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Trabalhos de Estudantes

Trabalhos de Português - 11º Ano

O Galo de "Os Bichos"

Autores: Ana Catarina Padrão e outros

Escola: E.B. 2,3/S de José Relvas – Alpiarça

Data de Publicação: 12/12/2007

Resumo do Trabalho: Trabalho sobre a personagem do galo no conto "Bichos" de Miguel Torga, realizado no âmbito da disciplina de Português. Ver o Trabalho Completo

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O Galo no conto "Bichos" de Miguel Torga

Introdução

No âmbito da disciplina de Língua Portuguesa realizámos um trabalho sobre o conto “Bichos” de Miguel Torga. A personagem do Galo mereceu um trabalho de leitura extensiva, mas também procurámos analisar este animal do ponto de vista das sociedades: o Ano do Galo, na China; na religião católica, a Missa do Galo; A Personalidade do Galo no Horóscopo Chinês Galo (Ji); na Lenda do Galo de Barcelos; o Enterro do Galo, no Carnaval e as Calhandrices que lhe estão associadas; O Galo, símbolo histórico dos franceses; 2005, O Ano do Galo Verde de Madeira; os feitiços e as bruxarias e ainda várias receitas que se podem fazer com um galo.

Tenório, o Galo

Tenório nasceu duma ninhada que a Senhora Maria Puga deitou amorosamente debaixo das asas da Pedrês, no dia doze de Janeiro, pelas três da tarde. À primeira vista quando a sua cabecita saiu da casca do ovo a senhora Maria achou logo que seria um frango.

Aquela sua amostra de crista poucas semanas depois já parecia uma mitra.

Por altura da Ascensão, Tenório viu os seus irmãos serem degolados para darem umas belas dumas refeições caseiras. Mas a sua dona preferiu mantê-lo para a semente. A certeza de continuar vivo e saber da sorte que teve, enchiam a alma de Tenório duma confiança cega e só mais tarde lhe foi revelado o seu destino.

Num certo dia de Outubro ao amanhecer, sentiu uma ânsia enorme de abrir o peito e cantar ao mundo não sabia muito bem o quê. Sentia-se febril, mas não doente; uma estranha sensação percorria-lhe o corpo; aterrado, tolhido de medo e de pudor não conseguiu refrear aquela sensação e cantou:

Cá-que-rá-cá-cá....!

Cá-que-rá-cá-cá....!

Acordou toda a gente como se um raio tivesse caído no galinheiro, despertando a mãe, as primas e os irmãos. Tenório já não era nenhum frango era um GALO. O peito almofadado de penas, os esporões que cresciam dia após dia nas pernas lisas e musculadas faziam dele um belíssimo galo. Durante muito tempo Tenório foi o rei da galinheira e o orgulho de todos. No entanto os seus cantos já não se faziam apenas pela madrugada para acordar todo o pessoal e chamar para as tarefas diárias. Começou também a cantar à meia-noite, às tantas da manhã, e várias vezes pelo dia fora.

Mas um dia, outro galo mais jovem preparou-se para suceder a Tenório, que era agora considerado como o velho galo. Para cúmulo tratava-se do seu próprio filho e três anos depois de cantar pela primeira vez, Tenório ouviu o seu filho substituí-lo no cantar do amanhecer, acabando por ter o mesmo fim que os seus irmãos.

Biografia de Miguel Torga

Miguel Torga é o nome literário do médico e grande escritor Adolfo Rocha, nascido a 12 de Agosto de 1907 em São Martinho da Anta, pequena aldeia de Trás-os-Montes, filho de modesta gente rural; faleceu a 17 de Janeiro de 1995 em Coimbra.

O brilho com que fez a instrução primária salvou-o do destino de herdar a profissão dos pais. Segundo as suas próprias palavras "... para não ficar na terra a cavar fiz coisas do arco da velha.(...) Fui para o Porto servir, estive num Seminário, fui aos treze anos para o Brasil trabalhar numa roça, capinei café, fui cowboy de vacas e toiros e, inclusivamente, fui caçador de cobras".

Tudo porque o seu professor não o tinha deixado ficar na terra, tendo-lhe introduzido o 'vírus' da cultura: "...ensinou-me a situar-me na vida culturalmente".

