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História - 11º ano

Impressionismo

Autores: António Capela

Escola

Data de Publicação: 31/07/2006

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Impressionismo

Índice

Introdução

O Impressionismo no contexto histórico-cultural

Do “Salão dos Recusados” ao Impressionismo

Os Grandes Protagonistas

Conclusão

Bibliografia

 

Introdução

Num período em que a Europa se debatia com as mudanças provocadas, de certa forma, por um conjunto de revoluções que se fizeram sentir, surge, em França, um movimento essencialmente pictórico, que viria a ser conhecido pelo nome de Impressionismo.

A nova visão introduzida pelos realistas, principalmente por Courbet e Millet sobre a pintura de paisagens, origina uma outra revolução, desta feita, na arte. Surge, com este novo grupo, uma técnica de pintura, que vem chocar os académicos, sendo, inicialmente, rejeitados. São os próprios a organizar as suas exposições, recebendo inúmeras críticas, maioritariamente negativas. Uma vez excluídos, Napoleão III abre o que ficou conhecido como Salon des Réfusés. Entre as obras apresentadas no Salon Officiel, destacam-se obras de Corot, Millet, Courbet; já no Salon des Réfusés, encontram-se obras de Manet, Whistler, Jongkind, Fatin-Latour, entre outros. Contudo, conseguem mudar as ideias antigas, e inventam uma arte muito mais moderna, em que se busca, não percepcionar o objecto em si, mas a sensação que desperta no artista e no espectador, a impressão que deriva de diversos factores, entre eles, a variação da luz e os seus efeitos no objecto. Acabam por se enquadrar no período naturalista, já que as cenas retratadas são descritas por escritores naturalistas, como por exemplo Émile Zola, ou Guy de Maupassant, todos frequentadores dos mesmos círculos sociais. Não dão primazia a temas morais ou sociais, nas suas obras, contrariando o espírito realista que os antecedeu. Receberam algumas influências, nomeadamente de Corot, da Escola de Barbizon e admiravam Turner e Constable. Segundo Pierre Francastel, para os impressionistas, a natureza não é uma matéria de reflexão, mas uma fonte imediata de sensações puras. Certo é que este movimento vai além-fronteiras, chegando, mesmo, aos Estados Unidos da América. Acabará por não marcar muito Portugal, exceptuando, talvez, no que muitas vezes é designado por Impressionismo Literário. Caracterizado pelas construções impessoais, a anteposição da cor ao objecto, hipálages, e a transposição de um atributo de agente para a acção. Teve como expoente máximo, no campo da literatura Portuguesa, Eça de Queirós (1845 – 1900) e Cesário Verde (1855 – 1886). A realidade a que os impressionistas se referem têm características realistas, indo em direcção à objectividade, porém a impressão que os escritores têm dessa realidade é subjectiva, sendo muitas vezes guiados pela intuição, características do Simbolismo. Isto tudo fez com que o Impressionismo tivesse carácter conflituoso e ambíguo. A principal manifestação do Impressionismo foi o revigorar do nacionalismo, na procura dos aspectos regionais no conto e no romance, tornando-se um pré-modernista.

O que é facto é que o Impressionismo irá marcar um ponto de mudança de direcção na história da pintura ocidental. Durante a década de 70, retiveram as ideias-base, mas preferem continuar a criar, seguindo as suas ideias pessoais, tentando desenvolver uma linguagem artística muito mais alargada e abrangente. Como exemplos do que foi exposto nessa primeira exposição temos Impressão: Nascer do sol e As Papoilas de Monet (Musée du Jeu de Paume, Paris), Ceifeiros, de Renoir (Stiftung Sammlung E. G. Buhrle, Zurique) e Geada, de Pissarro (Musée du Jeu de Paume, Paris).

