|
Introdução
Este é o trabalho de Filosofia de carácter obrigatório do 3º
Período. Neste trabalho iremos apresentar o tema da Violência e
Agressividade.
A maior parte das pessoas pensa que a violência se manifesta apenas
quando há recurso à violência física, mas não é verdade: a violência
engloba também a violência verbal e psicológica. Pode ser praticada
por qualquer pessoa, contra qualquer ser. Agressividade é um
complemento da violência e neste trabalho pretendemos demonstrar as
diferenças ou semelhanças entre ambas.
Escolhemos este tema porque a violência é um problema que atinge
milhares de pessoas e não só as crianças, adolescentes ou as
mulheres. É praticada por qualquer pessoa e pode ser realizada
contra quase tudo – pessoas, animais e objectos. É um tema que
possui muitas vertentes.
Realizamos este trabalho em busca de mais conhecimento próprio e
enriquecimento da nossa cultura pessoal. Este género de assunto não
é debatido em muita profundidade na comunicação social. Dado que é
bastante falado – e é cada vez mais comum – não queremos “cegar”
perante as evidências pelo que vamos procurar conhecimentos que nos
permitam avaliar correctamente as situações com que nos deparemos
quer de forma directa quer indirecta.
O Tema
Definição de Violência e Agressividade
Violência
é a conduta que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objecto.
Recusa a autonomia, prejudica a integridade física ou psicológica
chegando a atentar contra a vida de outrem. É o uso excessivo de
força, além do necessário ou esperado.
A noção de violência afasta-se da de força, palavra que no
quotidiano costuma estar presente quando se pensa em violência.
Enquanto força designa, em termos filosóficos, a energia ou
"firmeza" de algo, a violência caracteriza-se pela ação devassa,
impaciente e baseada na fúria, que não tenta dialogar ou fazer
prevalecer a sua opinião, apenas o demonstra a partir da violência.
Considera-se violência explícita quando as normas ou regras morais
sociais são desrespeitadas. Mas, uma vez que nem todas as sociedades
partilham as mesmas normas, também o conceito de violência varia.
Agressividade
é a tendência humana de ter vontade de cometer um acto de violência
contra outro humano. Pode ser também o conjunto de tendências que se
concretizam em condutas que pretendem causar danos a outras pessoas,
destruí-las, coagi-las ou até mesmo humilhá-las.
Muitas vezes a agressividade é, por motivos religiosos ou culturais,
comparada a violência ou destrutibilidade quando, na realidade, os
dois últimos são comportamentos patológicos da conduta humana que
podem pôr em causa a sobrevivência da espécie enquanto a
agressividade é um fenómeno comum no dia-a-dia.
A pessoa agressiva é alguém que reage a tudo como se fosse uma
disputa, uma prova às suas capacidades mentais. A competição passa a
fazer parte da sua vida e desde cedo esforça-se para nunca falhar,
nunca ser excluído. Para uma pessoa agressiva por natureza, a
crítica é avassaladora.
É importante salientar que a sociedade amplia o conceito de
agressividade, chegando ao absurdo de considerar a sinceridade e a
autenticidade como resultados de agressividade.
Na sociedade competitiva em que vivemos todas as decisões são
tomadas tendo em consideração possibilidade de agressão quando o
nosso espaço pessoal é violado. As consequências destas acções não
são apenas os efeitos da agressividade em si como também da culpa
resultante.
No entanto deve-se ter em mente que tais comportamentos são úteis no
âmbito da reflexão profunda sobre o tipo de reacção necessária para
demonstrar os verdadeiros sentimentos perante os outros. O obstáculo
deste processo passa por descobrir como o fazer sem causar
demasiados danos.
Para explicar porque determinadas pessoas reagem de certas maneiras
a diferente situações há a necessidade de citar o complexo de
inferioridade, complexo em que alguém acredita completamente, desde
a sua infância, que é menos que qualquer outra pessoa. Como
consequência a pessoa desenvolve uma personalidade tímida e retraída
e em situações sociais tende a criar muita raiva e ódio para se
compensar psicologicamente.
Para o desenvolvimento de uma relação sem agressividade são precisas
paciência, dedicação e confiança.
Agressão verbal, física e emocional
Agressão verbal
O praticante de agressão verbal ataca a sua família mesmo na
presença de desconhecidos. Uma vez que precisa de menos força física
a mulher tende a especializar-se neste tipo de violência.
A violência verbal consiste em agredir directamente sem uso de força
física. Um agressor pode agredir pelo que diz ou pelo que não diz.
Um agressor verbal pode também ofender moralmente o agredido.
Criticando o seu trabalho, o corpo, ou a forma de realizar
determinadas tarefas.
