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Antologia de Poesia: Ruy Belo

Anónimo

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Introdução

 

§     Justificação o tema escolhido

O tema escolhido, neste preciso caso, o autor Ruy Belo, foi escolhido aleatóriamente, uma vez que dentro da turma existia mais do que um grupo interessado no mesmo autor. Assim não existe nenhuma razão concreta para a escolha deste autor.

 

§     Os Objectivos do trabalho

Os objectivos do trabalho são: a aprendizagem da construcção dos diversos modelos de textos proposto pelo programa da disciplina, através das informações do autor, o conhecimento da vida e obra de Ruy Belo, a exploração dos temas tratados nos seus poemas, bem como o modo como são tratados, e sobretudo o conhecimento de um poeta Português.

 

§     Metodologia seguida na sua elaboração

A metodologia seguida para a elaboração deste trabalho, consistiu na pesquisa de informação sobre o autor  a analisar, e também de poemas que se integrassem na sua obra. A pesquisa foi efectuada na Biblioteca da escola, em casa e em casa de amigos, através da Internet, esta última serviu de  base a pesquisa de informação acerca da vida do autor, enquanto que a Biblioteca da escola, serviu de base à pesquisa de poemas da autoria do mesmo.

 

§     Estrutura da Antologia

A Antologia é constituída por:

- Introdução, onde é referida a razão da escolha do tema, os objectivos do trabalho, a metodologia seguida e a sua estrutura;

- Modelos de texto, onde são apresentados diversos modelos de texto, propostos pelo programa da disciplina, construídos apartir da informação do autor;

- Antologia comentada, onde os poemas recolhidos são comentados ou analisados;

- Conclusão, onde são apresentadas as conclusões acerca de todo o trabalho;

- Bibliografia, onde se refere as fontes de pesquisa do trabalho.

 

Modelos de Texto

 

Curriculum Vitae

Nome

·  Ruy de Moura Ribeiro Belo

 

Função Pertendida

·  Colunista do Jornal “O Público”

 

Habilitações Académicas

·  12º ano pelo Liceu de Santarém

·  Licenciatura em Direito pela Universidade de Lisboa, concluída em 1956, com média final de 17 valores

·  Doutoramento em Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma, com uma tese intitulada “Ficção Literária e censura Eclesiástica”, concluído em 19, com média final de 18 valores

·  Licenciatura em Filosofia Romântica pela Faculdade de Letras, concluída em 1967, com uma média final de 16 valores

 

Formação Complementar

·  Línguas: Espanhol: Instituto de Línguas de Lisboa

        Francês: Língua curricular no Ensino Secundário

        Inglês: Língua curricular no Ensino Secundário

 

Habilitações Profissionais

·  Seminário “Filosofia, um modo de vida”, organizado em Lisboa por professores de Filosofia de faculdade de Letras, em 1977, ministrado pelo Professor António Almeida

·  Estágio de 4 meses, em 1956, no departamento de advogados no Ministério de Justiça

 

Experiência Porfissional

·  1977-1978: Escola Técnica do cacém. Professor no ensino nocturno

·  1971-1977: Universidade de Madrid. Leitor de Português

·  1967-1969: Ministério da Educação Nacional. Director –Adjunto

·  Ensaísta e Crítico Literário

·  Editora aster. Responsável Literário

·  Revista Rumo. Chefe de Redacção

 

Outros Interesses

·  Membro do Clube de Poetas de Rio Maior

·  Membro da Associação de Poetas Portugueses

·  Escritor de Poesia

·  Praticante de Yôga

·  Teatro Amador na Sociedade Filarmónica e Recreativa de sao João da Ribeira

 

Requerimento

 Requerimento para a passagem de Diploma de Licenciatura no curso de Filosofia Romântica

 Ex.mo Senhor

Presidente  do  Conselho  Científico da

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

 Ruy de Moura Ribeiro Belo, filho de António Joaquim Ribeiro Belo, nascido em 05/05/33, na freguesia de são João da Ribeira concelho de Rio Maior, aluno nº2074 do Curso de Filosofia Romântica, solicita a V.Exª se digne mandar passar  diploma da conclusão da Licenciatura no curso de Filosofia Romântica.