 

O Impressionismo no contexto histórico-cultural

O Ocidente, entre final do século XVIII e início do século XIX, é varrido por uma onda de revoluções liberais, políticas, e por outro lado, de revoluções industriais. Toda esta situação vem provocar mudanças, principalmente ao nível político, verificando-se uma maior estabilidade, devido ao triunfo das democracias liberais e à consolidação da burguesia. Na França, após o Segundo Império e a Guerra Franco-Prussiana, com o episódio da Comuna de Paris, em 1871, chega a paz, assim como na Itália e na Alemanha. O Estado assume responsabilidades para com a Saúde, Educação e Trabalho, essencialmente, devido ao aparecimento de oposição, nomeadamente, o Republicanismo, o Socialismo e o Anarco-Sindicalismo. Contudo, as cidades tornam-se símbolos da vida moderna, com os seus caminhos-de-ferro, novos processos de comunicação, novos meios de transporte. Também se verifica a intensificação da vida nocturna, sendo que as sociedades se tornaram mais optimistas e amantes do que é moderno. Durante o período que ficou conhecido como Belle Époque, a França era um país sem muitos problemas, com o Império Africano e a Indochina. Entre 1875 e 1914, verificam-se, então, algumas alterações:

-   Crescimento das cidades, com Paris como protagonista;

-   Canalizações, esgotos, estações e mercados, bem como parques, boulevards e edifícios públicos (ópera, Palais de l’Industrie...) são algumas das obras realizadas;

-   A iluminação vem permitir a circulação à noite, sendo, então, possível as exposições estarem abertas até mais tarde;

-   Os cafés continuam a ser o centro da vida pública e das tertúlias artísticas e literárias.

Outras características deste período são o Capitalismo e a industrialização em ascensão, bem como o avanço das ciências e técnicas. São criações desta época o telefone, a electricidade, o cinema e a fotografia, grandes símbolos de Modernidade. Começam a organizar-se exposições universais, para apresentar as inovações. Paris torna-se o centro da vida artística e cultural ocidental. As ciências que mais beneficiaram são a medicina, a física, a geografia, melhorando a qualidade de vida do homem. Também na arte se verificaram diversas alterações, que mudaram o sentimento do artista perante a obra de arte e, também, perante a Arte, em geral. Isto é, verifica-se um afastamento da Arte, relativamente ao religioso e político, numa tentativa de aproximação ao indivíduo, enquanto criador e consumidor. Para tal, foi instalado um mercado de arte e estabelecido um círculo de críticos de arte. Verifica-se uma revolução nas técnicas, nos objectivos. Acontece, então, o inédito. Surgem duas tendências no respeitante à Arte. Por um lado, o conservadorismo académico, os que se diziam os guardadores da verdadeira arte. Por outro, os que desejavam inovar, os que estavam sujeitos à não-aceitação por parte dos académicos, mas que acabariam por se impor como corrente/escola mais ou menos definida, e que viriam a ser a base da arte do século XX.

 

Do “Salão dos Recusados” ao Impressionismo

O Impressionismo tem origem em Paris, entre 1860 e 1870, e faz a sua aparição pública em Abril de 1874. Um grupo de jovens artistas reunia-se no Café Guerbois, aliás como habitual na época. Lá, discutiam as atitudes e incertezas acerca da pintura. Na época, não era habitual, as galerias fazerem exposições e, por outro lado, o Salon Officiel era a grande oportunidade para os artistas se darem a conhecer. No entanto, o Institut era o júri, composto por académicos. A revolução de 1848 exige que o júri seja composto por artistas com espírito independente. Destaque para Théodore Rousseau. As atitudes destes artistas reflectem o clima existente, tanto ao nível político, como social, em que o capitalismo e, também, a burguesia contribuem para o desenvolvimento. Denota-se, ainda, a sua oposição ao Romantismo e ao Academismo, bem como ao intelectualismo do Realismo. Corre a notícia de uma exposição de pintura. Foi o início oficial do movimento impressionista. Este grupo não queria ser considerado uma nova escola artística, com certo estilo, muito pelo contrário. Consideravam-se, apenas, um grupo com interesses semelhantes. Dão-se inovações que acabam por influenciar este movimento. Surge a evolução dos meios de comunicação, como por exemplo, a descida dos preços dos jornais, a ampliação de pontos de distribuição. Por outro lado, a difusão da alfabetização e cultura aumenta o interesse crescente da população pela arte. Introduzem-se secções relativas à arte nas publicações.

