sobre o Mundo, daí nós termos que
aprofundar mais a História da Filosofia.
Percorrendo
a História da Filosofia
Qual é a origem da Filosofia?
Como já vimos anteriormente a
Filosofia significa amizade pela sabedoria. A história da filosofia
tem a função de dar a conhecer as ideias dos filósofos do passado e
do presente.
A filosofia
é um saber
das últimas causas, razões e explicações da realidade na ordem
natural. Todo o ser humano é filósofo, visto que, como ser racional,
tende a colocar as grandes interrogações da vida: Quem é o homem? O
que é o homem? De onde vem o mundo? Para onde vai? Estas perguntas
não existem só a nível teórico ou intelectual, mas também se
traduzem a nível prático, ou seja, pretende-se encontrar respostas
que dêem sentido à maneira de compreender o mundo e as coisas da
vida.
A passagem do mito à razão
O nascimento da filosofia
ocorreu na Grécia, no séc. VII a C. A causa deve ser procurada na
passagem das concepções míticas sobre a origem do mundo às
explicações racionais baseadas na experiência: por outras palavras,
na passagem do mito à razão.
A razão,
chamada
logos pelos Gregos, tenta procurar os princípios das
coisas da natureza através da observação e da experimentação.
A História...
Desde os tempos mais antigos os
filósofos tentaram chegar a uma imagem total da realidade, ou seja,
a uma concepção do mundo. Nesta perspectiva certos problemas assumem
interesse excepcional.
É possível
obter o
conhecimento
da realidade? Com que métodos? Estas questões pertencem à
teoria do conhecimento.
Que normas devem ser seguidas
para evitar os erros estritamente formais do pensamento? Este
problema é do domínio da lógica. Mas os filósofos não se dedicaram
unicamente às questões teóricas.
O homem
deve enfrentar
também o problema de como actuar e que fim dar à vida, isto é, deve
ter valores e optar. Como deve viver? Este é o problema da ética, a
filosofia moral, eminentemente normativa e axiológica.
Já antes do
nascimento
de Cristo se tinham desenvolvido alguns sistemas filosóficos entre
os povos cultos da Ásia e da Europa.
A filosofia oriental é mais
antiga do que a ocidental e está intimamente ligada à religião. A
filosofia ocidental, a cujo âmbito nos limitaremos, inicia-se com os
Gregos no séc. VI a. C ponto de partida de uma tradição ininterrupta
até aos nossos dias.
Pouco
sabemos dos
filósofos pré-socráticos, pois das suas obras só nos chegaram alguns
fragmentos.
Sócrates
não escreveu
nada, mas o seu discípulo Platão expôs nos famosos Diálogos como
Sócrates, por meio de colóquios, levava os seus concidadãos a terem
uma noção mais clara dos problemas filosóficos e morais. As teorias
de Platão foram de enorme importância para a evolução do pensamento
ocidental. O mesmo se deve dizer dos trabalhos de Aristóteles, de
carácter mais cientifico, porque diziam que o conhecimento do mundo
podia ser obtido por meio da razão, ou seja, através do pensamento
puro.
Uma opinião
muito
diferente foi defendida pelos empiristas Locke,
Berkeley e Hume, que, cada um com os próprios argumentos,
sustentavam que todo o conhecimento se apoia externamente na
experiência, isto é, no testemunho dos nossos sentidos, que são o
meio de que dispomos para o contacto com o exterior.
Kant fez um
esforço
gigantesco para unificar o que de melhor havia no racionalismo e no
empirismo. A sua influência sobre a cultura europeia foi
extraordinária, mas os seus epígonos interpretaram as suas teorias
de maneiras muito diversas. Depois de Kant, a evolução da filosofia
tem sido muito complexa. Os filósofos expõem teorias divergentes e
interessam-se por
problemas
completamente diferentes.
Distinguem-se
actualmente
quatro orientações filosóficas fundamentais: a Filosofia
Analítica; o Neotonismo; o
Existencialismo e o Marxismo.
Em conclusão
Ao pensarmos o pensamento...