Com treze anos, no Brasil, começou a escrever versos. Em 1925 voltou do Brasil e em 1928 começou a estudar medicina, publicando paralelamente o seu primeiro livro, nunca mais tendo parado de escrever. Em 1934, um ano depois de começar a exercer medicina, assina pela primeira vez com o nome de Miguel Torga.

Ao longo da sua vida escreveu quinze livros de poemas, dezassete de prosa vária, quatro de teatro e dezasseis volumes de Diário, todos com numerosas reedições;está traduzido em dezasseis línguas.

Na sua obra, destacam-se Os Bichos, Os Contos da Montanha, Os Novos Contos da Montanha, O Cântico do Homem, Odes e Libertação, frequentemente estudados nos anos de escolaridade básica.

A sua poesia reflecte as apreensões, esperanças e angústias do seu tempo. Nos volumes do seu Diário, em prosa e em verso, encontramos crítica social, apontamentos de paisagem, esboço de contos, apreciações culturais e também magníficos textos da mais alta poesia. Recebeu em 1976 o Grande Prémio Internacional de Poesia e em 1985 o Prémio Camões.

Toda a sua obra, embora multifacetada, é a expressão de um indivíduo vibrante e enternecido pelas criaturas, entranhadamente ligado à sua terra natal.

“Os Bichos” de Miguel Torga

Os Bichos surgem em 1940, reeditado pouco depois, traduções sucessivas para variadíssimas línguas. Animais com sentir humano ou seres humanos vestidos de animais.

Uma imagem de animais e homens, tudo numa argamassa de vida. O cão Nero, o Mago que era o gato, o Morgado que era o jerico, o Bambo que era o sapo, o Tenório que era o galo, o Jesus que era um menino muito bondoso e meigo, a Cega-Rega que era uma cigarra, o Ladino que era um pardal, o Farrusco que era um Melro, o Miura que era um touro, o Vicente que era um corvo, a Madalena que era uma mulher muito fria, o Ramiro que era um jerico e o Senhor Nicolau. Os Bichos são uma das obras mais conhecidas e encontra-se traduzida em Espanhol, Francês, Inglês, Alemão, Romeno, Croata e em Japonês.

No Conto muitos vêem cume das suas qualidades como escritor.

Ano do Galo

Ao optimismo do ano do macaco sobrepõe-se o ano do galo. Mas este,  tende a ser muito confidente e é determinado nos seus planos. Quando o galo colorido trouxer dias brilhantes e felizes, dissipará também a energia. Os seus trajectos são práticos e bem provados. Esqueça esse best seller controverso que se estava a preparar para escrever. Não inicie nenhum esquema rápido ou rico este ano, por favor!

Este ano pode requerer muito esforço. Os riscos especulativos deverão ser evitados. Os desapontamentos e os conflitos estarão na ordem do dia. O galo gosta de impor a  sua autoridade e muitos dos problemas podem vir da sua atitude dominadora. Mas desde que simbolize também o bom administrador e o consciencioso justiceiro, a paz será mantida. Tudo será balançado precariamente no ano do galo.

Este ano, nós poderemos ter que despender de um esforço máximo para um ganho mínimo. Os detalhes necessitam de ser vistos, mas será bom não esquecer de ver o contexto por inteiro. Seja cauteloso. Não aponte demasiadamente alto.

A política aderirá às políticas de linha dura. A cena diplomática será dominada pelos oradores filosóficos. Não pode haver nenhum confronto real. Quase todos estarão demasiado ocupados com eles mesmos para ouvirem ou se importarem com o que a outra pessoa possa estar a dizer. Tenderemos a ser terrivelmente ostensivos sobre a imagem que projectamos e pensamos nós ser esplêndida.  

Este será um ano flutuante apesar da tendência do galo para fazer das coisas simples as mais complicadas. Uma coisa é certa: raramente vem de mãos vazias. Este é o ano de uma ave muito auto-suficiente que nunca irá com fome. Os nossos bolsos não estarão vazios embora os nossos nervos possam ser um bocado desgastados.