A consciencialização da burguesia, relativamente ao seu papel, no respeitante à economia e política, é outro factor de desenvolvimento. Os artistas do Impressionismo eram originários de famílias burguesas, com excepção de Monet e Renoir. Contudo, não é por isso que deixaram de sofrer inúmeras dificuldades económicas com as alterações na economia. Foram chamados de Impressionistas a partir do comentário de Leroy à sua exposição.

Sem poderem expor no Salon Officiel, fazem-no no estúdio do fotógrafo Nadar, no Boulevard des Capucines. Participam nesta exposição trinta e um artistas, com atitudes diferentes, heterogéneas, estando ligados, apenas, pelas obras representando a vida da cidade, afastadas do Academismo. Este grupo era formado por artistas como Camille Pissarro (1830-1903), Claude Monet (1840-1926), Frédéric Bazille (1841-1870). Paul Cézanne (1839-1906), Édouard Manet (1832-1889), Armand Guillaumin (1841-1927), Pierre-August Renoir (1841-1919), Alfred Sisley (1839-1899), Berthe Morisot (1841-1895), Edgar Degas (1834-1917), Mary Cassat (1845-1926), entre outros. A esta exposição seguem-se outras sete (1876, 1877, 1879, 1880, 1881, 1882, 1886), continuando a ser fortemente criticados, exceptuando Armand Silvestre, Duranty e Duret, que não o fazem.

Este grupo tem a sua formação associada à Academie Suisse e ao atelier Gleyre, em Paris.

Tem origem no naturalismo/realismo de Gustave Courbet. Esta renovação estilística tem, ainda, influências dos trabalhos de Joseph Mallord William Turner (1775-1851) e John Constable (1776-1837). Dos criadores franceses, destaque para as influências de Eugène Delacroix (1788-1863), com as suas pesquisas de cor e luz, os artistas da École de Barbizon, a defesa da pintura fora dos ateliers, e ainda, dos trabalhos de Jean-Baptiste Camille Corot (1796-1875). Alguns dos impressionistas admiram, ainda, as estampas japonesas.

O Impressionismo vem alterar a maneira de ver a natureza, o mundo exterior em geral, e de o reproduzir numa tela, tendo como objectivo a captação do imediato, do instante, de algo que está em constante movimento. Os objectos são retratados ao ar livre, sob a luz natural.

O volume e a solidez são postos de parte, sendo as obras criadas fora das convenções artísticas, mas sempre sob os efeitos do olhar e das mudanças da luz do dia. Por outro lado, o tema deve ser relevante, tendo como objectivo tornar importante, também, o modo como este é percepcionado pelo artista, num dado momento irrepetível. Os impressionistas, de facto, optam por momentos de festa, os passeios nos parques e boulevards, as tabernas e restaurantes ao ar livre, e, também, as paisagens repletas de luz solar. São representados momentos de alegria, cor, luz e movimento. Contudo, são situações em constante mutação, pelo que se torna ambíguo, uma vez que, nos seus quadros, a síntese de luz e cor torna os contornos flutuantes e esfumados, pulveriza a forma, fragmentando constantemente a visão em mil pinceladas resplandecentes de cor. Estes artistas deixam os seus ateliers e vão pintar ao ar livre, sur le motif ou en plain air, como ficou conhecido. O seu filtro é a percepção subjectiva da cor e luz. Concluem que a luz do sol não é compacta, então, tentam decompor as cores. Estas, agora em tubos, já não são misturadas na paleta, mas usadas a partir do tubo. Usam pinceladas pequenas e nervosas, rápidas. As cores são fortes e puras. O objectivo é elas misturarem-se aos olhos do espectador. Desta forma, os objectos retratados vão dissolver-se, destacando-se as iluminações. Muitas vezes, os objectos são identificados pela sua cor e não, propriamente, pela sua forma. Têm um aspecto fluido e pouco trabalhado. Ao contrário do que os artistas anteriores pensavam, a sombra não implica ausência de cor. Pelo contrário, ela é de uma intensidade cromática enorme. Nesse sentido, excluem o preto, enquanto não-cor, mas utilizam-no como cor autónoma. Põem de lado a técnica do claro-escuro, pois defendem que só a cor deve ter como função definir espaços, limites, pondo de lado, ainda, a linha que contornava as figuras. Um dos temas muito popular entre os impressionistas é a pintura de paisagens. Os principais pintores de paisagens foram Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, Camille Pissarro e Alfred Sisley. Os dois últimos têm uma visão mais sentimental, uma pintura mais clara. Nos casos de Renoir e Monet, a paisagem transborda luz e cor, traduzindo a instantaneidade, o momento da captação. Os artistas recorriam à justaposição de toques, sem regras, na tentativa de expressar os efeitos da luz na água ou nas árvores. A partir da década de 70, a sua pincelada começa a tornar-se mais complexa. Nesse sentido, são introduzidos toques de cor, principalmente quando as cenas retratadas são pouco luminosas. Como exemplo disso, temos Côte des Boeufs, Pointose, de Pissarro (National Gallery, Londres, 1877). Este movimento tem mão de um dos pintores mais velhos, Édouard Manet, com o seu quadro Almoço na Relva. Este, tendo sido recusado pelo júri do Salon Officiel, é bem recebido no Salon des Réfusés, em 1863. É criticado por várias razões:

Ø      Abandono do claro-escuro;

Ø      Recursos a contrastes ousados;

Ø      Largas pinceladas, definindo as figuras.

É, todavia, muito bem aceite pelos impressionistas, que o consideram antiacadémico. Temos, então, como características principais do Impressionismo:

§      Concepção dinâmica do Universo, devido ao efeito mutável da luz e cor – nada na Natureza é estático;

§      Inspiração no Realismo – somente o que se vê é pintado;

§      Carácter visual, pondo de lado todos os valores subjectivos intelectuais e psicológicos – põe de lado os problemas sociais;

§      Natureza científica, que resulta da intuição artística.

Apesar do preconceito que existia na altura, as mulheres, também, deram o seu contributo para este movimento. Como exemplos temos Berthe Morisot e Mary Cassat. Morisot foi uma pintora francesa, nascida em 1841, em Bourges. Era cunhada de Manet. As suas obras eram de um impressionismo elegante. Pensa-se que foi pela sua influência que Manet se dedicou ao Impressionismo. Foi aluna de Daubigny e Corot. Os seus temas favoritos retratam, essencialmente, a maternidade. É da sua autoria Vista de Paris do Trocadero, retratando a cidade vista de cima. Morreu em Paris, em 1895. Mary Cassatt foi uma pintora americana, nascida em Pittsburgh, em 1844. Radicada em Paris, torna-se amiga de Edgar Degas. Junta-se ao Impressionismo e ganha reputação internacional. A influência das estampas japonesas é nítida e os seus temas favoritos eram a vida doméstica, temas simples e directos. Destaque para O Banho. Morreu em Les Mesnil, em França, em 1926.

O Impressionismo acaba por se espalhar por outros países. Destaque para Childe Hassam (1859-1935), Maurice Prendergast (1854-1924) e James Abbott McNeill Whistler.

O grupo foi separado durante a guerra franco-alemã, quando Monet e Camille Pissarro foram para Londres. Depois da Comuna de Paris, voltaram a reunir-se em Paris. Os laços de amizade vão ligar alguns, nomeadamente Renoir, Monet e Pissarro. Contudo, no que toca a ideais artísticos, continuam a seguir caminhos diferentes.

 

Os Grandes Protagonistas

Muitos foram os pintores que adoptaram ideais impressionistas. Contudo, há que destacar alguns, considerados marcantes.