Como
verificamos ao longo do trabalho todos nós temos um pensamento
diferente do Mundo que nos rodeia, por isso ‘’A cada um será dado
conforme sua obra e seu entendimento’’ e para termos uma ideia
formada é preciso ‘’Que brilhe a tua luz’’.
Bibliografia
-
Diciopédia 2003, Porto Editora
-
www.wsoy.fi/koulu/kuvat/filosofia
-
Editorial beber S.A., edição especial para fórum, Lisboa, 1989 ,
Audiovisual combi, volume 4
-
Activa e multimédia, enciclopédia de consulta, Lexicultura, 1ª
edição, outubro 1996
Anexos
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Sócrates |
|
Figura
emblemática da filosofia, nasceu em Atenas cerca de 470
a.C. e foi considerado, segundo alguns historiadores na
esteira de Cícero - que afirmou ter sido Sócrates quem
«fez descer a filosofia do céu para a terra e a fez
penetrar nos lares e nas praças públicas de Atenas» -,
como o responsável pela transição para um novo período
da filosofia grega, que se caracteriza pelo abandono das
preocupações cosmológicas em favor de uma temática
predominantemente antropológica. Embora esta
interpretação seja muito polémica - os temas do discurso
socrático não divergem substancialmente das preocupações
dos sofistas, que já haviam colocado o homem no centro
da reflexão filosófica -, é pacífico reconhecer que se
notabilizou pela inflexão que impôs no sentido da
problematização ética.
Movido por um ideal essencialmente prático - acreditava
que só a troca de ideias através do diálogo directo era
relevante -, Sócrates não deixou obra escrita, tendo o
seu pensamento sobrevivido graças a Platão, de quem foi
mestre. Enquanto personagem central de grande parte das
obras platónicas, foi louvado como um pensador que,
longe de procurar impor ou defender qualquer sistema - é
dele a imortal máxima «Só sei que nada sei» -, se
orientou sobretudo para uma missão pedagógica com o
objectivo de levar os concidadãos a «conhecerem-se a si
mesmos», libertando-os dos preconceitos que lhes
impediam o acesso à virtude, à felicidade e ao
verdadeiro saber. Este tipo de proposta colocou-o em
tenaz oposição aos sofistas, cujos desígnios
interesseiros e funcionalistas censurava, por colocarem
indiscriminadamente o conhecimento ao serviço dos
poderosos que lhes podiam pagar aulas de retórica e
erística com o único objectivo de melhor defenderem os
seus interesses particulares.
O método que desenvolveu visava convencer os
interlocutores a rejeitar o saber aparente - «opinião»,
ou doxa -, desprovido de qualquer fundamento
objectivo, com origem no «senso comum». Inquirindo
acerca do significado e definição de conceitos como «o
bem», «a virtude» ou «a felicidade» - motivo pelo qual
Aristóteles o considerou como fundador da filosofia do
conceito -, fazia sobressair a incoerência e a
inconsistência das crenças que dirigiam as acções
daqueles que não reflectiam sobre a essência dos
valores. Este método ficou conhecido como «aporético»
por se concluir de forma «negativa»: uma vez atingida
pelo opositor a autoconsciência da sua profunda
ignorância, Sócrates não propunha qualquer solução para
os problemas identificados. Dotado de uma fé
inquebrantável na realização da razão, acreditava que
esse procedimento era suficiente para indicar o caminho
do saber genuíno - a episteme. Assim,
classificava a sua filosofia como uma maiêutica
(literalmente: «arte de parturejar»), ou seja, como uma
forma de «trazer à luz» as almas transviadas por um
conhecimento vulgar e irreflectido, cabendo
posteriormente a cada um a tarefa de se elevar por si
mesmo até à verdade.
No entanto, é preciso referir que a «missão socrática»
não tinha por escopo a mera promoção intelectual dos que
o ouviam; longe disso, ao admitir como autêntica virtude
humana o conhecimento, combatendo a ignorância estava
também pugnando pelo aperfeiçoamento moral dos
indivíduos - o mal e as condutas injustas são apenas
fruto da ignorância e a ética é correlativa à sabedoria.