Personalidade do Galo

São frequentemente brilhantes mas não muito práticos. São hesitantes e confiáveis. O galo, nascido sob o signo da sinceridade, tem uma personalidade floreada e colorida e é meticuloso em tudo o que faz. Os nascidos sob este signo tendem a ser bem organizados e preferem planear bem todas as actividades. São altamente inteligentes e são geralmente bem instruídos. Também exibem um grande sentido de humor e são uns eficazes e persuasivos oradores. Amam a discussão e o debate e exibem pouca hesitação em falar no que lhes vai na cabeça, frequentemente sendo pertinentes nos seus pontos de vista. O galo é geralmente muito digno nas suas maneiras e apresenta-se com um ar de autoridade.

Outra característica do galo é que carregará sempre um caderno ou pequenos pedaços de papel, constantemente escrevendo lembretes ou factos importantes. Tendem às vezes a deixar a sua imaginação funcionar afastando-se com eles. Odeiam também o criticismo e qualquer um que tente erguer-se demasiado nos seus assuntos não será bem tratado.

Os Galos tendem também a conduzir vidas sociais muito saudáveis, apreciam frequentar festas e outros recolhimentos sociais. Geralmente têm um círculo largo de amigos e têm facilidade em fazer novos contactos. Tendem também a ser interessados pelo ambiente,   casos humanitários, e em qualquer coisa que afecte o bem-estar dos outros, porque o galo tem uma natureza muito sensível importando-se com o que se passa à sua volta, está sempre disposto a ajudar os menos afortunados.

O galo geralmente tem uma família grande e, como pai, tem um interesse particularmente activo na instrução dos seus filhos. São extremamente leais aos seus sócios enquanto estes lhes permitirem perseguir todos os seus variados interesses.  

O galo é muito distinto na aparência e, se o trabalho permitir, desgastaria um uniforme com orgulho. Não são adversos à publicidade, escolhendo preferivelmente ser o centro das atenções sempre que possível.

Horóscopo Chinês

Galo (Ji)

O Galo é o herói destemido do horóscopo, mal-compreendido por todos os outros signos.

 Exteriormente é auto confiante e agressivo, mas por dentro não é assim tão seguro de si. Existem dois tipos de galos: os faladores inflamados e os observadores perspicazes.

O Galo é um perito em expressar-se, adora discutir e se puder, tentará transformar o mundo inteiro ao seu modo de pensar, pois sempre julga estar certo.

Compatibilidade com os outros signos:
Rato – Incompatíveis. No máximo aturam-se.
Boi – Excelente união, sucesso juntos.
Tigre – Incompatível, pequeno choque que esfriam a relação.
Coelho – Incompatíveis. Discórdia e falta de compreensão.
Dragão – Compatíveis. União próspera e feliz.
Serpente – Excelente união, compreensão e confiança mutua.
Cavalo – Compatibilidade difícil, barreiras de personalidade a transpor.
Carneiro – Reservas dificultam o relacionamento. Tolerância moderada.
Macaco – Compatíveis até certo ponto. Tolerância ajuda quando há interesses comuns.
Galo – Incompatíveis, choques e lutas interferem no relacionamento.
Cão – Compatibilidade mediana, ressentimentos ocultos abalam a relação.
Porco – Compatíveis, mas a personalidade de ambos atrapalha um pouco.

Horas Governadas Pelo Galo: 17h às 19h

Elementos:

22/01/1909 a 09/02/1910
08/02/1921 a 27/01/1922
26/01/1933 a 09/02/1934
13/02/1945 a 01/02/1946
31/01/1957 a 17/02/1958
17/02/1969 a 05/02/1970
05/02/1981 a 24/01/1982
23/01/1993 a 09/02/1994

Terra
Metal
Água
Madeira
Fogo
Terra
Metal
Água

Os cinco tipos de Galos

GALO METAL - 1861, 1921, 1981

Um tipo prático, exigente e industrial de galo com um jeito próprio para cativar os outros com os seus brilhantes poderes de dedução. Investigador, optimista e idealista, terá uma atitude apaixonada para o trabalho. O metal fá-lo-á critico e forte, terá uma grande necessidade de relevar  importância e fama. Poderia ser fastidioso sobre a sua imagem ou demasiado convencido e não pode subscrever os pontos de vista dos outros prontamente. Embora seja factual e razoável, é-lhe difícil ser totalmente imparcial quando o seu ego é desafiado directamente.