 

Édouard Manet

Nasceu a 23 de Janeiro de 1832, em París e faleceu na mesma cidade a 30 de Abril de 1883. Manet não se considerava um impressionista, mas foi à sua volta que se reuniu uma grande parte dos artistas que vieram a ser considerados Impressionistas. O Impressionismo possui a característica de quebrar os laços com o passado e diversas obras de Manet são inspiradas na tradição. As suas obras serviram, no entanto, de inspiração para os novos artistas. Por muitos considerado um revolucionário, desejava o êxito académico. Pintou paisagens e naturezas-mortas, bem como retratos, temas religiosos e vida quotidiana. Manet não repetia motivos e foi considerado desenhador e pastelista. Faz a transição entre o Realismo e o Impressionismo, abandonando a gradação da cor e os acabamentos. Os seus modelos eram membros da sua família. Sofreu influências das estampas japonesas e gostava de contrastes bruscos de claro e escuro, criando efeitos semelhantes com as fotografias com flash. Manet vai receber influências do seu mestre Thomas Couture (1815-1879), nomeadamente, no tratamento solto das obras, mantendo a pincelada individual.

 

Edgar Degas

 Nasceu a 19 de Julho de 1834, na Rue Saint-Georges, em Paris. Era um elemento da alta burguesia, nunca renegou as suas origens mediterrânicas. Tendo uma posição social elevada, conseguiu independência sem grandes problemas, ao contrário dos colegas. Era muito intransigente, tanto na vida privada, como artística. Estudou Direito e frequentou o estúdio de Pierre Joseph Barrias, onde copiava obras renascentistas. De facto, as estampas japonesas e o Louvre são dois mestres de Edgar Degas. Não adopta as paisagens e recusa a pintura en plein air. Fica no seu atelier e dedica-se à modernidade; perspectiva invulgar, luz artificial, são meios que utiliza quando retrata bailarinas a ensaiar, músicos, acrobatas. O pastel foi muito utilizado por Degas, a partir de finais de 1870. Explorou a representação do movimento, também, ao modelar cera e barro. Deve a sua formação a Louis Lamothe, e praticou, também, no seu atelier. Entre 1855 e 1865, tem como modelos Jean Auguste Dominique-Ingres, Eugène Delacroix e Puvis de Charannes. Conseguia captar o equilíbrio do corpo, a troca de posição. Utiliza uma gama cromática baça, predominando os castanhos, azuis e violetas. Degas serve na artilharia, durante a guerra Franco-Alemã de 1870. Contudo, a sua doença nos olhos começa a manifestar-se. Partilha afinidades com Manet, no respeitante a certos temas, nomeadamente, corridas de cavalos, a agitação nos boulevards. As cenas de dança também o interessam. Torna-se uma celebridade no mundo da arte do seu tempo.

 

Oscar-Claude Monet

 Nasceu a 14 de Novembro de 1840, em Paris, Claude Monet veio a tornar-se o líder do movimento impressionista. Em 1859 iniciava os seus estudos de arte, embora passando a maior parte do tempo no café juntamente com outros artistas e intelectuais. As novas descobertas no domínio da óptica apaixonaram Monet e os seus amigos e conduziram-nos para o ar livre, onde procuravam captar a luz e a atmosfera nos seus aspectos mais fugidios: o tremeluzir da água, um movimento das folhas, a passagem de uma nuvem. Uma estadia em Londres na companhia de Pissarro e Sisley pode ter determinado definitivamente o percurso do Impressionismo. A luz difusa londrina exerceu uma grande fascinação sobre os três. Depois de inúmeras dificuldades, só em 1886 Monet pôde ver o seu trabalho recompensado financeiramente. Na década de 90, a Catedral de Ruão foi o modelo para uma série de quadros em que a mesma imagem era reconstituída, variando a atmosfera, a luz, a sombra, a estação do ano. Em 1892 instalou-se em Giverny, criando um jardim que serviu de inspiração a muitas das suas telas e aos famosos Nenúfares. Das viagens a Inglaterra e a Itália nos princípios do século resultaram as séries sobre o Tamisa e os canais e as catedrais de Veneza. Morreu a 5 de Dezembro de 1926 em Giverny, na propriedade mais tarde considerada monumento nacional. De uma certa maneira, foi o mais fiel à estética impressionista, procurando captar em toda a sua obra o perpétuo movimento da luz na natureza. Isto correspondia à utilização de pequenas manchas separadas, que no conjunto restituíam toda a luminosidade do instante. Justapunha as cores tal como saíam do tubo, e o seu gesto tornou-se cada vez mais livre e fluido, de tal modo que as últimas telas foram consideradas por muitos críticos como meros esboços. Vendas recentes de pinturas de Claude Monet excederam os 22 milhões de Euros.