Agressão física
Agressão física é praticada quando é usada a força com o objectivo
de ferir. Normalmente o agressor aplica murros ou estaladas,
agressões com objectos ou queimaduras.
As formas de agressão física variam consoante o agredido e o
agressor. Se a vítima for um homem é natural, uma vez que possui
maior força física, que o acto de agressão seja praticado por
terceiros como profissionais contratados ou durante o sono do
agredido.
Apesar de todas as medidas de precaução, apesar de toda a protecção
dada a crianças e adolescentes, o número de agressões praticadas por
estas contra pais, avós e outro familiares tem vindo a aumentar.
O álcool é uma agravante do comportamento agressivo. A Embriagues
Patológica é o estado em que a pessoa que bebe se torna muito
agressiva e por vezes não se relembra do que fez durante os seus
ataques de ira. Além de alcoólicos, os chamados portadores de
Transtorno Explosivo de Personalidade são também grandes agressores.
Tanto a Embriagues Patológica como o Transtorno Explosivo têm
tratamento.
Agressão emocional
É errado pensar que agressão emocional é menos grave que a física,
por vezes é tão prejudicial como a física. É caracterizada por
rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e
punições. Este género de agressão não deixa marcas visíveis no corpo
mas marca para sempre o espírito de quem as passa.
O tipo mais comum de agressão emocional é o de comportamentos
histéricos em que o agressor tenta satisfazer a sua necessidade de
atenção e carinho mobilizando membros da família no seu auxilio por
meio de alguma doença, dor ou problema, algo que exija cuidado e
tolerância. Este género de agressão é maioritariamente praticado por
mulheres.
Outra forma de agredir emocionalmente é fazer o outro sentir-se
inferior, dependente ou culpado. É uma agressão dissimulada terrível
porque quando bem realizada, quando todos os aspectos estão
perfeitos prejudica interminavelmente o agredido. O agressor
sente-se realizado quando o outro está diminuído. É o género de
agressão praticada por pais contra filhos que não se saem
exactamente como eles quereriam.
A oposição e aversão são ainda outro tipo de agressão. Quem pretende
agredir comporta-se contrariamente ao que se espera delas.
Justificam as suas atitudes como se fossem plausíveis ou totalmente
irrelevantes, inevitáveis, insignificantes ou correctas. Estas são
atitudes praticadas por maridos e por esposas.
Ameaças de agressão física sem a sua concretização são agressão
emocional mesmo não havendo agressão directa.
Agressão privada
Violência doméstica
A violência doméstica é qualquer acto, exclusão ou gesto que
provoque sofrimentos físicos, sexuais, psicológicos ou económicos.
Estes ferimentos podem ser feitos de modo directo ou indirecto, por
meio de ameaças, enganos, coação ou qualquer outro meio. Qualquer
pessoa pode ser agredida quer habite na mesma casa tais como os
pais, filhos, conjugues, companheiros ou namorados, jovens e maus
tratos a idosos, quer não habite na mesma casa que o agressor e seja
conjugue ou ex-conjugue, companheira ou ex-companheira, ou tenha uma
relação de parentesco directa.
Agressão directa é quando o agressor atinge a vítima sendo esta uma
pessoa querida e próxima e/ou faz a destruição de objectos e
acessórios do mesmo.
Abuso de Crianças
Sexual
O abuso sexual é uma conduta sexual praticada com uma criança por um
adulto ou por outra criança mais velha.
A nível psicológico e emocional os danos provocados pelo abuso
sexual contra uma criança são gigantescos. Apesar de qualquer número
que se possa dar à quantidade de casos tem de se ter em conta que a
quantidade real é muito superior, pelos mais diversos motivos,
vergonha, medo, ameaças, poucas são as crianças apoiadas pelas
famílias a apresentar queixa.
O abuso sexual pode ser praticado pela família, o pai, padrasto,
irmão ou qualquer outro parente. Pode também ter início fora de
casa, em casa de amigos, vizinhos, professores ou mesmo
desconhecidos.
Trabalho
O trabalho infantil é qualquer tarefa remunerada realizado por
crianças ou adolescentes com idades inferiores à idade mínima legal
permitida para o trabalho, conforme a legislação de cada país. Por
norma a idade que se permite legalmente ao menor para trabalhar é
entre os 14 e 16 anos.
Na generalidade o trabalho infantil é proibido e punível por lei. As
constituintes mais cruéis de trabalho infantil são consideradas
crime grave, como o trabalho escravo, a venda ou tráfico de menores
e a pornografia de menores.