Quando é negativo, sujeitar-se-á mesmo a uma examinação clínica rotineira. O galo do metal podia ser inibido com as suas emoções apesar de seu bravo aspecto externo. Insistirá em manter a ordem na sua vida e exigirá condições higiénicas aonde quer que esteja ou vá.

Mas quando este galo aquisitivo for atraído à riqueza material, apelará também a reformas sociais. Sentirá a necessidade de estender os seus serviços e conhecimentos a todo a humanidade e sentir-se-á realizado em resolver problemas sociais ou em instigar reformas para o avanço da humanidade.

GALO ÁGUA - 1873, 1933, 1993

Este é o tipo intelectual de galo que empregará perseguições culturais. Tem uma energia e iniciativa tremenda na eliminação de tudo o que se revele perigoso, estes seus recursos procurá-los-á usar ou alistar a ajuda de outra pessoa para se apressar na vitória.

Com a água como seu elemento, será dado ao pensamento sendo a sua  praticabilidade desobstruída. Você pode raciocinar com ele, porque será recompensado quando enfrentado com probabilidades impensáveis. Não é tão austero e ou mártir como os outros galos.

Proficiente no uso da palavra escrita e de comandante quando orador, o galo da água pode balançar multidões e incitar a  acção disposta de outros. Terá fortes conhecimentos científicos e estará interessado na saúde, na medicina e na tecnologia.

As funções da sua mente tendem à eficiência computorizada e assim poderá perder a vista das edições principais quando stressado falhando os detalhes. Os sistemas e os procedimentos fascinam-no e quando obcecado com a perfeição ele poderá ser burocrático e trivial.

GALO MADEIRA - 1885, 1945, 2005

Um tipo expansivo do galo com uma forma de estar e pensar na vida diferente dos outros. Embora seja menos teimoso, tem ainda a tendência de complicar matérias e começá-las do início. Deve aprender a conter o seu excessivo entusiasmo e evitar o exagero de esperar demasiado de todos. Não importa como bem intencionado possa ser, mas as suas regras com os seus subordinados pode deixá-los loucos.

 madeira fá-lo ser orientado, e quando a madeira é combinada com as suas virtuosas qualidades de honestidade e integridade, o seu desempenho nas seus cartas e gráficos espantarão todos.

Apesar de estar sempre ocupado, nada o impede de se preocupar com os outros relevando para segundo plano o interesse próprio. Procurará contribuir e, ou melhorar circunstâncias sociais existentes. Ansioso da congenialidade, procurará a aproximação com pessoas de confiança para trabalhar e terá o registo excelente da confiabilidade. Será basicamente um galo e trabalhará sempre para proteger a sua segurança.

GALO FOGO - 1897, 1957, 2017

Possivelmente uma estrela disparando. Com o fogo como seu elemento, este galo será vigoroso, altamente motivado e autoritário. Poderá agir independentemente com precisão e grande habilidade, embora poderia também ser temperamental, dramático e às vezes nervoso.

Determinado na perseguição do sucesso, indicará a liderança como manager acima da média. O galo diligente e intenso do fogo conduz os seus próprios interesses. Será insensível pelos sentimentos ou pelas opiniões pessoais dos outros, mas será profissional e ético nas suas transacções.

Às vezes, é demasiado inflexível para fazer acordos duradouros e terá as pessoas e situações sob um microscópio para observação. Se as coisas não preencherem as suas expectativas, poderá assumir o papel de um Inquisidor ou causar mau estar aos que o rodeiam.

Contudo tem talento para a organização e apesar dos seus outros instintos, este tipo de galo terá as intenções mais nobres por detrás das suas acções. Poderia projectar uma imagem pública estimuladora e dinâmica.

GALO TERRA - 1859, 1919, 1979

Um galo estudioso, analítico e sondando sempre a verdade, amadurece cedo e compila a sua própria irrefutável informação. A terra assegura a exactidão, eficiência e cuidado nas atribuições que realizar. Saberá distinguir os factos. Com ele, você começará primeiro pela linha inferior.