A acutilância de Sócrates na crítica à sociedade
ateniense da altura, dilacerada pela guerra, por uma
série de conflitos internos e por uma decadência moral
devida em grande parte ao relativismo propagandeado
pelos sofistas, levou a que se tornasse uma personagem
demasiado incómoda para ser tolerada. Em 399 a. C. foi
acusado de corromper os jovens e de impiedade por não
acreditar nos deuses da cidade. Enfrentando o processo
que lhe moveram com a maior serenidade, recusou o exílio
infamante e acabou por ser condenado à morte pela
ingestão de cicuta. |
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Platão |
|
Um
dos pensadores mais influentes de toda a história da
filosofia, nasceu em Atenas cerca de 427 a. C. Dando
continuidade às preocupações de Sócrates, seu
mestre, tentou ultrapassar o relativismo que
resultava das doutrinas dos sofistas, incapazes de
superar a antinomia entre ser e devir, tal como
haviam sido enunciados por Parménides de Élea e
Heraclito. É o primeiro filósofo de cujas obras foi
preservada uma parte significativa, o que permite
reconstituir com grande fidedignidade as traves
mestras do seu pensamento.
No núcleo do sistema platónico encontra-se a
distinção radical entre o mundo sensível e o
mundo inteligível, cada um deles com
existência autónoma. O primeiro corresponde ao mundo
da corporeidade, contingente e corruptível, domínio
da mudança, da diversidade e das aparências;
o segundo é o mundo das essências ideais, imutáveis,
necessárias e eternas, em suma, da permanência, da
unidade e da Verdade universal.
Dotadas de uma existência objectiva
independentemente de qualquer sujeito cognoscente,
as essências ideais, ou Ideias, são para Platão os
arquétipos (modelos) a partir dos quais foram
formados - por «imitação», ou mimésis - todos
os entes do mundo sensível. O agente dessa
intervenção teria sido uma divindade (o demiurgo)
que, dessa forma, fez transitar a physis (o
mundo físico, a natureza) de um estado primordial de
desordem (o caos) à ordem.
No âmbito gnosiológico, o dualismo idealista
de Platão tem como consequência, do ponto de vista
formal, a inoperância de todo o conhecimento
empírico. Este, de ordem indutiva e tomando por base
as representações sensíveis, reporta-se apenas a uma
realidade contingente e mutável, não podendo elevar
o sujeito além da mera doxa (opinião). Do
ponto de vista material, por maioria de razão, o
conhecimento que tem por objecto a physis é
relegado para um plano subalterno em favor de todo o
saber baseado na contemplação intelectiva dos puros
conceitos, com especial incidência na matemática e
na ética. Associando a unidade, a harmonia, a
virtude e a sabedoria, tal como Sócrates, Platão
coloca no topo da hierarquia das Ideias do mundo
inteligível, enquanto elementos unificadores, as
ideias de Uno, de Bem e de Belo.
Subsidiária da mesma arquitectónica dualista, a
antropologia platónica considera a alma como
essência do homem, vendo o corpo apenas como uma
prisão que lhe limita todas as potencialidades.
Participando dos atributos do inteligível, a alma é
considerada imortal e originária do mundo das
Ideias, pelo que a sua existência no mundo físico
deve ser orientada para libertação de todas as
solicitações materiais e sensuais através do uso da
razão e da prática da virtude, visando atingir o
saber da Verdade, num processo de ascese que
lhe permita regressar ao mundo de plenitude a que
genuinamente pertence.
Esse processo de ascese baseia-se no método que
Platão designa como dialéctica e
caracteriza-se pelo recurso ao diálogo e à discussão
dos conceitos tendo em vista a respectiva
consciencialização e esclarecimento, com a
finalidade de facilitar a reminiscência (ou
anamnese) - isto é, o relembrar - das
Ideias que a alma havia contemplado aquando da sua
permanência no mundo inteligível.
No que respeita ao pensamento político, Platão foi
em grande parte influenciado pela sua ascendência e
formação aristocráticas, atribuindo ao regime
democrático, geralmente defendido pelos sofistas, a
responsabilidade pela decadência de Atenas. Assim, a
organização da cidade modelo que sugeriu deixa
transparecer uma visão elitista ao gravitar em torno
de uma triagem apertada dos cidadãos em que o lugar
do indivíduo se esvai, cedendo perante a força do
interesse comum ditado pelos «mais aptos».