 

Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa

 Nasceu em 1864, em Saint-André-du-Bois, próximo de Bordéus, vindo a falecer no mesmo local em 1901. A genialidade no traço é a principal manifestação da verve artística de Toulouse-Lautrec. Sendo um artista com grande sentido de humor, apresenta obras com certas proximidades com a caricatura. Os seus principais temas eram as casas nocturnas e os cafés de Montmartre, ou seja, a vida urbana, seguindo a linha de Degas e Manet. Acaba por não utilizar o tratamento dos retratos à maneira dos académicos. Apresenta uma linha pura e a fugacidade. Tinha preferência pela luz artificial, mais fria e imóvel dos ambientes fechados, por esta ser mais reveladora. Passa dos esboços à pintura, tendo o cuidado de preservar a espontaneidade da ideia. Usava a “peinture à l’essence” - tinta dissolvida em aguarrás, para poder desenhar com o pincel. Prefere cartão à tela, pelo facto de a tinta secar mais rápido.

Incrementou a arte da gravação com a técnica de “crachis”, ou seja, consegue o efeito pontilhado, espirrando tinta na pedra litográfica, com escova de dentes.

 

Paul Gauguin

Nasceu em 1848, em Paris, vindo a falecer em 1903 nas Ilhas Marquesas. As cores e formas ousadas exprimiam a sua visão interior mais que a visão externa. Tem contacto com os mestres impressionistas em casa de Arosa. Inspirava-se nas esculturas egípcias e cambodjanas, bem como nas estampas japonesas. Aquando da sua presença no Taiti, as suas características principais passam pelas composições planas.

 

Paul Cézanne

 Nasceu em 1839, em Aix-en-Provence. Decide estudar pintura em Paris. Ia ao Louvre, para copiar artistas. Não era contra os ideais dos impressionistas, mas achava que os efeitos da luz do sol não eram passíveis de reprodução na pintura, já que apenas dispõem da cor para o fazer. Vai voltar-se para o mundo exterior, para conseguir inspiração. Com o Impressionismo, torna-se um pintor da paisagem. Contudo, desencanta-se com alguns pontos, considerando que a sua composição e estrutura era mais forte que os seus contemporâneos. Desejava conservar a sua luminosidade, mas, também, queria uma obra mais sólida e duradoura. É um dos elos entre a pintura do século XIX e as obras do século XX, sendo considerado o ponto de partida para o Cubismo, ou mesmo o Abstraccionismo. Pintou ao ar livre com Pissarro. Inicialmente, utilizava tinta espessa e cremosa, cores sombrias – terra, negro. Posteriormente, recorre a cores mais claras e quentes, marcadas por tons frios em redor- sombras. Uma das suas preocupações era a reprodução dos volumes e solidez dos objectos. No entanto, só o consegue nas obras do período da maturidade, com os seus traços separados. Nas suas paisagens, utiliza pinceladas desorganizadas e cores puras. Muitas vezes utilizava manchas sobrepostas e como o quadro podia secar mais rápido, pintava no local. Pintou vários objectos, inúmeras vezes, para ver os diferentes efeitos. A título de exemplo, na natureza-morta Três Maçãs, destacam-se as cores. Ao invés de dar profundidade, dá sensação de que saem do quadro.