 

Pede deferimento

São João da Ribeira, 5 de Abril de 1977

 O requerente

 

Síntese das Características Poéticas

 Ruy Belo nos seus poemas aborda sobretudo assuntos relacionados com a sua infância e sua vida actual, contrapondo assim duas perspectivas opostas:

  • Infância

    • Sonho

    • Felicidade

    • Realização de tudo o que idealizava

    • Facilidade de vida

  • Vida actual

    • Insatisfação

    • Infelicidade

    • Desalento

    • Falta de inspiração

 

Quanto a figuras de estilo, não existe nenhuma que seja extremamente utilizada, assim ele utiliza um pouco de todas, não sendo caracterizado pelas figuras de estilo que utiliza.

Ao nível formal, Ruy Belo, utiliza uma irregularidade formal, não tendo forma que caracterize o seu trabalho.

 

Carta de Reclamação ou Protesto

Ruy Belo

R. xxxxxxxxxxxxxxxxxxx

1800- 001 S. João da Ribeira

 

Exmo. Senhor

Presidente do Jornal Correio da Manhã

Rua de Alforonelos Dinis, nº5

2100- 100 Lisboa

 

S. João da Ribeira, 6 Abril de 1942

 

Exmo. Senhor,

Venho por este meio mostrar a V.Ex.ª o meu profundo desagrado quando, ao ler uma notícia publicada no jornal que dirige, na edição de segunda-feira passada, vi com surpresa um excerto de um poema meu intitulado “A minha juventude”. Nessa notícia, fazem uma critica aos meus poemas e relativamente ao excerto não referem a fonte bibliografia. Deixo desde já aqui expresso o meu desagrado por terem plagiado um poema meu.

Aguardo noticias de V.Ex.ª e subscrevo me com muita consideração, apresentando os meus cumprimentos.

Ruy Belo

 

Declaração

Eu, Ruy Belo, na qualidade de escritor português, declaro não poder comparecer à palestra anual da Associação Geral dos Poetas de Renome Internacional, convocada para o dia 11 de Abril de 1956, pelas 15:00, por motivo de viagem inadiável ao continente africano para promover uma campanha para a leitura.

S. João da Ribeira, 08 Abril, de 1956

Ruy Belo

 

Entrevista

Ruy Belo, numa entrevista exclusiva ao Jornal de Letras, contou-nos como se começou a aventurar pelo Mundo da escrita e da poesia.

Ruy Belo é um poeta português muito conceituado. Estudou em Santarém até completar o 12º ano. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, e em Filosofia Romântica, pela Faculdade de Letras. Doutorou-se em Direito Canónico, pela Universidade Gregoriana de Roma. É um nome de destaque na poesia contemporânea portuguesa e a sua obra poética encontra-se reunida em dois volumes, com organização e crítica de João Magalhães.

 

Normalmente, quando crianças, queremos sempre ter diversas profissões. Sempre soube o que queria fazer? Ou só mais tarde é que realmente soube que queria ser escritor?

 Desde criança que sinto um grande fascínio pelo “mundo” das palavras, mas tal como qualquer criança sempre sonhei ter variadíssimas profissões. Queria ser astronauta, camionista, e bombeiro. Mas com a idade comecei a ter as ideias em ordem. Tirei cursos em Direito e Filosofia Romântica. E agora cá estou, sendo poeta. 

Onde ou em quem se inspira quando escreve? Ou os seus pensamentos fluem bem e não precisa de qualquer tipo de inspiração?

Não, não. Eu pessoalmente, para escrever, preciso sempre de uma motivação, inspiração e concentração.

Tudo serve de inspiração, as mulheres, a natureza, paixões antigas, a minha infância, ou até mesmo a sociedade em geral. Mas a inspiração não é tudo. Há factores também muito importantes. Para escrever necessito de estar descontraído e com a mente livre. Isso é o melhor.

Acha que qualquer cidadão comum pode fazer poesia?

Claro. Mesmo um simples trabalhador rural que, por muitos motivos, infelizmente não teve a possibilidade de continuar com os estudos e tirar um curso pode fazer poesia. Por exemplo, a minha avó fazia muitos poemas. Claro que não tinham a mesma qualidade de um poema de Camões ou de Almeida Garrett, mas mesmo assim não deixavam de ser poemas com alguma qualidade.

A sua avó foi de certo modo uma motivação e influência para se dedicar à poesia? Ou essa virtude já lhe corre nas veias?