Sem medo de assumir vastas responsabilidades, este galo não fala em vão. É despretensioso e dogmático, terá fortes tendências de missionário. Adora conduzir a temática das reuniões, estimula todos a trabalhar mais duramente e a seguir o seu brilhante exemplo. Pode conduzir a uma existência simples e austera até encontrar trabalho que o recompense. Fanaticamente sistemático, manterá notas, dados e registo de  tudo o que faz para a posteridade.

Um taskmaster duro, um educador estrito e um crítico muito temido, o galo da terra semeará e continuará do alvorecer ao pôr do sol e terá  sucesso para mostrar o seu esforço e  se puder trazer exemplos práticos nas suas aspirações.

Finanças

Embora muitos dos seus projectos falhem, o galo tem poderes maravilhosos de recuperação e frequentemente pode suportar à sua maneira muitas situações difíceis.

Relacionamento

Têm tendência para ser egoístas e de se esquecerem de considerar os outros.

O melhor Sócio

Dragões, Bois, e serpentes.

Personalidades Galo

Michael Caine, Zorra Parton

Galo de Barcelos

O Galo é reproduzido na arte cerâmica em três países latinos: Portugal, Itália e França. Em Portugal e Itália estas artes estão ligadas a lendas populares e, em França, resulta do facto do galo ser o seu símbolo nacional por excelência.

O cruzeiro do séc. XVI, situado em Barcelos, e que integra o espólio do Museu Arqueológico da cidade, está associado à lenda do galo de Barcelos, símbolo desta cidade. Conta então tal lenda que os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime de roubo e, mais ainda, por não se ter descoberto o criminoso que o cometera. Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém o acreditou. Ninguém julgava provável que o galego se dirigisse a S. Tiago de Compostela em cumprimento duma promessa; que fosse muito apreciador do santo que em Compostela se venerava, assim como de São Paulo e de Nossa Senhora. Por isso, foi condenado à forca. Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento convivia com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a desconfiança dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou:

- É tão certo, eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.

Risos e comentários não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo. O que parecia impossível, tornou-se, porém, realidade! Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do condenado. O juiz corre à forca e com espanto vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó estava mal feito, impedindo o estrangulamento. Imediatamente o homem foi solto e mandado em paz. Passados anos, voltou a Barcelos e fez erguer o monumento (o tal cruzeiro) em louvor à Virgem e a São Tiago.

Missa do Galo

A Missa do Galo é celebrada à meia-noite, na passagem do dia 24 para o dia 25 de Dezembro. Apareceu no século V, pelas mãos dos católicos romanos.

Em relação a esta missa surgem duas questões: “Saber o porquê da missa ser celebrada à meia-noite” e “Saber a razão pela qual esta missa é chamada de missa do galo.”

No que se refere à primeira questão, à razão pela qual a missa é celebrada à meia-noite, parte-se da seguinte ideia:

Já que nesta missa se celebra o nascimento de Cristo, ela deve ser celebrada à mesma hora do nascimento Deste. Ora, como se pensa que Jesus terá nascido à meia-noite, a missa deve ser celebrada à meia-noite em ponto. A segunda questão cria maior discórdia, existem várias teorias que tentam explicar qual o motivo denominação de missa do galo. A explicação mais comum é a da lenda que conta que o galo foi o primeiro animal a presenciar o nascimento de Jesus, por isso ficou com a missão de anunciar ao mundo o nascimento de Cristo, através do seu canto. Até ao início do século XX, a tradição ditava a meia-noite era anunciada, dentro da igreja, através do canto de um galo, real ou simulado. No seu início, a missa do galo era uma celebração jubilosa, longe do carácter solene que existe nos dias de hoje. Até princípios do século XX, manteve-se o costume do privilégio de serem os primeiros a adorarem o Menino Jesus estar reservado aos pastores congregados ali. Durante a adoração ao Menino, as mulheres depositavam doces caseiros e em troca recebiam pão bento ou pão do Natal. Outro costume era o de se guardar um pedaço desse pão bento como amuleto, ao qual só se podia recorrer em caso de doença grave. Uma tradição que existia em algumas aldeias portuguesas e espanholas, era o de se levar um galo para a Missa do Galo, se este cantasse era um prenúncio de boas colheitas para esse ano.Com o advento do regime republicano e com a falta de párocos em muitas freguesias, fizeram com que a Missa do Galo começa-se a cair em desuso. Em França, as Missas do Galo mais famosas, como a de Nôtre Dame e a de Saint Germain dês Prés, são muito concorridas, nestas é necessário reservar lugar com bastante antecedência, até porque durante a noite de Natal, também há apresentações de belos programas de música sacra.

