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Português - 10º ano

Ficha de Leitura - Ilse Losa

Teresa Silva

Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho

Data de Publicação: 13/01/2007

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Ficha de Leitura
Nome do autor:
Ilse Losa

Título: O Mundo em que Vivi

 

Síntese

 

Este romance encaixa-se, em termos de tempo, nos finais da Primeira Guerra Mundial e, em termos de espaço, na Alemanha.

Rose Frankfurter, uma menina da classe média, frágil, de cabelo louro e de feições infantilmente lisas, passara uma infância complicada pelo facto de ser judia.

Vivia com os seus avós paternos, Markus e Ester, numa pequena casa.

O avô Markus era uma pessoa amável, calma e tinha um olhar sempre tristonho. Rose tinha uma adoração especial por este. Já a avó Ester era o oposto, era fria e rígida, sendo que as suas duas palavras mais utilizadas eram: prático e económico, palavras pelas quais Rose começara a detestar desde cedo.

Quando dois tios de Rose, filhos dos seus avós paternos, morrem, Markus fica frágil, abatido e doente, o que entristece Rose.

Posteriormente acontece o menos desejável, o avô Markus morre seguindo-se a avó Ester. É então nessa altura, quando perde os avós, que Rose vai viver com o pai, a mãe e os seus dois irmãos, mudando a sua vida radicalmente.

Passa a viver na cidade, onde entra na escola primária e onde não há discriminação pelo facto de ser judia. Já quando entra no Secundário não se sucede o mesmo, sendo que começa a perceber como são tratados os judeus, começa a sentir na pele o que era ser discriminado devido apenas a esse facto.

Contudo também haviam coisas positivas na sua vida desde então, tal como o seu namoro com Paul, pessoa que a fazia feliz e que, de certa forma, a protegia.

Entretanto começam realmente os problemas: o seu pai morreu com cancro e a sua mãe, não tendo como sustentar três filhos, teve de vender a sua casa. Rose decide então ir para Berlim com o fim de trabalhar, contudo as crises de inflação, de desemprego, do assassínio de Rathenau (ministro judeu), do aumento de influência e da vitória dos Nazis causam um distúrbio na sociedade e Rose, por ser judia, corria risco de vida, tendo sido a sua grande sorte um oficial nazi ter simpatizado consigo, até por ser loira e de olhos azuis, e lhe ter dado o prazo de 5 dias para sair do país, escapando-se assim ao triste fim dos restantes judeus: o campo de concentração.

Desta forma é retratada a vida dos judeus nessa época. Os seus costumes públicos e domésticos, as distinções feitas entre judeus e o resto da sociedade, enfim, a discriminação perante os mesmos, que no fundo, é o que retrata este livro.

 

Critica

 

O Mundo em que vivi retrata a época da ascensão ao poder dos Nazis e mais um capitulo de perseguição aos judeus, sendo que a história é baseada na vida de Ilse Losa, que teve, tal como Rose, de abandonar o seu país por ser judia.

Na minha opinião pessoal é um livro de leitura acessível e cativante devido à realidade que transmite. Este reflecte um assunto bastante sério, visto que esta descriminação racial levou à morte de cerca de seis milhões de judeus.

 

Biografia

 

Nascida a 20 de Março de 1913, na Alemanha, e falecida a 6 de Janeiro de 2006, Ilse Losa adquiriu a nacionalidade portuguesa.

Frequentou o liceu em Osnabrück e Hildesheim e depois um instituto comercial em Hannover.

Devido ao facto de ser judia foi ameaçada pela Gestapo de ser enviada para um campo de concentração, tendo que abandonar o seu país natal em 1930. Primeiro foi para Inglaterra, tendo em 1934 seguido para Portugal, mais concretamente para a cidade do Porto. Foi nesta mesma que se casou com o arquitecto Arménio Losa e que adquiriu a nacionalidade portuguesa, tal como já mencionado.

O seu primeiro livro publicado foi “O Mundo em que Vivi” em 1943. Desde então dedicou-se à tradução e à literatura infanto-juvenil, tendo ganho, em 1984, o Grande Prémio Gulbenkian.

Em 1998, devido à sua obra “À Flor do Tempo”, recebeu o Grande Prémio de Crónica da Associação Portuguesa de Escritores.

Foi colaboradora de diversos jornais/revistas portugueses e alemães, estando representada em diversas antologias de autores portugueses. Colaborou também na organização e traduziu antologias de obras portuguesas publicadas na Alemanha.

 

Bibliografia

 

O Mundo em Que Vivi (1949, volume de estreia)

Histórias Quase Esquecidas (1950)

Grades Brancas (1951)

Rio Sem Ponte (1952)

Nós e a Criança (1954)

Aqui Havia Uma Casa (1955)

Sob Céus Estranhos (1962)

Encontro no Outono (1965)

O Barco Afundado (1979)

Estas Searas (1984)

Caminhos sem Destino (1991)

À Flor do Tempo (1997, Grande Prémio da Crónica de 1998)

 

Obras Infantis

 

Faísca Conta a Sua História (1949)

A Flor Azul (1955)

Um Fidalgo de Pernas Curtas (1961)

Um Artista Chamado Duque (1965)

A Adivinha (1967)

Beatriz e o Plátano (1976)

Viagem Com Wish (1976)

João e Guida (1977)

O Príncipe Nabo (1978)

A Minha Melhor História (1979)

O Quadro Roubado (1985)

Ora Ouve (1987)

Ana-Ana (1986)

Na Quinta das Cerejeiras (1984)

A Visita do Padrinho (1989)

Silka (1991)

Faísca Conta a Sua História (1994)

 

Crónicas

 

Ida e Volta — À Procura de Babbitt (1959)

 

 

Teresa Silva

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