O objectivo da selecção dos cidadãos seria a
distribuição destes em três ordens, de acordo
com o carácter que demonstrassem: à ordem dos
governantes pertenceriam os sábios, que se
deixam conduzir pela justiça, cabendo ao melhor dos
quais, após um longo período de formação, o cargo de
Filósofo-Rei, autoridade última da cidade;
aqueles que se distinguissem pela coragem deveriam
integrar a ordem dos guardiões, com a tarefa
de zelar pela segurança interna e externa da cidade;
os restantes, que se deixam dominar pelas coisas dos
sentidos, fariam parte da ordem dos produtores,
com a função de prover às necessidades materiais da
cidade, cuidando da agricultura, da indústria e do
comércio.
Para evitar qualquer elemento de conflitualidade e
discórdia na cidade, Platão defende também quer a
comunidade dos bens, quer a comunidade das mulheres
e dos filhos. Além disso, propõe que todas as
crianças deveriam ter uma educação comum para que o
processo de selecção dos melhores pudesse decorrer
com eficácia e sem desvios.
Platão morreu em 347 a. C. já com idade avançada,
deixando, no entanto, um grande número de discípulos
que reconheciam a fecundidade das suas teses. A
Academia que fundara em 385 a. C. para proporcionar
formação a todos quantos o quisessem seguir
sobreviveu quase mil anos até ter sido mandada
encerrar por Justiniano I em 529 d. C. Porém, a
perenidade do seu pensamento foi muito além dessa
data, sendo ainda hoje reconhecido o seu legado como
um dos mais marcantes para a génese da actual
cultura ocidental. |
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Aristóteles |
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Filósofo
(384 a.C.-322 a. C.) nascido em Estagira, na
Macedónia. Foi discípulo de Platão e desenvolveu um
sistema filosófico que reagia contra o idealismo
platónico. Nos domínios da Metafísica e da lógica,
ainda hoje se faz sentir a sua influência.
Filho de Nicómaco, médico de Amintas II, rei da
Macedónia, nasceu em 384 a. C. na cidade de
Estagira. Tendo-se destacado precocemente por uma
argúcia invulgar, foi enviado para Atenas a fim de
concluir os estudos na Academia Platónica, onde
permaneceu durante cerca de 20 anos, até à morte de
Platão, de quem foi discípulo. Acreditando numa
tradição hoje duvidosa, as suas relações com aquele
ter-se-iam revestido desde cedo de alguma
conflituosidade. A verdade é que o sistema
aristotélico, embora tributário da distinção
matéria/forma introduzida pelo seu mestre, foi
concebido, em grande parte, como reacção ao
idealismo platónico, em particular contra a teoria
das ideias e o dualismo ontológico que lhe subjaz.
Evidenciando esta oposição entre os dois sistemas,
Aristóteles fundou em 335 a. C. o Liceu, escola
concorrente da Academia.
Para Aristóteles, todo o conhecimento deve ter como
ponto de partida o mundo material, pelo que a
essência das coisas não pode, senão ilegitimamente,
ser colocada numa instância transcendente, separada
da natureza. Assim, considera a substância (ousia)
imanente aos próprios entes, como um composto de
matéria - enquanto elemento passivo e determinado -
e forma - elemento activo e determinante, princípio
de inteligibilidade e universalidade (hilemorfismo).
Na matéria, a essência tem apenas uma expressão
virtual (ou potencial), só adquirindo
«realidade» (i. é, actualidade) em virtude da
ação da forma. Com esta doutrina, além de superar a
artificialidade da cisão operada por Platão entre o
mundo inteligível e o mundo sensível, Aristóteles
transpõe para o seio da própria substância toda a
dinâmica do devir, agora interpretada
valorativamente.
Por considerar a substância não como algo absoluto e
estático, mas em permanente desenvolvimento, foi
conduzido ao estudo das condições em que este se
opera, tendo ficado famosa a sua teoria das causas,
que dividiu em quatro tipos: a formal («a noção»
prévia, o plano da mudança), a final («a
finalidade», o objectivo da mudança), a eficiente (o
agente da mudança) e a material (aquilo que muda).