As Calhandrices do Enterro do Galo

Outro "ritual" tem lugar precisamente nesse dia à meia-noite, para encerrar o Carnaval o chamado "Enterro do Galo". Nesse ritual "enterram-se" todas as coscuvilhices que aconteceram no ano anterior. Mas isto acontece tudo com uma encenação, ou seja no "Enterro do Galo" existe um padre, um sacristão, um morto uma viúva e as carpideiras.

O carnaval está doente
E já não há bailaricos
A música é só tum-tum-tum
Ficamos com a cabeça em fanicos

Foram murros e facadas
Na semana da Ascensão
Coitado do nosso forcado
Caíram-lhe os dentes no chão

Cheques é que tá a dar
Letras e Cartão Visa
Temos do melhor que há
Mas andamos sempre na lisa!

Há cafés por todo o lado
O negócio deve dar
Mas é sempre o mesmo fado
Abrem para depois fechar

E agora vão para casa
Não pensem que falamos de vocês
Porque isso fazemos todos os dias
Semana a semana e mês a mês

Despeço-me com amizade
Deferência e consideração
Pró ano haverá mais
Enterro do galo no União

O Galo, símbolo histórico dos franceses

O símbolo do Galo foi adoptado por povos e nações como sinónimo de grandes e nobres causas mas de entre todos, os franceses e a França merecem um muito particular destaque.

O Galo é um símbolo histórico para o povo francês dada a homofonia entre a palavra latina gallus que significa tanto “Gália” como “Galo”. A origem deste jogo de palavras está no facto de César ter designado o território que é agora a França por Gallia (terra dos Galos ou Gauleses), por virtude dos rebeldes gauleses, um povo Celta, usarem o símbolo do galo como brasões nos seus escudos militares. O símbolo do Galo desempenhou um papel importante como iconografia emblemática da Revolução Francesa e tornar-se-ia o símbolo oficial da Monarquia de Julho (1830-1848) e da Segunda República (1848-1851) francesas. Em 1830, o Galo Gaulês substituiu a Flor-de-lis como emblema nacional e a partir deste ano, por uma ordenação de 30 de Julho, o Galo Gaulês foi obrigatório figurar nas fardas e nas bandeiras da Guarda Nacional. O galo foi, no entanto, retirado como símbolo nacional no II Império de Napoleão III (1852-1870) mas regressou em força na III República (1873-1940). O Galo chegou mesmo a constar do reverso das moedas de ouro de 20 francos cunhadas a partir de 1899. Desde 1848, o Galo aparece na cota de armas da República Francesa, em que a Liberdade está sentada num leme decorado com um galo.

Durante a I Grande Guerra (1914 - 1918) o símbolo do Galo, para além de um símbolo nacional, torna-se o símbolo da coragem e da determinação francesa de lutar até à morte no campo de batalha. É habitual, por isso, os monumentos aos mortos caídos em combate serem adornados com estatuária representando um Galo.

No séc. XX e até aos nossos dias o símbolo do Galo está associado ao desporto francês. É o emblema adoptado pelas equipas de França das diversas modalidades em competições internacionais e significa a coragem, a tenacidade e o orgulho franceses.

De resto, não é difícil associar o Galo à bravura e à tenacidade na luta. Alguns seres da mitologia universal, nomeadamente, os deuses guerreiros, apresentavam a figura do galo, como, por exemplo, o deus egípcio Abraxas ou Abrasax que tinha uma cabeça de galo, um corpo de homem e as pernas eram duas serpentes. A palavra mística e dos contos de fadas abracadabra vem do nome deste deus. O lamentável espectáculo da luta de Galos muito apreciada durante anos no sul da China, no Vietnam e Tailândia de entre outros países do Sudeste da Ásia, e cuja prática parece datar da China do primeiro milénio antes da era comum (a.C.), reforça plenamente tal ideia.