Bullying
O bullying descreve actos de violência física ou psicológica
praticadas por alguém ou por um grupo para intimidar ou agredir
alguém. A própria palavra “bully” representa alguém mais forte, que
comete agressões contra os mais fracos mas provavelmente fora também
agredido por alguém mais forte que ele.
Essencialmente o bullying tem 3 elementos principais: um
comportamento agressivo e negativo que é cometido várias vezes uma
vez que há um desequilíbrio de poder na relação entre agressor e
agredido.
O bullying pode ser directo ou indirecto (agressão social). O
bullying directo é maioritariamente cometido por agressores
masculinos, o indirecto é comum a agressores do género feminino ou
crianças pequenas, é caracterizado por espalhar rumores, recusa de
socializar com a vítima, intimidar quem socializar e criticar
constantemente a vítima.
Assédio
Moral
O assédio moral faz parte da violência no trabalho. Quando um
trabalhador está a ser submetido a situações constrangedoras ou
humilhantes por tempo prolongado durante a execução das suas tarefas
no dia-a-dia está a ser alvo de assédio moral.
Normalmente este género de assédio é perpetuado por o empregador que
se aproveita da sua posição para exercer pressão sobre o seu
funcionário de forma a obter o que deseja. Usualmente as acções
praticadas contra o assediado têm o objectivo de o humilhar
publicamente no trabalho. Os assediadores podem também optar por
prejudicar a imagem do profissional humilhando-o. Para conseguirem
apoio na sua perpetuação de humilhação procuram adeptos que
conseguem através de armas psicológicas.
Quem agride moralmente retira prazer da sensação de poder com que
fica após humilhar. Os grupos de assédio moral formam-se por
diversas pessoas que ou gostam também de humilhar e abusar do seu
poder ou tem medo de perder os seus empregos.
Este género de violência pode ultrapassar a barreira moral que
fornece ao agressor prazer e passar para um estado mórbido de gozo
que implica e incita a violência física.
Por vezes é difícil a vítima provar que houve agressão por ser algo
privado e sem pessoas que possam testemunhar.
Desordens alimentares
As desordens alimentares têm duas variantes principais: anorexia e
bulimia. Um dos sintomas primários é a alteração emocional e
comportamental. Pessoas com estes distúrbios criticam constantemente
uma determinada parte do corpo ou o peso e começam a isolar-se
socialmente. Mantêm uma rígida dieta mesmo estando proporcional.
Para se desenvolver uma Anorexia Nervosa e Bulimia é preciso o
paciente passa primeiro por uma Dismorfia Corporal, caracterizada
pela obsessão com uma parte do corpo, e causa um grande sofrimento
psicológico.
Na sociedade actual o conceito de beleza passa por ser jovem, magro
e bonito. Deste modo a sociedade em geral mas os adolescentes em
particular são levados a acreditar que modelos e actores são
protótipos a imitar.
Reflexão Filosófica
Após a conclusão de todo o trabalho apercebemo-nos que a violência
está muito além daquilo que acreditávamos ser possível.
Compreendemos que o conceito de violência abrange pequenos actos que
não são óbvios, pequenas acções que passam despercebidas se não
estivermos atentos.
Todavia é um assunto que merece maior divulgação uma vez que as
vítimas não são apoiadas. Uma vítima de agressão sofre a vergonha de
ser agredida e a vergonha de pedir ajuda, da mesma forma alguém que
tente ajudar um agredido não sabe como o fazer devido à falta de
informação.
Deixando de parte a violência e focando-nos apenas na agressividade
é incrível o poder que a persuasão tem. A mera consciência de que
tal instinto existe permite que haja um maior controlo sobre as
nossas acções.
A agressividade negativa tem a característica de deixar uma marca,
um trauma que não pode ser esquecido e que com o passar do tempo a
pessoa nunca esquecerá alguém que lhe tenha causado danos, sejam
estes físicos ou psicológicos.
No entanto o objectivo do trabalho era tentar definir se a sociedade
actual não estará a fechar os olhos à violência e é a essa questão
que pretendemos responder.
Infelizmente vemos ambos os prismas. Á base legal vários progressos
foram feitos, as leis abrangem novas modalidades de agressão e os
meios de combate a essas agressões são mais eficazes e rápidos. No
entanto não se incentiva a participação de casos de violência e há
pouca informação de como ajudar um agredido.
Muitos dos casos de agressão não são participados pois o agredido é
completamente subjugado pelo agressor, de uma forma tão complexa que
ele acredita realmente ser impotente face ao poder superior do
outro.
Além das dificuldades em convencer alguém a apresentar queixa à
polícia as próprias forças da lei muitas vezes são impotentes porque
sem provas não podem formar um caso e se o agressor descobre que foi
feita queixa à polícia as consequências são devastadoras para o
agredido.