Sim, para ser sincero os meus avós foram uma grande influência, já que passei a maior parte da minha infância com eles. Mas apesar de me incentivarem a escrever, sempre tiveram o desejo de que fosse médico para poder tratar dos habitantes lá da aldeia.

Então porque não seguiu os conselhos deles?

Minha querida, pela simples razão de que sempre que vejo sangue desmaio.

Acha que é difícil para um jovem, hoje em dia ,ter sucesso no mundo da escrita? Ou Portugal é um país com bons apreciadores de poesia?

Sim, no início é capaz de custar um pouco, pois até a sociedade o aceitar e apreciar a sua escrita ainda há um longo caminho a percorrer. Mas com força e dedicação tudo se alcança.

E como foi para si o seu início de carreira?  Foi difícil?  Ou habituou-se?

Sim, no início custa sempre. É como manter um negócio. Até arranjar clientes e obter lucro é difícil.

Mas como já disse, com força e dedicação tudo se alcança, e foi o que fiz. Lutei bastante, e continuo a fazê-lo diariamente para conseguir manter a posição que consegui alcançar.

Acha que conseguiu alcançar todos os seus objectivos? Ou ainda tem projectos por cumprir?

Desde que me dediquei à poesia, o meu grande objectivo era fazer com que as pessoas gostassem daquilo que escrevia, mas não só. Gostar de poesia é uma coisa, e apreciar poesia é outra completamente diferente. O meu interesse era que os meus poemas transmitissem algum sentimento. De certa forma, que transmitissem alguma mensagem para quem os lesse.

 

E no fundo acho que de um certo modo o consegui.

 

 Jornal de Letras, 21 Maio de 1971

 

Cronologia

 1933 - Nasceu Ruy Belo em Santarém.

 1961 - Publicou Aquele Grande Rio Eufrates, um dos seus primeiros livros de poesia, e a colectânea de ensaios Poesia Nova.

 1962 - Participa na greve académica e publica o livro de poesia O Problema da Habitação.

 1966 - Depois dos primeiros livros de poesia, seguiram-se obras cuja temática se prende ao religioso e ao metafísico, sob o poema de interrogações acerca da existência, é o caso de Boca Bilingue.

 1969 - Candidata-se a Deputado e é publicada a colectânea Na Senda Poesia e também mais um livro acerca da existência, Homem de Palavras.  

 1971 a 1977 - Ocupa um lugar de leitor de Português na Universidade de Madrid.

 1978 - Morte do autor, em Queluz.

 1991 - Foi condecorado a titulo póstumo com grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada

 

Comunicado

A revista “Rumo” informa os seus assíduos leitores de que vai realizar uma homenagem ao chefe de redacção, Ruy de Moura Belo, a qual tem como objectivo promover os seus livros de poesia, através da oferta destes na sua revista mensal.

No próximo mês oferecemos o livro Aquele Grande Rio Eufrates e, nos meses a seguir virão a publico O Problema da Habitação e Poesia Nova.

Saberemos deste modo honrar o trabalho de um poeta que se tornará um dos maiores deste século. 

 

Carta Formal

 

Ruy de Moura Belo

São João da Ribeira nº 6, 3º Dto.

1824-702 Santarém

 

Exmo. Sr.

Presidente do Conselho Executivo da

Escola Secundária Stuart de Carvalhais

Rua dos Jasmins

745-697 Massamá

 

Santarém, 1 de Abril de 2005

 

Exmo. Senhor,

 

Venho por este meio informar Vossa Ex.ª de que não vai ser possível concretizar a palestra que iria realizar na vossa escola, no dia 15 de Maio, aos alunos do Ensino Secundário, devido a estar ausente do país. Peco as mais sinceras desculpas a Vossa Ex.ª e aos seus alunos, esperando que me indique outra data para poder comparecer na vossa escola.

Aguardando com muito interesse a resposta de vossa Ex.ª, subscrevo-me com muita consideração e apresento os meus melhores cumprimentos.