A este propósito há um conto tauista de Zhuang Zi (Chaung Tzu), do séc. IV a.C.

Ji Xing Zi era um treinador de galos de luta do Rei Xuan e estava a treinar um belo galo de combate. O rei ia-lhe perguntando como é que estava o galo, em termos de desempenho para a luta. “Ainda não está!”, respondia o treinador. “Está cheio de fogo. Está pronto para entrar numa luta com qualquer galo. É vaidoso e confiante da sua própria força”. Dez dias passaram e o rei pergunta-lhe de novo o mesmo. E ele responde: “Ainda não! Empertiga-se quando ouve o cantar de outro galo”. Dez dias mais e o rei volta a perguntar-lhe. “Ainda não! Ainda tem aquele olhar furioso e agita as penas”. Outros dez dias passados e o treinador responde ao rei: “Agora está quase pronto. Quando outro galo cantar, os seus olhos não irão pestanejar, ficará imóvel como um galo de madeira. É um lutador maduro. Os outros galos olharão para ele e pôr-se-ão todos em fuga.”

Na mitologia hindu, o Galo (Sindura) simboliza, contudo, um dos três venenos (klesha) da mente: o desejo (raga ou apego). Os outros dois venenos da mente, bem como a origem dos seis reinos do samsara ou ciclo da vida e da morte e dos doze elos (nidanas) que constituem o centro da Roda da Vida (Bhavacakra) são o ódio (devsha, ou aversão) representado pela serpente (Sandilya) e a ignorância (Avidya ou falso conhecimento) representada pelo javali (Vikarala).

2005, O Ano do Galo Verde de Madeira

O Ano Lunar, que se iniciou no dia 9 de Fevereiro de 2005, foi o Ano do Galo Verde, de elemento Madeira.

No Cosmos, o elemento “Madeira” ou Árvore está associado ao planeta Júpiter. O elemento “Virtude” do Galo Verde é a Bondade e associando este ao elemento “Madeira” teremos a vida familiar, no ano de 2005, sob o signo do reforço ou do reencontro.

O Verde (o elemento “Cor” do Galo 2005) é a cor da Primavera (também elemento “Estação” do Galo Verde) e é a cor da juventude na tradição chinesa. Nesta mesma tradição diz-se que quem sonha em verde o sonho termina em bem. A cor verde significa paz interior. Muitos deuses e deusas, designadamente o deus da literatura, vestiam-se de orbes verdes, tal como no séc. VIII os oficiais do palácio imperial da dinastia Tanga. Significará isto que o ano de 2005 será de elevada produção científica com consequentes e significativas descobertas. É o ano propício para o trabalho criativo e para a emergência de novos talentos, porque o elemento “Função” do Galo Verde é o crescimento, a expansão.

No entanto alguns geomantes do Feno Shunt (Dong Sói), adeptos do sistema de adivinhação dos “Quatro Pilares”, dizem que este ano “moo lapa chun”, o que significa não haver primavera, não haver começo, não haver crescimento. Isto porque o Galo de 2005 é simbolizado pelos elementos Metal, o seu elemento de raiz, e o elemento Madeira, que é o elemento deste novo ano lunar. O confronto entre estes dois elementos trará desarmonia designadamente em termos internacionais. Mas como é uma Madeira Yin, que no Sistema dos Quatro Pilares é o símbolo da flor e da vegetação, o Vento (que é o elemento “Clima” do Galo Verde) soprará sobre elas dobrando-as, o que é um sinal de flexibilidade e ajustamento dos potenciais conflitos trazendo mais esperança na resolução de conflitos de longo prazo, mas não o seu fim. A boa notícia destes geomantes é a vitória na guerra contra a Al Qaeda...