No mundo, o desenvolvimento processa-se entre dois
limites: a matéria pura - ou potência pura,
totalmente informe (limite inferior); e a forma pura
- acto puro, ou Deus na acepção aristotélica, o ser
por excelência, plenamente actual, causa final para
o qual tudo se orienta (limite superior).
Da Metafísica se conclui que o núcleo inteligível e
universal da substância é a forma substancial,
elemento que está na origem do conceito e, assim, se
constitui como objecto da ciência. Embora
reconhecendo a importância da indução no
desenvolvimento do conhecimento, Aristóteles reserva
para o processo dedutivo o papel fundamental, tendo
sido o primeiro a investigar de um ponto de vista
estritamente formal os princípios gerais do
raciocínio válido (verdadeiro). A Lógica, produto
dessas investigações, foi por ele considerada como
um estudo preliminar (ou uma propedêutica)
relativamente à filosofia, apresentando-se pois como
método (organon) a que têm de se submeter
toda a explicação e demonstração científicas. A
teoria do silogismo tornou-se o instrumento mais
perene da lógica aristotélica, tendo permanecido
praticamente inalterada até ao século XIX.
O silogismo é definido como «um discurso no qual,
sendo dadas determinadas premissas, uma conclusão
delas distinta se infere necessariamente». Na sua
forma mais elementar tem a seguinte estrutura: «se
a é afirmado de todo b, e b de
todo c, necessariamente a é afirmado
de todo c».
O exemplo clássico de silogismo é o seguinte:
(1) Todos os homens são mortais.
(2) Sócrates é homem.
(3) Logo, Sócrates é mortal.
As proposições (1) e (2) são as premissas; a
proposição (3) é a conclusão. «Mortal» é o termo
maior (predicado na conclusão) e «Sócrates» o
termo menor (sujeito na conclusão). «Homem» é o
termo médio, que surge em ambas as premissas
e desaparece na conclusão.
No que respeita à Ética e à Política, Aristóteles,
espírito pragmático, afasta-se mais uma vez dos
modelos ideais e intelectualistas de Platão e
considera que quer uma, quer outra têm um fim
essencialmente prático, visando promover a
felicidade humana (eudemonismo). Na esfera
subjectiva, o indivíduo deve agir livre e
responsavelmente em conformidade com a razão, na
busca de uma atitude ética que só se adquire pelo
exercício e pela aprendizagem, procurando evitar os
extremos condenáveis, na busca de uma situação de
equilíbrio que garanta não só o bem-estar pessoal
como a ordem social. Assim, propõe que o indivíduo
se deixe guiar pelo primado da coragem (evitando a
cobardia e a temeridade), da moderação (oposta quer
à devassidão, quer à apatia) e da generosidade
(afastando-se seja da avareza, seja da
prodigalidade). Esta procura do meio termo,
se acompanhada por uma preocupação de justiça e de
amizade, permitirá o acesso ao soberano bem:
o relacionamento fraternal entre homens livres, ou
seja, a realização da essência do homem enquanto
«animal político» (isto é, social).
No tocante à Política, procura não os princípios
abstratos que deveriam modelar uma cidade utópica,
mas esclarecer em que condições concretas pode o ser
humano dar satisfação plena à sua essência social.
Após analisar as constituições de várias cidades,
classifica as formas de governo baseando-se em dois
critérios: como justas ou injustas -
dependendo da prevalência que dão ao bem comum ou
aos interesses particulares dos governantes - e de
acordo com o número daqueles que participam
no poder - governo de um, de alguns ou de todos.
Distingue então a monarquia, a aristocracia e a
"politia" (democracia moderada) da tirania, da
oligarquia e da democracia, respectivamente. Embora
não dê preferência a nenhuma das três formas justas
de governo, reconhece que, de todas elas, a mais
realizável é a "politia". Sempre sob o primado do
pragmatismo, indica que devem ser preservadas tanto
a família (base natural de toda a organização
social) como a propriedade privada; porém, aceitou
igualmente como naturais a escravatura e a
desigualdade entre os sexos.
