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Filosofia - 10º ano

“Os valores permitem-nos romper com a indiferença”

Autores: Daniela Marques Cardoso

Escola Secundária Henrique Medina

Data de Publicação: 05/07/2007

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“Os valores permitem-nos romper com a indiferença”

 

Os valores caracterizam-se por serem ideais, entidades abstractas que definem personalidades, autênticos guias de ação orientadores de escolhas e acções. Pertencendo ao domínio do ideal, são portanto possíveis e preferíveis, pois agir humanamente é agir em função de valores.

A verdade é que vivemos numa sociedade heterogénea, dotada de enorme diversidade cultura, formada por imensas culturas que se regem consoante os valores em que acreditam.

Os valores apenas nos permitirão romper com a indiferença se forem universalmente partilhados. Muitas vezes, de tão empenhados em negar as coisas comuns entre culturas e de tão enraizados em preconceitos e ideias pré concebidas, ignoramos e esquecemos o facto de a diversidade cultural, independentemente dos valores em que assenta, constitui uma possibilidade do homem alarga os seus horizontes, aumentar o conhecimento e cultura geral, viajar, fazer intercâmbios…

Existem também que, elevando os seus valores, defina uma sociedade como atrasada. Isso é errado porque cada cultura pratica tradições, rituais… conforme os seus valores, e não é o facto de se divergirem que garante o atraso de uma sociedade. Ao tentar romper com a indiferença, o homem precisa primeiro entender que todos os valores têm direito à existência.

A grande dificuldade surge em reconhecê-los como tradutores de diferenças e que nos têm feito rejeitar outras culturas e cidadãos. Na verdade, somos todos diferentes porque estamos inseridos num determinado meio social onde nos foram incutidos certos valores, por outro lado, todos temos direitos iguais de dignidade, igualdade e liberdade humana, que nos permitem defender aquilo em que acreditamos.

Para acabar com a indiferença, seria necessário criar valores que fossem partilhados por outras culturas. Mas isto é muito difícil, porque existem mesmo culturas tradicionalistas que não aceitam reger-se por outro tipo de “normas”, nem lhes estarem sujeitos.

Deparamo-nos com diversas atitudes que colidem com a maneira de tentar criar uma atitude de recepção e integração de novas raças, fazendo mesmo uma aculturação e reduzir a inferiorização.

Por exemplo, o etnocentrismo é uma prática de visionar outras culturas a partir da sua, considerando a sua etnia o centro e todas as outras inferiores. É grave porque leva à falta de compreensão e aceitação de que outras culturas possam ter padrões semelhantes e promove uma coesão exagerada em torno da sua própria etnia, desprezando as outras e não fazendo prevalecer as minorais éticas. Então, é de frisar que esta atitude corre diversos riscos como racismo ( Ex: A Alemanha Nazi), xenofobia (há quem culpes os estrangeiros de falta de emprego aquando graves períodos de crise económica) e um patriotismo exagerado.

Isso permite-nos afirmar que o conceito de raça é imensamente baseado em convenções sociais do que políticas, uma vez que no mundo, apenas existe uma raça: a raça humana.

Tentando combater algumas divergências, a melhor forma de elevar a importância dos valores é demonstrando-os perante outras culturas e não adquirindo posições como o relativismo cultural.

Este tipo de atitude aceita que o mundo esteja construído sobre uma pluralidade de etnias que se comportam de acordo com os seus próprios valores, mas não permite a interacção com outras culturas, fechando-se cada uma em si. Dessa forma, seria impossível que os valores rompessem com as indiferenças porque não promove o diálogo entre as culturas, leva ao isolamento e à sua estagnação, tornando-se cada cultura tradicionalista, conformista e não aberta à inovação. A partir desse contexto, todas as nossas acções seriam fruto das ideias dominantes da sociedade.

Assim sendo, o melhor meio de acabar com as divergências será tomar parte da perspectiva do futuro, embora ainda seja muito remota: o multiculturalismo.

Ao adoptarmos a posição de multiculturalistas, estamos a promover um sentimento de união para a criação de objectivos universalmente partilhados, aceitando a pluralidade de culturas e as diferenças existentes e, integrando mesmo essa diversidade como um factor de riqueza e complexidade de que o mundo é formado.

A partir do multiculturalismo promovemos diálogos inter culturais, salvaguardamos os direitos humanos e colaboramos na procura de respostas a problemas mundiais, de ordem social e cultural. A ideia de os valores universais adquirirem um papel dominante sobre a diversidade cultural faz acreditar na possibilidade de as minorias étnicas se verem reconhecidas.

Felizmente, importa considerar que já existem pessoas e projectos que se dedicam a este tipo de acções, e que acreditam firmemente na unidade e respeito entre os povos, como Tratados de Paz, acções humanitárias e voluntariado.

 

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Daniela Marques Cardoso

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