 

Ruy de Moura Belo

 

Antologia Comentada

 

Cinco palavras cinco pedras

Antigamente escrevia poemas compridos

Hoje tenho quatro palavras para fazer um poema

São elas: desalento prostração desolação

desânimo

 

E ainda me esquecia de uma: desistência

Ocorreu-me antes do fecho do poema

E em parte resume o que penso da vida

Passado o dia oito em cada mês

Destas cinco palavras me rodeio

E delas vem a música precisa

Para continuar. Recapitulo:

Desistência desalento prostração desolação

desânimo

 

Antigamente quando os deuses eram grandes

Eu sempre dispunha de muitos versos

Hoje só tenho cinco palavras cinco pedrinhas

 

Ruy Belo

O poema refere-se ao desânimo do sujeito poético, ou seja, este encara a vida com falta de ânimo, de estímulos, tudo isso devido a um acontecimento passado, que mudou a vida do “eu”, que anteriormente era rica de estímulos e de imaginação para escrever. Agora a sua vida resume-se a “cinco palavras cinco pedrinhas”, cinco palavras com que ele descreve a sua desolada vida, e as cinco pedrinhas com as quais ele constrói a sua vida até ao fim.

 

Algumas proposições com pássaros e árvores que o poeta remata com uma referência ao coração

 Os pássaros nascem na ponta das árvores

As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros

Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores

Os pássaros começam onde as árvores acabam

Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se

Deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal

Como pássaros poisam as folhas na terra

Quando o Outono desce veladamente sobre os campos

Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores

Mas deixo essa forma de dizer ao romancista

É complicada e não se da bem na poesia

Não foi ainda isolada da filosofia

Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros

Quem é que lá os pendura nos ramos?

De quem é a mão a inúmera mão?

Eu passo e muda-se-me o coração

 

Ruy Belo

Neste poema, o sujeito através de uma metáfora, faz uma comparação entre os pássaros e os frutos. Este transmite a ideia de que os pássaros ao contrário dos frutos, dão vida e alma á árvore. Enquanto estão nos ramos das ávores é como se estas se tornassem seres ainda mais vivos, e que se movimentassem. O sujeito poético transmite também um grande carrinho e ternura pelas árvores, e por todos os seres vivos em geral.

 

Nomeei-te no meio dos meus sonhos

Chamei por ti na minha solidão

Troquei o céu azul pelos teus olhos

E o meu sólido chão pelo teu amor

Ruy Belo

Este poema é uma dedicatória a uma mulher amada do sujeito, onde este se expressa de uma maneira apaixonada, dizendo tudo o que tem feito por este amor, referindo que ela é um sonho para ele e que quando se sente só é por ela que o sujeito chama.

 

Poema

 Ah, poder ser tu, sendo eu!

Ei-lo que avança

De costas resguardadas pela minha esperança.

Não sei quem é. Leva consigo,

Além de sob o braço o jornal,

A sedução de ser, seja quem for,

Aquele que não sou.

E vai não sei onde

Visitar não sei quem

Sinto saudades de alguém

Lido ou sonhado por  mim

Em sítios onde nunca estive.

 

Ruy Belo

 

Análise Formal

O poema é constituído por uma estrofe de doze versos. A rima não é específica, bem como a forma do poema não é usual e conhecida. Assim o poema consiste numa irregularidade formal e métrica.

 

Análise Temática

  • Tema

O tema tratado no poema é a curiosidade do sujeito poético, a admiração e um pouco de saudade.a curiosidade do sujeito poético por laguém que não conhece mas admira, e também saudades de alguém que lhe é próximo mas que se encontra longe e a qual ele idealiza.

  • Assunto

Neste poema o sujeito poético demonstra uma enorme curiosidade em conhecer e de saber mais acerca de um desconhecido, bem como um certo desejo de adquirir algumas caracteristícas do desconhecido, não deixando de ser ele mesmo. No poema o sujeito poético caracteriza o desconhecido, apenas com o puco que sabe acerca do mesmo, demosntrando assim alguma “ignorância”. Por fim, o sujeito refere-se à saudade, mas essa saudade é sentido por alguém criado pela imaginação do sujeito poético.

  • Sentimentos expressos pelo sujeito poético e respecativa justificação

O sujeito poético sente uma grande admiração pelo desconhecido, assim emosntra um desejo de ser como ele, não deixando de ser ele mesmo, “Ah, poder ser tu sendo eu!”.

O sujeito demonstra também uma certa ignorância relativamente ao desconhecido, contrapondo-se assim à sua admiração pelo mesmo, “Não sei quem é”, “Evai não sei onde, visitar não sei quem”.