 

Conclusão

Sabe-se que, no século XIX, era a arte académica que vingava. Este grupo de jovens artistas, totalmente revolucionários no modo de pintar acaba por marcar, com as suas ideias modernas, um ponto de ruptura com o Academismo. A luz era o ponto-chave desta nova corrente pictórica, sendo que estes artistas abandonaram os seus ateliers para se instalarem ao ar livre, na tentativa de captar essa impressão causada pela passagem da luz sobre os objectos e as figuras, criando inúmeras obras, de execução rápida, sem retoques. Estes artistas beneficiaram de tintas já feitas, em tubos, pelo que o trabalho é mais rápido. É um grupo com ideias próprias e atitudes diferentes, cujo desejo era, apenas, criar uma arte o mais naturalista possível, com recurso a gamas cromáticas suaves, cheias de luz, pondo fim ao claro-escuro e à linha. A sua concepção de obra de arte defende que o quadro não é uma imagem apenas, mas sim a acção de uma pintura, na qual a imagem se recompõe. O que realmente há de inovador nestes jovens pintores passa pelo método de trabalho, principalmente, uma vez que acabam por renunciar ao tradicionalismo presente nas obras da chamada arte académica. Neste sentido, adoptam uma visão nova da luz, do objecto, das formas, do que retratam nas suas obras. Inicialmente criticados, facto é que muitos consideram o impressionismo o mais importante movimento artístico do século XIX, acabando por influenciar outras correntes, criando as bases para a arte do século XX, isto é, o momento inaugural da arte moderna. É possível fazer algumas comparações com a filosofia positivista, já que, representando o homem moderno no seu quotidiano, estão a aproximar-se da filosofia de Hippolyte Taine, no que toca à sua crença de que a raça, ambiente e localização temporal do homem, são factores importantes para determinar o seu destino. Por outro lado, o interesse dos positivistas na percepção do mundo e sua contribuição para a mesma filosofia também se aproximam do que é retratado pelos impressionistas, já que os positivistas utilizavam termos como “impressão” ou “sensação” para descrever estímulos exteriores recebidos pelos sentidos. Este tipo de comparações literárias, sociais e filosóficas, apesar de gerais, são importantes para compreender o movimento impressionista, enquanto corrente, mas não é possível explicar a sua natureza noutras disciplinas. O ponto de partida da pintura moderna consistiu em destacar o carácter de pintura das obras e ostentar os seus meios para se distinguir da fotografia, o seu grande rival. Os artistas acentuaram a evidência da pintura, o que realmente ela era: uma tela manchada. O espectador já não podia olhar a obra apenas com o ponto de vista e o enquadramento, reduzia-se a profundidade do espaço, eliminando a distância e aplanando os volumes. O quadro perde, finalmente, o carácter de janela que o caracterizava, desde o Renascimento. Os artistas acabaram por encontrar mercados mais alargados, nomeadamente a Société des Indépendants que, em 1884, providenciou aos pós-impressionistas exposições regulares. Os comerciantes de arte tornaram-se independentes, pelo que adquiriram um papel mais importante no mercado artístico da década de 50., do século XIX. Homens como Martinet, Latouche e Martin patrocinam Manet e os colegas. Paul Durand-Ruel, considerado o principal galerista e “marchand” dos impressionistas, apresentou pinturas em 1876 e 1882. Galerias rivais começam, então, a fazer os seus patrocínios, nomeadamente Georges Petit e Boussod & Valadon. Muitos dos compradores pertenciam aos círculos sociais dos artistas, como o cantor Faure, o pintor Caillebotte, o compositor Chabrier, o padeiro Murer e Chocquet. Os patronos aristocráticos só se interessam pelos quadros impressionistas quando o sucesso é garantido. As vanguardas vêm buscar influências ao Impressionismo. O Fauvismo adopta a liberdade da pincelada e as telas pequenas; o Cubismo, por seu lado, copia o tratamento da superfície pictórica, também usada por Cézanne, contudo anti-naturalista. Fora de França, apesar de fragmentada, encontramos influência do Impressionismo em artistas como Philip Wilson Steer (1860-1942), em Inglaterra, Max Liebermann (1847-1935), na Alemanha, e Childe Hassam (1859-1935), nos EUA.

 

Bibliografia

 

Obras de carácter geral

O Tempo e a História, Porto, Porto Editora, 2005

O Impressionismo. In Diciopédia 2006 , Porto, Porto Editora, 2005.

 

Obras de carácter específico

Dicionário de termos de arte, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1990.

 

Internet

http://pt.wikipedia.org/

http://www.universal.pt/

http://www.islasantarem.pt/

António Capela

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