E como escreveu Issa (1763-1827) neste haiku:

Neste Dia de Ano Novo,
acordado pelo Galo,
o Sol nasce resplandecentemente
sobre as montanhas orientais

Receitas:

Galo com macarrão

Ingredientes:

· 1 Galo caipira de 2 kg, cortado em pedaços, sem miúdos;

· 400 Gramas de macarrão grosso (nº 1) ou goela de pato;

· 5 Colheres (sopa) de óleo;

· 1 Cubo de caldo de galinha;

· 1/2 Cebola batidinha;

· Sal a gosto;

· Cheiro verde a gosto (jogar por cima depois de pronto);

· Pimenta malagueta a gosto;

· 1 Litro de água.

Modo de Preparação:

Numa panela comum, cozinhar o galo com todos os ingredientes, à excepção do cubo de caldo de galinha e cheiro verde. Para a carne ficar macia e dourada, pingar mais água, à medida que for secando. Quando a ave estiver cozida, juntar mais 600 ml de água e o macarrão (cru) com o caldo de galinha dissolvido em uma xícara de água. Deixar ferver mais 10 minutos.

Caldo Cabeça de Galo à Paraibana

Ingredientes:

· 200 gr de coentro fresco(s)

· 1 unidade(s) de tomate médio(s)

· 1 unidade(s) de cebola média(s)

· 1 unidade(s) de pimentão verde

· 1/2 colher(es) (chá) de pimenta-do-reino branca moída(s)

· 2 tablete(s) de caldo de frango

· 4 unidade(s) de ovo

· 1 1/2 litro(s) de água

· 1 colher(es) (chá) de colorau

· 1 colher(es) (chá) de azeite de oliva

· 1 pacote(s) de farinha de mandioca crua

Modo de Preparação:

Coloque a água para ferver em fogo normal, de preferência em panela refractária (barro ou cerâmica). Pique bem o coentro, o tomate, a cebola e o pimentão. Coloque na panela com a água. Em seguida, adicione os cubos de caldo de galinha, a pimenta do reino, o azeite e o colorau. Mexa devagar. Quando estiver fervendo, quebre bem os ovos na panela deixe ferver por 10 minutos. Feito isso, adicione a farinha, soltando-a e mexendo simultaneamente com colher de pau, até que a mistura atinja a consistência de um caldo grosso. Em geral três punhados de farinha são suficientes. Desligue o fogo e sirva quente em pratos fundos ou cumbucas de cerâmica. Para realçar o sabor e a aparência, sirva o coentro picado sobre o caldo.

Testículos de Galo Empanados

Ingredientes:

· De 20 a 30 testículos de galo,

· 1 cabeça de alho, descascados e esmagados ;

· 1 colher de sopa de sal;

· 1 colher de sopa de pimenta calabresa moída;

· suco de 2 limões grandes e suculentos;

· 1 e ½ colher de vinagre de vinho branco;

· ½ litro de vinho branco seco;

· farinha de trigo;

· farinha de rosca;

· 3 gemas;

· azeite para fritar .

Modo de Preparação:

Limpe bem todos os testículos e tempere com o alho, sal, pimenta e sumo do limão. Deixe a  descansar durante 24 horas. Depois, coloque de molho no vinho com o vinagre durante uma semana. Na hora de preparar, retire do vinho, passe na farinha de trigo, nas gemas (levemente batidas), na farinha de rosca e frite-os em azeite bem quente até que fiquem macios.

Conclusão

No fim do nosso trabalho concluímos que havia muitas coisas sobre “O Galo” que nós desconhecíamos e que gostámos de conhecer, tais como: Os cincos tipos de Galos, o Galo de Barcelos, a Missa do Galo e As Calhandrices do Enterro do Galo.

Mas também gostámos do conto “Os Bichos” de Miguel Torga em que falava sobre o Tenório.

Bibliografia

http://sotaodaines.chrome.pt/Sotao/lenda_do_galo_de_barcelos.html

http://pt.wikibooks.org/wiki/Livro_de_receitas/Galo_com_macarr%C3%A3o

http://cybercook.uol.com.br/mostra_receita.php?codigo=5244

http://www.tiosam.com/receitas.asp?receita=receita308.brasileira

http://www.cce.ufsc.br/~nupill/ensino/missa_do_galo1.htm

http://www.loriente.com/galo2005.html

http://calhetamadeira.blogs.sapo.pt/1293.html

http://www.eb23-miguel-torga.rcts.pt/mtorga.htm

 

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