Por fim o sujeito demonstra saudades de alguém criado pela sua imaginação, ou seja, o sujeito poético crio um sujeito com características de alguém de quem ele tem saudades, “sinto saudades de alguém lido ou sonhado por mim”.

  • Caracterização de pessoas, espaços ou ambientes referidos no poema, e sua relação com o sujeito poético

No poema é referida uma pessoa da qual pouco se conhece. Sabe-se que leva consigo um jornal, que seja quem for tem um brilho natural, que vai para algum sítio, visitar alguém. Esse desconhecimento acerca da pessoa provoca uma atracção no sujeito poético, bem como o brilho natural do desconhecido seja ele quem for, fazendo com que o sujeito poético crie uma grande admiração pelo mesmo.

  • Expressividade da linguagem

Neste poema está presente um paradoxo, “Ah, poder ser tu, sendo eu!”, em que o sujeito poético establece uma contradição, desejando uma coisa impossível, querendo ser uma pessoa, mas não deixando de ser ele mesmo.

 

A minha Juventude

Na minha juventude antes de ter saído

Da casa de meus pais disposto a viajar

Eu conhecia já o rebentar do mar

Das páginas dos livros que já tinha lido

 

Chegava o mês de Maio era tudo florido

O rolo das manhãs punha-se a circular

E era só ouvir o sonhador falar

Da vida como se ela houvesse acontecido

 

E tudo se passava numa outra vida

E havia para as coisas sempre uma saída

Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

 

Só sei que tinha o poder duma criança

Entre as coisas e mim havia vizinhança

E tudo era possível era só querer

 

Ruy Belo

 

 

Analise formal

O poema é um soneto, constituído por duas quadras e dois tercetos. Nas quadras, a rima é interpolada no primeiro e quarto versos e emparelhada nos segundos e terceiro versos. Nos tercetos, a rima é emparelhada nos dois primeiros versos, e interpolada, rimando o terceiro verso do primeiro terceto com o último verso do segundo terceto.

 

Analise temática

  • Assunto:

O sujeito poético neste poema fala da sua juventude, transmitindo os seus sentimentos e mostrando a sua maneira de ver e interpreta o mundo, através das páginas dos livros que foi lendo ao longo da sua juventude, sendo esta a sua única realidade. O sujeito poético passou a sua juventude em casa dos pais, e certo dia decidiu viajar, mas já conhecia muitos outros lugares. O sonho era o “motor” da sua vida.

  • Tema:

O tema do poema é sonho, pois o sujeito poético descreve a sua juventude, como tendo passado o tempo todo a sonhar, expresso pelas seguintes palavras e expressões: “ sonhador”, “Da vida como se ela houvesse acontecido”, “E tudo se passava numa outra vida”, “Tudo era possível era só querer”.

  • Sentimentos expressos pelo sujeito poético:

O sujeito poético, ao descrever a sua juventude, transmite ideia de ser uma pessoa muito sonhadora, e como, para ele foi a partir desta que ficou a conhecer muitos lugares, sente saudades desses tempos de criança.

  • Expressividade da linguagem:

Neste soneto há um conjunto de figuras de estilo que mostram a tristeza do sujeito poético. A hipérbole “Eu conhecia já o rebentar do mar / Das páginas dos livros que já tinha lido”, salienta o facto de o sujeito poético sentir muitas saudades da sua infância.

 

Contigo aprendi coisas tão simples como

a forma de convívio com o meu cabelo ralo

e a diversa cor que há nos olhos das pessoas

Só tu me acompanhastes súbitos momentos

quando tudo ruía ao meu redor

e me sentia só e no cabo do mundo

Contigo fui cruel no dia a dia

mais que mulher tu és já a minha única viúva

Não posso dar-te mais do que te dou

este molhado olhar de homem que morre

e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente

 

Ruy Belo

 

Ruy Belo

Análise Temática

  • Assunto

O sujeito poético está a relembrar e a tentar compreender tudo o que de bom lhe aconteceu com uma mulher, com a qual ele não foi muito correcto (“contido fui cruel no dia a dia”) e, por isso, vive cheio de sensações e sentimentos reconfortantes e de agradecimento para com essa mesma mulher. O “eu” Lírico vive este estado de espírito, pois essa mulher amada esteve sempre presente na sua vida, no “dia a dia” nos “momento quando tudo ruía ao meu redor, e para ele isso é muito comovente e acolhedor (“ este molhado olhar de homem que morre e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente”).