Chegámos ao consenso que apesar da sociedade estar a abrir os olhos
para a violência que a rodeia não consegue todavia proteger-se dela,
ainda. No entanto mantendo o ritmo de progressos actuais dentro de
pouco tempo o sistema será optimizado permitindo desta forma uma
ajuda completa e fácil a quem considerar que está a ser privado de
executar o seu direito básico à felicidade sem medo de ser agredido.
A nossa sociedade evoluiu de uma época em que todas as disputas eram
resolvidas à base da força bruta. Nos dias que correm a violência
está ainda muito presente no subconsciente de cada pessoa. Recorrer
à agressividade é um impulso que todos os humanos têm mas que vários
aprenderam a controlar no entanto alguns devido a uma ou outra
circunstância atenuante não conseguem.
No entanto após a realização do trabalho continuamos sem certezas
absolutas acerca da posição da sociedade face às crescentes
necessidades das pessoas. As forças policiais ajudam mas são-lhes
impostos limites, os amigos ou conhecidos de um agredido também
tentam auxiliar mas a maior dificuldade é a de ser ouvido sem se ter
provas concretas. Não é possível legalmente apresentar uma queixa
completa e formal sem que o agressor seja informado, sem que se
apresentem provas concretas de que foi cometida agressão contra a
vítima e muitas vezes as queixas não são completamente apresentadas,
algures por entre a papelada que se tem de apresentar as vítimas
desistem porque não é um pedaço de papel que as vai proteger contra
os punhos fortes do seu agressor ou contra o poder do seu opressor.
Tao Te Chig disse que “ao conhecer os outros demonstra inteligência,
conhecer-se a si próprio é verdadeira sabedoria.”
Mas alguém que comete actos atrozes contra a felicidade, contra a
liberdade de outra pessoa demonstra que não tem a menor sabedoria
pois não consegue compreender que apesar de momentaneamente parecer
que tal acto lhe proporciona um enorme prazer com o passar do tempo
esse prazer dissipa-se e a culpa permanece.
Wharton defendia que “Se ao menos pudéssemos parar de tentar ser
felizes, poderíamos diverti-nos muito mais.”
Um agressor não entende que se cessar de tentar submeter outra
pessoa a humilhação para ter a sua dose de felicidade pode encontrar
essa mesma felicidade em diversos outros locais.
Henry Boyle uma vez disse que “A viagem mais importante que fazemos
na vida é a de encontrar com os outros o meio-termo.”
Conclusão
Esperamos que através do nosso trabalho se consiga ver que a
violência nos dias que correm é cada vez mais praticada e já não se
esconde. Numa sociedade em que muitas liberalidades não são
permitidas a violência implícita é vendida publicamente sem que se
tomem medidas.
Não nos podemos deixar levar por este tipo de situações que, de dia
para dia se tornam mais evidentes e mais vulgarizados. Não podemos
ficar calados perante estas situações, mas devemos agir de forma a
termos
Bibliografia:
- http://www.apav.pt/pdf/violenc_domest_2006.pdf
-
http://copodeleite.rits.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/index.shtml
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Viol%C3%AAncia
- http://www.violencia.online.pt/
- http://www.fmh.utl.pt/aventurasocial/pdf/Violencia.pdf
- http://www.ipv.pt/forumedia/3/3_fe5.htm
- http://www.fjuventude.pt/programas/sites/violencia/
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Viol%C3%AAncia_dom%C3%A9stica
- http://www.psiqweb.med.br/infantil/violdome.html
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Terrorismo
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Ass%C3%A9dio_moral
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra
-
http://sol.sapo.pt/blogs/oidotsuc/archive/2007/03/11/VIOL_CA00_NCIA-DOM_C900_STICA.-SEMPRE-ABAFADA_3F00_.aspx
-
http://antonioaraujo_1.tripod.com/psico1/portugues/agressao/agress.html
- http://www.virtualpsy.org/infantil/abuso.html
__________________________________
Outros Trabalhos Relacionados
|
|
Viol Doméstica -
Quebrando o Silêncio
-
Muitas são as
pessoas que definem violência doméstica como agressão física feita pelo
marido à mulher. Ela existe em todos os países e atinge todas as classes
sociais. É o sintoma mais visível da desigualdade de poderes nas relações
entre homens e mulheres.
Violência Doméstica
-
O que é a violência doméstica?
Tipos de violência.
O que fazer se for vítima de violência? A violência doméstica é um problema
universal que atinge milhares de pessoas, em
grande número de vezes de forma silenciosa e dissimuladamente.
|
|