O sistematismo que conseguiu imprimir em todas as
reflexões, aliado a um enciclopedismo e a uma
capacidade analítica invulgares, fez de Aristóteles
um pensador ímpar em toda a história da filosofia.
Durante a Escolástica, altura em que o recurso ao
seu pensamento atingiu o apogeu, mereceu, por
excelência, a designação de «o Filósofo». Nos
domínios da Metafísica e da lógica, ainda hoje se
faz sentir a sua influência. Morto em 322 a. C.,
encerra o período clássico da filosofia grega, do
qual também fazem parte Sócrates e Platão.
Obras
de Aristóteles:
Conjunto preservado no Corpus editado por
Andrónico de Rodes no séc. I a. C. e composto apenas
de textos herméticos, ou acroamáticos, segundo
SILVA, Carlos - «Aristóteles», LOGOS, Enciclopédia
Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa: Editorial
Verbo, 1992:
Organon
[Categorias, Da Interpretação, Primeiros
Analíticos, Segundos Analíticos, Tópicos, Refutações
Sofisticas]
Física, Acerca do Céu, Da Geração e da Corrupção,
Meteorológicos, Tratado da Alma, Dos Sentidos, Da
Memória e da Reminiscência, Do Sono e da Vigília,
Dos Sonhos, Da Interpretação dos Sonhos, Da
Longevidade e Brevidade da Vida, Da Juventude e da
Velhice, Da Vida e da Morte, Da Respiração
História [ou Investigação Acerca] dos Animais,
Acerca das Partes dos Animais, Do Movimento dos
Animais, Da Geração dos Animais,
Metafísica
Ética a Nicómaco, Grande Moral, Ética a Eudemo,
Política, Economia, Retórica, Poética |
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Agostinho da Silva |
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Professor
e investigador português (1906-1994), ficou
conhecido como filósofo e escritor, mas foi a
ensinar e a investigar a história que passou grande
parte da sua vida. Com ideias muito próprias,
Agostinho foi despedido da sua profissão e
excomungado pela Igreja. Em 1944 decidiu ir viver
para o Brasil onde publicou grande parte das suas
obras.
George Agostinho Baptista da Silva ficou conhecido
para sempre como um dos grandes filósofos
portugueses. Nasceu no Porto em Fevereiro de 1906 e
com 22 anos terminou a licenciatura em Letras, com a
nota máxima de 20 valores.
Mais tarde, em 1931, o filósofo portuense fundou, em
Lisboa, o Centro de Estudos de Filologia, encargo
que lhe foi atribuído pela Junta Nacional de
Educação, e que está actualmente transformado no
Centro de Linguística da Universidade Clássica de
Lisboa.
Quatro anos depois, em 1935, Agostinho da Silva foi
demitido da sua condição de professor do ensino
oficial por se ter recusado a cumprir a chamada "Lei
Cabral", isto é, assinar uma declaração em que
garantisse não pertencer a qualquer organização
secreta. Apesar de não pertencer a nenhuma
organização desse género, Agostinho da Silva
recusou-se a assinar tal documento por ir contra as
suas convicções pessoais.
Em 1944, foi excomungado pela Igreja, facto que o
levou a abandonar Portugal para se fixar no Brasil,
país onde desempenhou funções e ocupou cargos
importantes no domínio da investigação histórica,
mantendo sempre ligações de docente com
universidades brasileiras e com os Colégios
Libres do Uruguai e Argentina.
Em 1976, Agostinho da Silva, portuense com
naturalidade brasileira há mais de 20 anos, decidiu
voltar a Portugal, sendo reintegrado no Ensino
Superior, na qualidade de aposentado como Professor
Titular das Universidades Federais do Brasil. Com
direito a uma pensão de aposentação, decidiu, ainda
em 1976, criar o Fundo D. Dinis para atribuição do
prémio com o mesmo nome, prémio D. Dinis.
Para além de professor, filósofo e investigador,
George Agostinho Baptista da Silva notabilizou-se
também como escritor, em cujo currículo constam mais
de 60 obras, muitas delas publicadas durante a sua
permanência no Brasil. Agostinho da Silva morreu em
3 de Abril de 1994, com 88 anos de idade. |
Catarina Paiva e Lina
Almeida
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