  • Tema e respectivo campo lexical

O Tema do poema é o amor. O sujeito poético reconforta-se lembrando-se dos momentos e das coisas que viveu e aprendeu com a mulher amada a que se refere no poema, isto é expresso pelas seguintes palavras e expressões, que traduzem os seus sentimentos: “contigo aprendi coisas tão simples”; “Só tu”; “ruía ao meu redor”;” Minha única viúva”; “ se comove ao ver-te”.

  • Sentimentos expressos pelo poeta

O amor profundo por essa mulher provoca sentimentos humildes, que fazem com que o “Eu” se sinta bem por ter tido uma pessoa que o ajudou imenso a superar os momentos difíceis da vida (“ Só tu me acompanhaste súbitos momentos quando tudo ruía ao meu redor”).

A causa deste estado emocional é o facto de se aperceber do quanto a mulher amada lhe faz falta no dia a dia, pois esta esteve sempre ao seu lado e o sujeito foi cruel com ela ao não valorizar essas atitudes, por isso, neste momento ele está contente por tomar consciência e valorizar a sua presença (“se comove ao ver-te assim presente tão subitamente”).

  • Expressividade da linguagem

Neste poema, há um conjunto de figuras de estilo que evidenciam o arrependimento e o amor do sujeito poético para com a mulher amada.

A hipérbole “Homem que morre”, refere-se á morte espiritual do sujeito, pois sem a mulher amada não haveria razão para viver, ou seja, é um exagero da realidade”).

A metáfora “Este molhado olhar”, realça o sentimento de tristeza sentido pelo sujeito ao tomar consciência do que fez à mulher amada, utilizando esta metáfora para se referir que chora por isso (molhado olhar).

 

 

Conclusão

 A partir da realização deste trabalho podemos concluir que Ruy belo é um poeta de variedades, não retratando sempre o mesmo tema, e toda a sua vida teve grande influência na sua poesia.

Ruy Belo tirou cursos de Direito, Direito Canónico e de Filosofia Romântica, o que teve bastante influência na sua poesia, interrogando-se diversas vezes acerca de tudo, e nunca tendo muita certeza do queria expressar.

Quanto aos temas tratados nos seus poemas, são maioritáriamente temas relacionados com a sua vida, mais precisamente, a sua infância e a sua vida actual. Aquando se trata da sua infância, os poemas têm um vocábulário relacionado com o sonho, a felicidade extrema, a facilidade da vida e com a realização de todos os sonhos e vontades, tudo isto sentimentos demosntrados por uma criança. Aquando tratado o tema relacionado com a sua vida actual, o vocabulário expressa, sobretudo, sentimentos como infelicidade, insatisfação, desalento, falta de inspiração, desânimo, tudo sentimento negativos. Assim podemos concluir que Ruy Belo teve uma vida muito boa em criança como qualquer outra, sendo bastante feliz, o que não aconteceu na sua vida futura, tendo bastantes desgostos, perdendo a sua inspiração, o que deve também à falta de musa inspiradora.

O trabalho foi muito interessante pois pudemos conhecer um poeta que para nós era desconhecido, aprender acerca de sua vida e obra, bem como perceber o porquê da sua escrita. Foi também um trabalho útil, uma vez que praticámos a escrita dos modelos de texto proposto pelo programa da disciplina.

 

Bibliografia

 

Livros

§        GARRIDO, Ana, DUARTE, Cristina, RODRIGUES, Fátima, AFONSO, Fernanda, LEMOS, Lúcia, Práticas 11º, 2004, Lisboa Editora;

§        GARRIDO, Ana, DUARTE, Cristina, RODRIGUES, Fátima, AFONSO, Fernanda, LEMOS, Lúcia, Práticas 10º, 2003, Lisboa Editora;

§        Manuais de 7º, 8º, 9º e 10º ano de escolaridade, Biblioteca escolar;

 

Sites

§        http://www.instituto-camoes.pt/cvc/poemasemana/11/01.html

§        http://www.nescritas.nletras.com/poemasruybelo/

§        http://www.google.pt/

 

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